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	<title>Clico, logo existo</title>
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		<title>Fronteiras da comunicação e da tecnologia: os novos rumos do Jornalismo</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 02:23:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aproveito para divulgar por aqui a apresentação que fiz no Digicorp (Curso de Gestão Integrada da Comunicação Digital nas Empresas &#8211; ECA/USP) em 5/12/2011. Fronteiras da Comunicação e da Tecnologia: Novos Rumos do Jornalismo View more presentations from Francisco Madureira<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=587&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveito para divulgar por aqui a apresentação que fiz no Digicorp (Curso de Gestão Integrada da Comunicação Digital nas Empresas &#8211; ECA/USP) em 5/12/2011.</p>
<div style="width:425px;" id="__ss_10475300"> <strong><a href="http://www.slideshare.net/francisco.madureira/fronteiras-da-comunicao-e-da-tecnologia-novos-rumos-do-jornalismo" title="Fronteiras da Comunicação e da Tecnologia: Novos Rumos do Jornalismo" target="_blank">Fronteiras da Comunicação e da Tecnologia: Novos Rumos do Jornalismo</a></strong> <iframe src='http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/10475300' width='425' height='348' scrolling='no'></iframe>
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</p></div>
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		<title>Hiperlocalismo e critérios de noticiabilidade no jornalismo colaborativo brasileiro</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 18:34:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um dos objetivos de nosso estudo sobre jornalismo colaborativo foi compreender se as iniciativas dos grandes portais brasileiros —que apresentam significativa audiência e atratividade diante do público— conseguiram abarcar a colaboração com profundidade e abrangência semelhantes às obtidas em experiências internacionais como as estudadas por Brambilla (2005) e Bruns (2005). Para tanto, estruturamos um estudo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=573&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos objetivos de <a href="http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27154/tde-08112010-115607/pt-br.php">nosso estudo sobre jornalismo colaborativo</a> foi compreender se as iniciativas dos grandes portais brasileiros —que apresentam significativa audiência e atratividade diante do público— conseguiram abarcar a colaboração com profundidade e abrangência semelhantes às obtidas em experiências internacionais como as estudadas por Brambilla (2005) e Bruns (2005).</p>
<p>Para tanto, estruturamos um estudo exploratório de campo com notícias dos sites participativos de Globo.com e Terra. A primeira etapa da análise de conteúdo empreendida pela pesquisa foi classificar as notícias de acordo com área editorial a que se filiavam. Das 165 notícias analisadas, 105 abordavam temas ligados à editoria de Cidades, em que incluímos assuntos ligados ao cotidiano, como trânsito ou registros das condições do clima. Os assuntos que mais se destacaram neste grupo foram acidentes de trânsito próximos ao local de residência dos colaboradores e estragos relacionados à temporada de chuvas do final do verão brasileiro.</p>
<p><span id="more-573"></span></p>
<p align="center"><strong>GRÁFICO 1</strong></p>
<p align="center">Notícias por Área Editorial</p>
<p align="center"><a href="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/grafico1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-574" title="Notícias por Área Editorial" src="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/grafico1.jpg?w=540&#038;h=323" alt="Notícias por Área Editorial" width="540" height="323" /></a></p>
<p>Em segundo lugar aparecem 41 matérias com temas ligados à Cultura e Entretenimento, com a maior incidência de registros de shows. Em terceiro lugar aparecem matérias de Esportes, com registros de competições locais ou a visita de grandes times nacionais a cidades do interior, como o caso do jogo do Corinthians em Marília<a href="#1">[1]</a>, no contexto da expectativa pela estreia do jogador-celebridade Ronaldo. Por fim, a categoria Outros reúne matérias de serviços ou material considerado pela pesquisa como reprodução de material de divulgação ou <em>press releases</em>. Por fim, temas internacionais, ligados à educação, à política e à tecnologia somam juntos apenas dez matérias, menos de 10% da amostra.</p>
