Da série “incongruências” do dia

5/03/2008

Apesar de continuar clicando como um louco todos os dias, a torpe necessidade de fazer as coisas logo têm feito com que este autor tenha pouco existido. Mas isso não implica que a razão última de nossa existência —pensar— tenha cessado. E só hoje, com a revolta pelo trânsito e o calor, a caminho do trabalho me vieram três interrogações sobre a existência (digital, midiática ou whatever): Leia o resto deste post »


Salvem o homem-bomba

10/09/2007

É, Simão. Tucanaram até o homem-bomba. Agora estão dando PlayStation para os jihadistas —é a campanha de desintoxicação terrorista da Arábia Saudita. É mole???


PT concorda com fechamento de TV

5/06/2007

Mais lenha na fogueira —a Agência Estado informou ontem sobre comunicado do PT (Partido dos Trabalhadores), declarando-se favorável ao fechamento da rede de televisão venezuelana RCTV pelo presidente Hugo Chávez.

Diz o comunicado do partido que Chávez foi eleito de forma democrática, e que o final da concessão e o encerramento das transmissões da RCTV se deram baseados em lei. O partido se mostrou favorável porque considera a atitude de Chávez algo democrático, que derruba monopólios de grandes instituições privadas sobre concessões públicas. Qualquer semelhança com a realidade brasileira não é mera coincidência.

Mais uma polêmica tacada do hermano Chávez. Amparado pela lei ele está. Que a televisão na América Latina é um monopólio, é fato. Mas será que o problema não está na concessão pública? Quanto é preciso pagar, ou amigo de quantos deputados influentes é preciso ser para obter uma concessão de TV no Brasil?

Amparado ou não pela lei, o ato de Chávez é populista e, infelizmente, não consegue esclarecer a população sobre o verdadeiro impedimento ao exercício da democracia na mídia —inclusão social e transformações legislativas que, efetivamente, respondam à necessidade coletiva.

E, tanto pior para nós, o PT parece concordar com isso…


E no final, a publicidade paga a conta

14/05/2007

No final da semana passada chegou aqui no Ocidente a notícia de que haverá máquinas de venda de refrigerantes e doces no Japão que “darão” víveres gratuitamente a seus clientes contanto que eles vejam anúncios publicitários (leia mais).

Acabei de voltar de um café em que discutíamos, eu e dois colegas, modelos de TV pública na Europa. Na Alemanha e no Reino Unido há, por exemplo, impostos (sim, pasme) que a população banca para manter a TV aberta —neste último país, estamos falando de BBC e Channel 4.

Meu amigo brasileiro, que reside atualmente em Berlim, sonega —declara ao governo que possui apenas rádio em casa, e paga cerca de 19 euros a cada bimestre por isso. Disse que já recebeu a visita de um inspetor, que não chegou a entrar em sua casa, mas perguntou a ele se ele não possuía um aparelho de TV. Rolam, inclusive, lendas urbanas —o governo teria radares que detectariam a presença de televisores. Com medo, talvez, as pessoas pagam.

Tudo bobagem (a história do radar). Mas o fato é que paga-se para ter acesso a uma programação de qualidade. Enquanto isso, canais como a BBC exigem que até seus parceiros (como portais brasileiros) excluam vinhetas de publicidade de canais em que seus vídeos sejam exibidos.

Eis uma discussão super legal… a gente quer refrigerante, Web e TV de graça. Mas o ditado está certo: não há almoço de graça. Alguém sempre paga a conta. Nas máquinas de venda do Japão e na Internet brasileira, quem paga é a publicidade. E apesar de todos os discursos pró-isenção do jornalismo que hoje existem, pequenos produtores só vingam fazendo algo com um grande patrocinador por trás.

Aí o conteúdo é gratuito para o usuário, claro. Mas o quanto ele está perdendo, de verdade, em acesso a conhecimento, quando o conteúdo a que é exposto é produzido seguindo determinados interesses? Quem é mais fácil pressionar —uma rede de TV que sustento com “impostos” todo ano, ou o veículo que tem o rabo preso com o assinante?


