Por que o jornalismo colaborativo não vai acabar com o jornalista

16/03/2009

Uma das grandes angústias do jornalista online atualmente é estar cara-a-cara com a avalanche de informação digital e perceber na própria rede as sementes daquilo que poderia ser seu fim —a eclosão de conteúdo criado pelo usuário (antes leitor), somada ao surgimento de plataformas que reúnem este conteúdo de forma cada vez mais inteligente pode fazer o incauto pensar que o conteúdo colaborativo vai acabar com a função do jornalista na sociedade em rede. Pensamento, porém, apressado.

Quero compartilhar um vídeo que julgo responder a esta angústia com maestria, que chegou hoje a mim pelo colega de trabalho Luiz Fukushiro aqui no UOL. Um remix de diversos conteúdos que forma um completamente novo, e, não bastasse isso, extremamente melhor que cada uma das partes isoladas.

Isso as plataformas web (ainda) não podem fazer. Isos exige um ser humano que se deu ao trabalho de compreender cada um dos conteúdos, encontrar aqueles que lhe serviam pelo ritmo e pela melodia, reuni-los todos e dar a eles o seu ingrediente, o seu ponto de vista, a sua moldura.

Agora me diga: não foi isso sempre que fizemos os jornalistas? ;o)


Siftable: o computador-bloquinho inteligente

11/03/2009

O TED, repito, é uma conferência que não quero morrer sem ter visto ao vivo. Talvez a crise atrase um pouco meus planos, mas enquanto isso dá para babar um pouco pelo Youtube —este ano, David Merrill apresentou os Siftables, uma espécie de computador no formato de um bloquinho. Com um acelerômetro, ele consegue transformar gestos em ações. Olha quanta aplicação isso pode ter:


Jornalismo colaborativo, lado a lado com conteúdo profissional

22/12/2008

Desta vez, certamente não haverá azedume nem avaliações precipitadas de quem estava de fora. Nesta segunda-feira fatídica para quem sofreu com a enchente em São Paulo, entre diversas opções de conteúdo profissional disponíveis a seus editores, o portal UOL resolveu estampar em sua capa uma foto enviada por um leitor.

Foto de usuário estampada pelo UOL em 22/12/2008

Foto de usuário estampada pelo UOL em 22/12/2008

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Ganhe dinheiro sem sair de casa! Faça uns amigos e abra um blog!

9/12/2008

Isso mesmo! Quer fazer parte da revolução? Ganhe dinheiro sem sair de casa! Renda de R$ 100 a R$ 10.000 mensais, se você conseguir abrir uma consultoria!

Primeiro faça uns amigos, afinal, a web social nada mais é do que “link-para-mim-link-para-você”, tapinha nas costas. Depois instale um sisteminha de remuneração. Aliás, não um, mas dois, três, quatro, quantos você conseguir encontrar por aí.

Blog de cadeira de rodas

Blog de cadeira de rodas

Agora é só sentar em sua poltrona e falar o que vier à cabeça sobre o que vê na televisão, ouve no rádio, vê na Internet. Ah, aproveite inclusive que você fez umas aulinhas de inglês, e traduza bastante coisa de blogs e sites internacionais.

Isso é o que têm chamado de “revolução”, exclusividade, modo alternativo de vida. Uma elitezinha besta, que se acredita diferente porque aprendeu (digo: copiou) meia dúzia de truques de uns pseudo-gurus norte-americanos e acham que são capazes até de prescindir da mídia tradicional.

Na verdade, não é que “podem” prescindir. É que simplesmente têm preguiça de se engajar no ambiente de mídia para produzir algo melhor. Culpam a mídia por sua mediocridade e fazem a revolução “sem sair de casa”…

Dessa “revolução”, desculpe, mas prefiro não fazer parte.


A Internet é um tabuleiro, cada site é um jogo

25/11/2008

Uma rápida passada para registrar por onde vagueiam meus pensamentos nos últimos tempos. Tenho cada vez mais certeza de que a Internet é um jogo, e o jornalismo online deve ser tratado como software (não como mero jornalismo). Para ser mais preciso, a Internet é um grande tabuleiro de jogo, não feito sobre madeira, mas sobre uma Surface, da Microsoft, em que os cenários e as regras estão aí para serem transformados.

Pois bem. Se a Internet é um grande tabuleiro, cada site é um jogo. Cada site tem suas regras, seus macetes, suas intenções, sua dinâmica. Cada site pode (e vai) sendo descoberto e abandonado pelas pessoas, assim como aquele Banco Imobiliário que você deixa guardado no quartinho do fundo e, anos depois, vê, lembra com saudades, mas não sente mais vontade de jogar. Claro, seus primos terão vontade, e também seus filhos.

É por isso que não dá mais para fazer jornalismo do jeito que a gente faz. A gente só pensa em apurar e publicar. Isso está errado. Apesar disso ser a base para um bom jornalismo, valendo-me de uma categoria marxista, a tal da “superestrutura” mudou. Para contar uma história para nosso leitor, a gente precisa brincar com ele. Tornar a informação algo leve, descontraído. Não com fait divers ou noticiário sobre o zoológico. Não é o “o quê”, é o “como”…

Até porque, muito cá entre nós, cada dia mais há coisas interessantes para fazer. E ler notícia do jeito que a gente está acostumado a produzir, desculpe-me jornalista, é MUITO CHATO! Se a gente não mudar o jogo, criar novos aproveitando este tabuleiro riquíssimo, vamos virar Banco Imobiliário.