<p>A jornalista Erin Mizuta, editora do VC Repórter, do Terra, confirma em entrevista ao autor que a editoria de Cidades é a mais utilizada, seguida pela de trânsito —cujo material contabilizamos também na área de Cidades/Cotidiano. Segundo Mizuta:</p>
<blockquote><p>&#8220;A maioria são notícias do cotidiano, fatos que afetam diretamente o leitor. São fatos fáceis de serem distinguidos como notícia: acidentes de trânsito, buracos e problemas em ruas ou estradas, alagamentos e árvores caídas são bem freqüentes. Fatos relacionados a chuvas e demais fenômenos climáticos são sempre assunto. Manifestações também contam sempre com registros de colaboradores.&#8221;<a href="#2">[2]</a></p></blockquote>
<p>A predominância de material ligado à vida cotidiana também ocorre no VC no G1, porém, não pudemos contar com depoimentos de jornalistas da Globo.com sobre o site, conforme detalhado no capítulo anterior.</p>
<p>Definidos os temas de maior interesse —atributo de definição do jornalismo, segundo Chaparro (1993, p. 120)— procuramos identificar que critérios de noticiabilidade foram utilizados com maior freqüência pelos cidadãos-repórteres ao enviar material aos editores dos sites colaborativos dos portais Terra e Globo.com. Em primeiro lugar, com 146 matérias, apareceu o critério da atualidade, seguido de perto pela proximidade, com 130 notícias. Nitidamente, os cidadãos-repórteres registravam acontecimentos que de alguma forma flagravam em seu dia-a-dia, fossem acidentes, shows, flagrantes de variações climáticas e suas conseqüências etc.</p>
<p align="center"><strong>GRÁFICO 2</strong></p>
<p align="center">Notícias por Critério de Noticiabilidade</p>
<p align="center"> <a href="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/grafico2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-575" title="Notícias por Critério de Noticiabilidade" src="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/grafico2.jpg?w=540&#038;h=323" alt="Notícias por Critério de Noticiabilidade" width="540" height="323" /></a></p>
<p>Em seguida temos 73 matérias que utilizam as conseqüências do fato como valor-notícia. A maioria era relacionada a acidentes ou a denúncias sobre má conservação de vias ou outras instalações públicas. Curiosidade é o próximo critério utilizado com mais frequência, com um total de 48 matérias —aqui a variedade dos temas vai de “Cores no céu intrigam moradores de SP e do RS”<a href="#3">[3]</a>, publicada pelo VC Repórter, do Terra, a “Eu tenho um carro nas cores prata e rosa”<a href="#4">[4]</a>, registrada no VC no G1, da Globo.com.</p>
<p>Dentro deste critério surgiram materiais bastante peculiares, como “Temos xodó pelo nosso carro Zé do Caixão”<a href="#5">[5]</a>, publicada pelo VC no G1 —simples relato pessoal e extremamente breve, poderia ser considerado “notícia”?</p>
<div id="attachment_576" class="wp-caption aligncenter" style="width: 550px"><a href="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/imagem1.jpg"><img class="size-full wp-image-576" title="Notícia &quot;Temos xodó pelo nosso carro Zé do Caixão&quot;, publicada pelo VC no G1, da Globo.com" src="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/imagem1.jpg?w=540&#038;h=407" alt="Notícia &quot;Temos xodó pelo nosso carro Zé do Caixão&quot;, publicada pelo VC no G1, da Globo.com" width="540" height="407" /></a><p class="wp-caption-text">Notícia &quot;Temos xodó pelo nosso carro Zé do Caixão&quot;, publicada pelo VC no G1, da Globo.com</p></div>
<p>Nem mesmo as histórias do automóvel, que eventualmente poderiam gerar um texto literário, porém de certo interesse jornalístico aos aficionados por carros antigos, são compartilhadas pelos autores. Ilustrado por duas fotos do VW 1600 do “cidadão-repórter”, o item foi classificado apenas com o critério de Curiosidade, enquanto outros, tidos efetivamente como notícia, normalmente reuniam mais de um critério ao lado daquele. O que nos leva a questionar: pode um material desta natureza ser considerado como jornalismo colaborativo? Mizuta, do VC Repórter, acredita que em alguns casos o relato pessoal pode sim ser valioso para o noticiário:</p>
