É tão sensacional que vou ter que citar na íntegra: “12 motoboys percorrem espaços públicos e privados da cidade de São Paulo. Munidos de celulares com câmera integrada, fotografam, filmam e publicam em tempo real na Internet suas experiências, transformando-se em cronistas de sua própria realidade. Descrevem mediante palavras chave as imagens que publicam e colaboram assim para a criação de uma base de dados multimídia que seja capaz de gerar conhecimento coletivo.” Sabe o que é?
Um projeto chamado canal*MOTOBOY, que descobri pelo colega Fernando Carril. Na página, lêem-se como patrocinadores do projeto o Centro Cultural de São Paulo, a prefeitura da cidade, a Embaixada da Espanha no Brasil, entidades de fomento também espanholas e a FAAP.
O site está recheado de textos, fotos e entrevistas em áudio e vídeo —sim, os motoboys, assim como os jornalistas, sabem conversar e fazer perguntas. A diferença é que, em vez de enraizados em redações, eles “furam” o trânsito e mostram a realidade de São Paulo de um ponto de vista absurdamente diferente.
Não consigo deixar de entender isso como uma modalidade de jornalismo. Isso também é uma narrativa, um compartilhamento de impressões, um trabalho que faz emergir conflitos —e tão tendencioso ou monóculo como o próprio jornalismo, que é tantas vezes refém de interesses comerciais ou é meramente produzido da classe média para a classe média (vide as capas das maiores revistas do país para compreender que, para elas, cidadão é igual a consumidor).
De qualquer forma, mais do que o meu falatório aqui, vale a visita ao canal*MOTOBOY. É tanta coisa legal que emerge —não dá para parar de citar. “Há anos que ele vem des-aparecendo em meio aos carros, os donos por direito do espaço não tão público das ruas e avenidas da cidade. O espelho retrovisor dos automóveis revela a imagem fugaz de um personagem cada vez mais presente. Invasor de um espaço restrito, o motoboy burla códigos e normas para suprir uma demanda de mercado. Desobediente, ele faz ver até que ponto a desregulamentação acarreta problemas para um país que se pensa pacífico, mas não enxerga seus mortos diários”, publica o site na área Textos e programação paralela.
Não bastasse mostrar uma realidade absolutamente ignorada pela grande mídia —você já viu uma editoria “Motoboy” nos grandes noticiários?—, a iniciativa ainda se põe a pensar, a refletir. E hoje, para mim, faz muito mais sentido ler esse tipo de reflexão do que colunista velhaco de jornal mal cheiroso.
É, caros publishers… como estampava um colega de redação em sua fantástica camiseta hoje: “The Media Is Out Of Control”. Coisas como esta, mais sociais, ou como o Wikitrends, da Nokia —o uso de ferramentas de colaboração para fins meramente comerciais— têm me assustado. Porque, como dizem Kovach e Rosentiel, a produção de conteúdo está cada vez mais fora das mãos da mídia.
Será que quando a mídia acordar será tarde demais?



13/11/2007 às 15:06 |
Madu, tem também exemplo mais estruturado, no argentino CRONICAS MOVILES, que pretende trazer o jornalismo cidadão apoiado por uma marca de celulares. A conferir em http://www.cronicasmoviles.com.ar
Abs FCarril
13/11/2007 às 15:10 |
Um exemplo mais estruturado esta no argentino CRONICAS MOVILES, que pretende trazer o jornalismo cidadão apoiado por uma marca de celulares. A conferir em http://www.cronicasmoviles.com.ar Abs FCarril
13/11/2007 às 18:47 |
Uma outra solução de jornalismo cidadão é o porteño CRONICAS MOVILES. Apresentado por um fabricante de celular, traz ferramentas para a publicação de noticias. A conferir: http://www.cronicasmoviles.com.ar
23/11/2007 às 18:54 |
Fantástico!