P.S.1: se a Internet é um jogo e a gente enjoa de certos jogos, penso estar aí a fórmula para compreender o ciclo de vida de produtos como e-mail, mensagens instantâneas e até mesmo redes sociais. Desculpe-me pela segunda vez, mas apesar da classe C, acredito que coisas como o Orkut vão minguar até desaparecer, e isso nos próximos dois anos, com o surgimento de redes mais “velozes” e segmentadas, como Blip.fm para música ou coisas parecidas para outros nichos

P.S.2: desculpas a todos que me acompanham pela ausência de posts nos últimos meses… vida corrida demais com novas atribuições no trabalho, um filho, mestrado e mudança de casa em meio ano! =)


Afinal, o que é um holodeck?

3/11/2008

Como citei o termo “holodeck” no post anterior sem explicar absolutamente nada, aí vai um trecho de meu ensaio sobre o livro de Janet Murray, “Hamlet no Holodeck”, que explica. E de quebra uma pérola que encontrei no Youtube e mostrei no seminário —um pôquer, digamos, de peso… =)

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Narrativas digitais em Janet Murray: entre o realismo e a realidade

3/11/2008

O digital não é mais alucinógeno que o analógico. O computador e a TV não exercem um fascínio mais perturbador que o livro —e pode-se mergulhar com o mesmo insulamento em um quanto nos outros. Eis a mensagem de “Hamlet no Holodeck”, de Janet Murray, que acabo de devorar para o mestrado.

A autora, visivelmente entusiasta das novas tecnologias, aborda a importância de estudar novos mecanismos da narrativa no ambiente digital, para que os autores do século XXI —autores, aqui, considero não apenas escritores, mas jornalistas, artistas plásticos, cineastas, músicos etc.— desenvolvam obras mais adequadas ao meio.

Eis aqui um ensaio sobre “Hamlet no Holodeck” que entreguei como avaliação da disciplina “Linguagens e Tecnologias“, que concluo este semestre na ECA/USP. Aproveito para agradecer ao Flavio Miyamaru, que fez o seminário comigo, e também à professora Maria Cristina Costa, que estruturou super bem a disciplina com um cenário amplo da história da mídia.

De volta ao Hamlet, diria que Murray só falhou em uma coisa —segundo ela, a consciência sobre o uso de um meio é o que torna o ser humano capaz de sair da alucinação que ele causa. Ela critica autores mais apocalípticos, como Ray Bradbury ou Aldous Huxley, por acreditarem que meios mais tecnológicos e realistas seriam mais perigosos que o livro. Porém, o livro ainda continua cercado de realidade —e fechá-lo é algo muito mais simples do que sair de um ambiente tão imersivo quanto um holodeck.

Enfim, polêmica que só mesmo a história irá resolver. Só sei de uma coisa: quero estar lá par ver! =)


Narrativa digital e Mário Bros. no teatro

27/10/2008

Prestes a começar a escrever um ensaio sobre narrativas digitais baseado no livro “Hamlet no Holodeck”, de Janeyt Murray, eis que me deparo com uma pérola no Youtube —uma representação teatral de Mario Bros., o clássico jogo de Nintendo que marcou a infância de muita gente entre os anos 1980 e início dos 1990. Pra provar que o analógico influencia o digital, mas a recíproca é cada vez mas verdadeira:


Proteja a imagem de sua empresa na Web

22/10/2008

Cuidado executivo. Você fica aí, só de terninho, pensando em ROI e parcerias, perdido no meio das planilhas. Enquanto isso, há pessoas fazendo na Internet o que já faziam no mundo real —falando mal de você, da sua empresa, fazendo a sua Bolsa cair.

Só que agora fizeram uma revolução para eles —antes eles podiam, pela vontade própria, correr atrás de seus direitos. Agora eles têm blogs e publicam o que antes contavam para o vizinho (aquele, com quem não conversam mais). O boca-a-boca virou teclado-a-teclado. Com uma vantagem: os preguiçosos meios de comunicação podem economizar sola de sapato e ligações telefônicas —todos temem o Google, mas se aproveitam dele como urubus.

E neste cenário, é bom saber preservar a própria carniça:

P.S.1: sim, já trabalhei com relações públicas, assessoria de imprensa, consultoria de imagem. E o que tem de picareta nesse mercado, tirando dinheiro dos tiozões engravatados que descobriram uma coisa chamada “blog” há seis meses (hey! agora até planta tem blog) e estão “perdidos” nessa tal de Internet…

P.S.2: lembra do seu sobrinho nerd? Pois é… ele não produziu este vídeo, mas você ainda pode chamá-lo para resolver seu problema!


Eu poderia estar roubando, mas sou consultor de Web 2.0

9/10/2008

É incrível como existe um enxame de urubus que circundam as novas criações midiáticas em busca de sobras e restos que possam oferecer à Economia 1.0, absolutamente atrasada e letárgica em relação à Internet. Claro, existe aí um vasto mercado para os urubus, que aprendem meia dúzia de palavras-chave imponentes para falar em reuniões de briefing (por acaso, tinham que inventar o Business Bingo da Web 2.0) e saem arrancando seus salários de tiozões engravatados que ainda nem sabem o que é “blog”.

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