<blockquote><p>&#8220;Depende do tipo de texto. Artigos ainda não possuem espaço no VC Repórter, mas há a possibilidade de que essa divisão venha a existir. O leitor ainda confunde um texto opinativo com notícia, principalmente em casos políticos. Relatos de uma viagem, por exemplo, são publicados e com grande proveito.&#8221;</p></blockquote>
<p>Ela diz que o leitor &#8220;ajuda na composição do noticiário do portal, podendo ser essa colaboração parcial, com apenas uma foto, ou integral, com uma notícia completa&#8221;. Assim prega o manual de redação do portal, segundo Mizuta: “Se o leitor achou que o material enviado é uma notícia, é o nosso papel entender o motivo e, de preferência, garantir espaço para aquele conteúdo”. O que, na visão do professor Ronaldo Lemos, doutor em Direito Civil, ativista de Internet e fundador do site colaborativo Overmundo, mostra a diversidade de vozes da rede mundial de computadores:</p>
<blockquote><p>&#8220;Há relatos pessoais, totalmente individualizados, verdadeiros tesmunhos no Overmundo. E há jornalistas mesmo, graduados ou graduandos, que usam o site para fazer jornalismo propriamente dito. O que acho mais interessante é que isso é produto das diferentes motivações que levam as pessoas a participarem do site. Alguns querem dar visibilidade a uma atividade local, outros querem mesmo criar um relato objetivo, outros querem polemizar e assim por diante. No fundo, o resultado é uma combinação muito rica, que mostra que há muitas mídias e muitas mensagens diferentes dentro da Internet.&#8221;<a href="#6">[6]</a></p></blockquote>
<p>Por fim, o levantamento registrou os critérios dramaticidade (44 matérias), conflito (33), notoriedade (18), surpresa (18) e conhecimentos (5). O baixo volume de notícias com este último critério também nos leva a inferir que, diferentemente da experiência do site OhMyNews, há poucos especialistas em suas áreas de atuação que dispõem-se a participar do cenário colaborativo no jornalismo dos grandes portais brasileiros. Ao contrário do que acontece com o OhMyNews, que “encoraja [seus] cidadãos-repórteres a escrever matérias de acordo com seus trabalhos, atitudes, interesses ou áreas de especialização”.<a href="#7">[7]</a></p>
<p style="text-align:center;"><strong>HIPERLOCALISMO</strong></p>
<p>Em paralelo ao grande volume de matérias com o critério da proximidade, foi possível registrar também um grande volume de publicações com tendência ao hiperlocalismo. <strong>A maioria das notícias avaliadas (90%) aborda fatos ocorridos no entorno físico dos cidadãos-repórteres.</strong> Optamos, portanto, em apresentar e incluir tais resultados em nossos parâmetros de pesquisa.</p>
<p>Para embasar o conceito de hiperlocalismo utilizamos as idéias de Mark Glaser (2007), que descreve o fenômeno nos Estados Unidos:</p>
<blockquote><p>“Notícias hiperlocais são informações relevantes para pequenas comunidades ou vizinhanças que foram negligenciados pela mídia tradicional. Graças ao baixo custo de ferramentas de publicação e comunicação online, sites independentes de notícias hiperlocais começaram a surgir para servir a estas comunidades, enquanto a mídia tradicional procura iniciativas próprias para cobrir o que têm perdido. Em alguns casos, sites hiperlocais deixam qualquer pessoa enviar matérias, fotos ou vídeos da comunidade, com variados graus de moderação e filtros.”</p></blockquote>
<p>A definição de Glaser vai ao encontro do conceito de hiperlocalismo de Shaw (2007), para quem esse tipo de iniciativa tem se mostrado uma forma de engajar leitores que têm fugido da mídia tradicional:</p>
<blockquote><p>“Não há definição oficial, mas geralmente um site de notícias hiperlocais (também conhecidos por microsites) é devotado às histórias e minúcias de uma vizinhança particular, CEP ou grupo de interesses em uma certa área geográfica. Tais sites têm florescido na Internet há algum tempo, inicialmente como <em>startups</em> independentes, criadas e mantidas pela dedicação dos fundadores, que trabalham com orçamento bastante restrito. Outros sites fazem dinheiro (apesar de geralmente não muito) ao oferecerem espaço publicitário barato para negócios locais —o restaurante regional, lavanderias ou lojas de artesanato que geralmente não conseguem pagar anúncios em publicações que abrangem toda a cidade. Alguns sites hiperlocais têm conteúdo produzido ao menos em parte por jornalistas profissionais e pagos. Muitos outros não têm.”</p></blockquote>