Tião Gavião em São Paulo

10/05/2007

Vi o papa (ou antes a Mercedes do papa, devidamente filmada) Bentinho 16 duas vezes hoje, indo e voltando do palhácio dos Bandeirantes, no cruzamento da Rebouças com a Faria Lima. Motoboys buzinavam e aceleravam, os transeuntes aplaudiam. Os primeiros não se sabe se por emoção ou para que o trânsito fosse liberado logo. “Que emoção”, deixou escapar uma moça aqui no trabalho.

Fui duplamente abençoado. Não sei se pelo papa ou pela Mercedes…


Mais concentração no mercado de celulares

30/04/2007

Lembra daquele papinho libertador da década de 1990, que dizia que a privatização e o mercado dariam um jeito na má qualidade dos serviços, que a gente enfim se veria livre do monopólio do Estado e teria mais opção? Você votou naquele intelectual bem-engravatado, inclusive, que era praticamente o porta-voz desse discurso, não é?

Bem, infelizmente a democracia brasileira ainda nem maioridade fez, e a gente ainda acredita que o mero voto a presidente resolve as coisas. Esquece que o presidente nada mais é que um fantoche frente a todo um leque de interesses de quem o patrocina. Assim é o mundo do marketing.

Eis que durante o final de semana alguns nobres senhores da aristocracia européia trocaram alguns cheques, e o controle da Telecom Itália passou para… a Telefónica, que, por sua vez, é controladora da Vivo no Brasil. Com isso, já existe quem esteja questionando o acordo e as possíveis repercussões para a operação das teles móveis brasileiras Vivo e TIM. E o discursinho liberal que falava em pluralidade e concorrência vai por água abaixo com um simples acordo de cavalheiros. O lucro vence. E dane-se o resto.

E eis que o capitalismo os levou à estagnação (2)*.

*A partir deste post, passarei a numerar, em série, os links que der para o port “E o capitalismo os levou à estagnação”, para tentar contar o número de vezes que aqueles que produziram ou reproduziram o discurso neoliberal que dominou a década de 1990 e permeia até hoje o ideário tucano trairam-se pela falta de reflexão e pelo oportunismo vil.


"Golpe de Estado" democrático

15/04/2007

Interessante experiência passa nosso vizinho Equador. O presidente do país, Rafael Correa, conseguiu que praticamente 80% da população votasse “sim” em um plebiscito que confere a ele poderes para controlar o Congresso —lá, também, corrupto e instrumento de jogos de poder regionais. A idéia de Correa é criar uma assembléia para reescrever a Constituição do país.

Enquanto isso, no Brasil, Congresso e Assembléias legislativas continuam paradas. Assim como o Executivo. E ano que vem nossa Constituição completa 20 anos —ela já viu a queda do muro de Berlim, o nascimento de uma nova economia com a Internet e a globalização, a ascenção de um presidente de esquerda ao Planalto (com a implantação de meras políticas de transferência de renda, sem alterações em estruturas arcaicas do poder)…

Será que uma Constituinte ajudaria a melhorar o país? Quanto os cidadãos brasileiros realmente participariam disso?


Brasil, entre o progresso e a inércia

12/04/2007

Eis como resume o país interessante reportagem da The Economist, uma das mais conceituadas revistas britânicas e talvez um dos últimos bastiões do bom jornalismo mundial. Claro que a reportagem culpa o Estado —responsável, claro, por boa parte do peso que arrastamos. Mas se o Estado é incapaz de fazer qualquer coisa contra ele próprio, de onde surgirá um projeto de verdade para o Brasil?


Sim, pode ser pior

2/04/2007

Parece incrível, mas a qualidade de vida em São Paulo pode ser ainda pior. Segundo ranking da consultoria Mercer, a cidade caiu no ranking este ano, do 108º lugar para o 114º (confira a lista das 50 melhores cidades para viver). Em tempo: as cinco melhores cidades da América em qualidade de vida ficam no Canadá…


In

15/03/2007

Descobri: testemunhei uma alemã (sim, loira, cabelo liso, olhos azuis, bastante maquiagem e roupas alinhadérrimas) jogando uma bituca de cigarro no trilho do metrô…

Mas os ônibus e os trens continuam todos passando no horário.