O que motiva a colaboração?
A CNN agora levará seu serviço de jornalismo colaborativo iReport para o Second Life. Apesar de todo meu pessimismo quanto à segunda vida, tendo a discordar do Engrenagem, blog português que acompanho com interesse, quando coloca o jornalismo colaborativo no mesmo saco como tempero de “fracasso” —o vídeo satírico que o blog publica levanta, na verdade, uma questão que vai além da simples possibilidade de fracasso, que descarto, e põe algo que julgo central para compreender o que trará sucesso à participação: o que motiva o internauta a engajar-se no conteúdo colaborativo?
Apesar do escárnio, o vídeo é bem legal. E evidencia o perigo do “seja famoso”… o apelo de figurar em um grande meio de comunicação talvez possa ser uma boa forma de atrair colaboradores (e é utilizado em alguns sites colaborativos brasileiros, como o Terra). Mas aí continuamos no paradigma da mídia de massa —seja você mais um a noticiar “de um para muitos”… quando o objetivo do jornalismo cidadão é exatamente uma produção de muitos para muitos.
Um dos meus palpites é que o engajamento pode ser ideológico, mas também econômico —remunerar os jornalistas cidadãos por seu trabalho pode ser uma via interessante, seja qual for o modelo de remuneração. Uma boa pista dá artigo publicado por Steve Outing esta semana: “Uma importante lição sobre mídia colaborativa” fala sobre a má experiência do especialista em mídia digital com o jornalismo colaborativo como negócio.
Isso não me assusta. Seria como perder o pique com a Internet após a bolha. A questão é encontrar o modelo de negócios ideal, o lugar certo, as pessoas certas e a hora certa. Se até Jeff Bezos descobre a América por fax (leia-se: lança leitor de livros no mínimo cinco anos que empresas como a Sony e a HP e ganha capa de revista semanal nos EUA), algo como jornalismo colaborativo só pode dar certo. É questão de tempo.
Mesmo assim, a pergunta permanece: o que realmente motiva a colaboração?



28/11/2007 em 14:32
a-há!! essa é a pergunta do milhão!! :P
A Polly Ferrari é que se debruçou sobre essa questão, que tanto me inquieta.
Mas além da remuneração e do “ser famoso”, eu acredito num sentimento de altruísmo, de sentir que eu faço diferença, de que a informação que eu tenho pode ser relevante para outras pessoas e eu posso ajudá-las a viver melhor.
Além do quê, isso é mérito meu e serei reconhecida por isso.
Mix de altruísmo com orgulho com pertença…
Mas certamente renderia um bom caldo para uma pesquisa na antropologia :P
Beijo!
9/12/2007 em 19:01
[...] do autor, é chegar à primeira página. Claro, a primeira página pode estar ligada à necessidade de sucesso e um modo de pensar “um-para-muitos” da mídia de massa. Mesmo assim, não deixa de ser [...]
24/01/2008 em 08:57
[...] Mas será que a TV, ícone da mídia e da sociedade de massa, conseguirá tirar proveito de um modelo de mídia absolutamente descentralizado e que faz de recursos como a busca e a liberdade de grandes centros de distribuição de conteúdo? Há quem duvide… [...]