Internet fora da corrida eleitoral?

2/04/2008

O Brasil é um país de grandes legisladores. Depois de bloquearem o YouTube por causa da Daniella Cicarelli, agora os gloriosos membros de nosso Judiciário entenderam que, devido ao próprio atraso em legislar sobre o uso da Web, ferramentas como blogs, YouTube, e-mail e comunidades virtuais como o Second Life não podem ser utilizadas para fazer propaganda política.Se o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovar o parecer técnico, a Web estaria fora da corrida eleitoral —ainda mais a considerar a rapidez com que as leis são produzidas no Brasil.

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Twitter + Google Maps = colaboração hiperlocal

5/02/2008

Google Maps e Twitter uniram forças na Super Terça (espécie de rally das prévias das eleições norte-americanas) e lançaram um serviço muito bacana —um mash-up dos dois serviços faz com que os posts dos twitteiros apareçam em tempo real no mapa.

Twitter + Google Maps

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E no final, a publicidade paga a conta

14/05/2007

No final da semana passada chegou aqui no Ocidente a notícia de que haverá máquinas de venda de refrigerantes e doces no Japão que “darão” víveres gratuitamente a seus clientes contanto que eles vejam anúncios publicitários (leia mais).

Acabei de voltar de um café em que discutíamos, eu e dois colegas, modelos de TV pública na Europa. Na Alemanha e no Reino Unido há, por exemplo, impostos (sim, pasme) que a população banca para manter a TV aberta —neste último país, estamos falando de BBC e Channel 4.

Meu amigo brasileiro, que reside atualmente em Berlim, sonega —declara ao governo que possui apenas rádio em casa, e paga cerca de 19 euros a cada bimestre por isso. Disse que já recebeu a visita de um inspetor, que não chegou a entrar em sua casa, mas perguntou a ele se ele não possuía um aparelho de TV. Rolam, inclusive, lendas urbanas —o governo teria radares que detectariam a presença de televisores. Com medo, talvez, as pessoas pagam.

Tudo bobagem (a história do radar). Mas o fato é que paga-se para ter acesso a uma programação de qualidade. Enquanto isso, canais como a BBC exigem que até seus parceiros (como portais brasileiros) excluam vinhetas de publicidade de canais em que seus vídeos sejam exibidos.

Eis uma discussão super legal… a gente quer refrigerante, Web e TV de graça. Mas o ditado está certo: não há almoço de graça. Alguém sempre paga a conta. Nas máquinas de venda do Japão e na Internet brasileira, quem paga é a publicidade. E apesar de todos os discursos pró-isenção do jornalismo que hoje existem, pequenos produtores só vingam fazendo algo com um grande patrocinador por trás.

Aí o conteúdo é gratuito para o usuário, claro. Mas o quanto ele está perdendo, de verdade, em acesso a conhecimento, quando o conteúdo a que é exposto é produzido seguindo determinados interesses? Quem é mais fácil pressionar —uma rede de TV que sustento com “impostos” todo ano, ou o veículo que tem o rabo preso com o assinante?


O pai do Supla

27/04/2007

Ontem foi no Congresso. Em março tinha sido no Programa do Jô…
“Pá pá pá”!!! hehehehehe


Brasil, muito além das margens do Ipiranga

20/04/2007

Paulo Henrique Amorim publica em seu blog entrevista com Luis Nassif sobre bastidores do Plano Real que levaram ao enriquecimento de alguns de seus mentores ligados ao PSDB.

Lembrei de uma crítica que, nesta semana, teci ao jornalismo esportivo durante a aula. Falava sobre a falta de investigação nesta área da imprensa, que simplesmente se limita a repercutir resultados de jogos e exibi-los na televisão. Na Internet a coisa piora —os portais se limitam a assistir os jogos na TV e transcrevê-los no site… grande jornalismo!

O fato é que toda essa falta de profundidade do jornalismo esportivo tem muito a ver com a superficialidade com que os brasileiros tomamos decisões políticas. Escolhemos candidatos como quem torce para um time. Não há ponderação, não há informação, não há crítica. Há meia dúzia de idéias pré-concebidas, geralmente ligadas à sua criação e classe social, que você normalmente põe em prática na hora de digitar os numerozinhos na urna eletrônica ou desenvolver sua ideologia na conversa de bar.

A entrevista de Paulo Henrique e o livro de Luis Nassif vão além disso tudo. Mostram que os brasileiros (assim como talvez outros povos, mas não quero comparar agora) somos muito pueris, não temos absolutamente idéia do que se passa sobre nossas cabeças, estamos muito distantes das instâncias decisórias. E não mudou nada da Independência para cá —naquela época, houve quem demorasse dois anos para saber que o Brasil não estava mais sob o julgo de Portugal (para você ver, caro leitor, a diferença que fazia estar nas mãos de uns ou de outros).

Lula ou FHC, PT ou PSDB estão muito aquém de meras convenções trabalhistas ou neo-liberais. É simplista demais acusar o sindicalista ou o doutor. Sorbonne ou São Bernardo nada mais dizem a qualquer um. E Platão continua certo, quando na República diz que apenas alguns “escolhidos” (aqueles que não foram jogados no abismo por serem filhos de reles homens livres) podem governar a pólis.

