Esta é uma webcurta só para registrar um link que correu aqui a redação e que ilustra de forma bastante feliz a diferença entre o antigo modo de se fazer jornalismo, mesmo online, e a nova forma de construir conteúdo —que em muitos casos independe do jornalismo institucional, o que pode afetar sua credibilidade, mas por outro lado gera informação útil e muito mais agradável aos olhos e às novas gerações.
Prestes a começar a escrever um ensaio sobre narrativas digitais baseado no livro “Hamlet no Holodeck”, de Janeyt Murray, eis que me deparo com uma pérola no Youtube —uma representação teatral de Mario Bros., o clássico jogo de Nintendo que marcou a infância de muita gente entre os anos 1980 e início dos 1990. Pra provar que o analógico influencia o digital, mas a recíproca é cada vez mas verdadeira:
O eclipse passou, e com ele a ação de Marketing —ah, esse povo da mercadologia! Mas parece que o Sol brilhou forte, e já começa a mostrar algumas coisas obscuras… como, por exemplo, o uso da língua na home do Yahoo! nesta ensolarada manhã de domingo, primeiro dia após o lançamento da nova página. Observe o uso do português (literalmente):
Hey Jerry! Aqui no Brasil a gente não fala “ficheiro”… a gente fala arquivo! Tudo bem, valeu a intenção e você até falou bonitinho o slogan que os mercadológicos inventaram. Legal, o pessoal da “panelosfera” achou um blog em português de Portugal que pode entrar para o clube, tem conteúdo relevante etc. Super legal, vamos integrar culturas, bla bla bla. Mas respeite-se o usuário brasileiro, ao menos, não? Se no interior do texto está “ficheiro”, o que impede de grafar-se em português do Brasil na chamada?
Pois é. Quando a festa acaba, o volume da música diminui, as luzes se acendem e a embriaguez passa. Pena que, nessa hora, o pessoal do Marketing já foi embora.
O assunto certamente não é velho —o spam é uma maldição que há anos assola a Web. Super tiro no escuro; é o resquício da era do panfletinho entregue no correio de casa, sem direcionamento algum, marketing da burrice, em uma era de personalização e capacidade de entregar às pessoas o que elas realmente querem (e podem).
E agora, com o boom do Twitter como plataforma de rede social e microblogging, como o spam poderia ficar de fora! Ha —ele chegou. Um deles, em minha caixa postal, tentava-me ao dizer que a helen232 estava me seguindo no Twitter. “U-hu”, você pode pensar. “Será que é gatinha?” Então clica e cai num site norte-americano que tenta vender para você a conversão de seu carro a água. Ha!
De um lado, a estupidez sem foco. De outro, a possibilidade de segmentação extrema, que chega até a perda da privacidade. Pelo menos no Twitter é possível ignorar convites de quem você não conhece. Mesmo assim, é um alerta chato, que me tirou a concentração —mas pelo menos rendeu um post no blog. E o limão vira limonada.
A TV Cultura está, em parte, de parabéns: os vídeos de algumas matérias do programa Entrelinhas podem ser vistos na web, acabei de ver a parte 2 (hum…não achei a parte 1, que deveria vir antes, certo? Não está no arquivo de vídeos) da reportagem sobre os 25 anos do suicídio da poeta Ana Cristina Cesar (recomendo o livro “A teus pés”, único editado em vida). Pois tudo muito bem, tudo muito bom, mas cadê o player do vídeo? E se eu quiser carregá-lo inteiro (como quase TODOS os usuários de web fazem) antes de ver um vídeo entrecortado, no qual as pessoas ficam com caras estranhas quando a imagem é subitamente congelada? Eles levam “on demand” muito a sério. Tão “on demand” que a gente nem consegue controlar…será que usabilidade ainda é algo tão, mas tão difícil assim?
Estou aqui procurando entender, literalmente, do inglês, as tais “hashtags” do Twitter. Cheguei à conclusão de que a melhor tradução seriam “tags de conversação”, “etiquetas de discussão”. Será?
E outro lançamento que está causando, principalmente pela “ferramenta” de LEAD (atenção jornalistas de plantão, é o jargão literamente na boca do povo!): o colaborativo baiano Boca do Povo. Vi primeiro no Gjol, e Ana Brambilla faz hoje considerações sobre a ferramenta.
Herdeiro do Caos também contemporiza, em texto mais longo e comparativo.
Este Clico, logo existo já não é produzido por um único clique —nem por um único raciocínio. Estréia hoje aqui no blog a Dani Osvald Ramos, colega de ECA (Escola de Comunicações e Artes) e ex-colega de Mackenzie, nas aulas de Jornalismo Online.
Ela escreverá direto da Espanha, onde está cursando o doutourado, e vai enriquecer estas páginas com seu conhecimento em multimídia, webwriting, linguagem digital e, claro, colaboração.
Pare que Tim O’Reilly andou tendo problemas com o Twitter. E foi divertido, relata o Webmanário —o cara pediu perguntas via microblog durante a Web 2.0 Expo, mas não checou o aparelho… tudo bem, a gente te desculpa, Tim. Esse negócio de celular é muito novo mesmo, as teclas são pequenas, a gente se confunde. Talvez seja porque ainda não inventaram o celular 2.0… hehehehe
E para homenagear o blog Fail, que descobri recentemente no 8 bits e meio, decidi dar uma de “remix guy”:
Finalmente alguém que está bem perto do olho do furacão admite, baseado na apresentação do Tim O’Reilly no Web 2.0 Expo, o que parecia óbvio desde que os marketeiros tornaram o termo Web 2.0 hype… ele simplesmente não existe. Assim como Web 3.0 e todos os outros versionamentos ou rótulos criados para admitir que a Web evolui —e só agora começa a fazer o que seu criador, Tim Berners-Lee, pensou para ela.
O que será dos portfolios das agências pega-tiozão-de-gravata? O que será dos marketeiros que gostam de rótulos! Oh, mundo cruel! =)
Francisco Madureira é jornalista, professor de comunicação, palpiteiro, internauta há mais de década e entusiasta e mestrando sobre colaboração online, seus ancestrais e desdobramentos —tecnologia da informação, inteligência artificial, jornalismo colaborativo, jornalismo cidadão, Web semântica...