O fato é que, dentro da estrutura hermética do poder democrático como está hoje instituído, enquanto determinada casta faz dinheiro acima da ética e de qualquer tipo de convenção moral ou social, a gente aqui embaixo trabalha e assiste a comerciais de TV, séries norte-americanas e músicas eletrônicas. Ainda que busquemos algum tipo de revolução ou revolta, não adianta. Não há saída.

— Não há nada de libertador no rock n’ roll, diz Muniz Sodré em seu “Antropológica do Espelho”. Há tão-somente coerência liberal (e a auto-piedade das músicas do Evanescence, que faz show esta semana em São Paulo, que o diga).

Bom, de volta ao trabalho… e tenha um bom dia.


Folha faz doação a candidato do PSDB

23/01/2007

No hall “conheça a nossa cozinha”, ou melhor “a cozinha deles”, Mino Carta, editor da Carta Capital, revela hoje em seu blog um dado perdido entre as listas de doação de campanha do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha de S.Paulo, fez uma doação de R$ 42 mil ao candidato a deputado Paulo Renato (PSDB-SP) em data posterior à realização do primeiro turno. Mino levanta questões bem pertinentes em seu blog, e aqui faço ecoar trechos do “Manual de Redação”, a bíblia da meca otaviana:

“Em documentos anteriores a este, a Folha cristalizou uma concepção de jornalismo definido como crítico, pluralista e apartidário. Tais valores adquiriram a característica doutrinária que está impregnada na personalidade do jornal (…) O pluralismo, apequenado muitas vezes na auscultação meramente formal do ‘outro lado’ da notícia, deveria renovar-se na busca de uma compreensão mais autêntica das várias facetas implicadas no episódio jornalístico. Mesmo a atitude apartidária, que veda alinhamentos automáticos e obriga a um tratamento distanciado em relação às correntes de interesse que atuam sobre os fatos, não pode servir de álibi para uma neutralidade acomodada, quando não satisfeita em hostilizar por hostilizar.”

Pois é…


Bancos patrocinadores e jornalismo distorcido

29/11/2006

Diz o Manoel da Folha que o jornal deve ser pluralista, apartidário etc. Interessante ver como o diário paulista coloca isso em prática em sua manchete de hoje —Bancos doaram R$ 10,5 milhões à campanha de Lula.

Stop. Como isso soa? Denúncia, certo? Leva o leitor a pensar: “Nossa, descobriram mais uma coisa podre na campanha do Lula… que canalha!” E como o brasileiro médio —sim, o Homer do Bonner— não tem o hábito da leitura, sai dessa leitura rápida acreditando na Veja, no Papai Noel e na indústria de consumo norte-americana.

Impressionante chegar ao segundo parágrafo da notícia e descobrir que o candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, recebeu exatamente a mesma quantia dos bancos. O que há de errado então que Lula tenha recebido R$ 10,5 milhões? Por que o título da reportagem não incluiu os dois? Não seria mais correto, do ponto de vista jornalístico?


Eleitor com até R$ 700 dá vantagem a Lula

9/10/2006

A Folha de ontem revelou, segundo pesquisa Datafolha, que a massa dos que ganham até R$ 700 dá vantagem a Lula. Mas não são só eles — também votam mais no petista os negros, os pardos, e os menos escolarizados.

Segundo Graciliano Toni, ombudsman do UOL, não dá para tirar conclusões precipitadas e dizer que o país está dividido. Mas se dados como esses não provam isso, penso o que é capaz de provar.

Essa estatística não mostraria algo semelhante ao esvaziamento dos ônibus, nas periferias, pelos membros do PCC que a eles ateavam fogo (os mesmos criminosos que atacavam bancos em bairros nobres de São Paulo)?

Em tempo: o autor anulou o voto no primeiro turno, e pretende repetir sua opção no segundo. Entre os carros blindados e a bolsa-esmola, qual é nossa verdadeira opção?


Mais uma vez, faltou ao PT ser PT

12/09/2006

O erro de Lula foi não ter “devassado” a era FHC em seu governo, acredita a filósofa Marilena Chauí, segundo o blog de Josias de Souza na Folha Online. Afinal, a tão pouco criativa imprensa brasileira certamente teria absorvido balões de ensaio como manchetes e grandes reportagens especiais, que certamente dividiriam espaço com todas as denúncias contra o governo PT que estamparam os jornais nestes últimos quatro anos.

No mínimo curioso. Mais uma vez, faltou ao PT ser PT.


18% devem anular voto para deputado

27/08/2006

Praticamente um a cada cinco brasileiro anulará o voto para deputado federal nas eleições de outubro. É o que revela pesquisa Datafolha publicada neste fim de semana.

Apesar de a Lei Eleitoral com astúcia evite o cancelamento de eleições pelo voto nulo, certamente é um belo recado para a classe política do país. E uma forma democrática de demonstrar repulsa à prática política atual —afinal, por quê escolher o “menos pior”?