<p>Mizuta, do VC Repórter, acredita que esta é &#8220;a origem e o sentido do jornalismo colaborativo&#8221;. Segundo ela, o noticiário participativo tende a ser regionalista em uma primeira fase, e o internauta, na grande maioria das vezes, fala sobre o que acontece à sua volta, sobre o que lhe afeta diretamente e o seu entorno:</p>
<blockquote><p>&#8220;Ele pode falar da árvore que caiu na frente da casa dele, do buraco na rua do bairro, do problema de água na cidade. Em raros casos ele vai flagrar um acidente que acontece longe do seu trajeto cotidiano. Em uma segunda instância, que já conseguimos atingir aqui no VC Repórter, ele vai falar sobre um destino turístico que visitou, sobre o anúncio de uma banda, ou a morte de um esportista. Mas tudo ligado ao círculo de interesse dele.&#8221;</p></blockquote>
<p>Interessante notar a tendência hiperlocal do jornalismo colaborativo dos portais para contrastá-la ao comportamento comum da grande mídia brasileira, inclusive na Internet. Como veremos nos desafios e caminhos do cenário brasileiro traçados no capítulo 5, esta tendência vai de encontro à freqüência com que material produzido por agências internacionais de notícias é reproduzida e utilizada no noticiário tradicional, o que acaba por minimizar o contato do brasileiro com sua própria realidade. Tendência que o jornalismo colaborativo poderia reverter nos grandes portais —e que já ensaia fazer, especialmente em casos de grandes tragédias, como descreve Rodrigo Flores, do UOL:</p>
<blockquote><p>&#8220;No mínimo, o conteúdo do público complementa o nosso trabalho. Em alguns casos, ele é o nosso trabalho, é fundamental. Porque às vezes é o único recurso. Um exemplo foi o desabamento da ponte em Agudos (RS). Não temos repórter lá. A única forma de conseguir rapidamente registros do local seria acionar o público. Outro exemplo? São Luiz do Paraitinga. A cidade foi devastada. Fizemos um &#8220;antes-e-depois&#8221; [álbum com fotos dos locais antes e depois da enchente que ocorreu em 2009], pedimos ajuda aos internautas. As pessoas publicam fotos no UOL Mais, fazemos um filtro do que chega, e as imagens mais legais publicamos no template de notícias, identificadas com uma marca d&#8217;água. Muitas vezes a gente mistura conteúdo do público e conteúdo do UOL.&#8221; <a href="#8">[8]</a></p></blockquote>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a name="1"></a>[1] &#8220;Torcida lota estádio de Marília para ver Ronaldo&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1024177-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1024177-8491,00.html</a>&gt; Acesso em: 10 mar. 2009.</p>
<p><a name="2"></a>[2] Em entrevista ao autor.</p>
<p><a name="3"></a>[3] “Cores no céu intrigam moradores de SP e do RS”. Disponível em: &lt;<a href="http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3608952-EI238,00.html">http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3608952-EI238,00.html</a>&gt;. Acesso em: 10 mar. 2009</p>
<p><a name="4"></a>[4] “Eu tenho um carro nas cores prata e rosa”. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1039574-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1039574-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 10 mar. 2009.</p>
<p><a name="5"></a>[5] “Temos xodó pelo nosso carro Zé do Caixão”. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1031868-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1031868-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 10 mar. 2009.</p>
<p><a name="6"></a>[6] Em entrevista ao autor.</p>
<p><a name="7"></a>[7] “OhMyNews FAQ: Can I make a press release an article?”. Disponível em: &lt;<a href="http://english.ohmynews.com/reporter_room/%0bqa_board/qaboard_list.asp?div_code=56">http://english.ohmynews.com/reporter_room/<br />
qa_board/qaboard_list.asp?div_code=56</a>&gt;. Acesso em: 12 ago. 2009.</p>
<p><a name="8"></a>[8] Em entrevista ao autor.</p>
</div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/clicologoexisto.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/clicologoexisto.wordpress.com/573/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=573&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Equilíbrio entre moderação e livre publicação no jornalismo colaborativo</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 17:24:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
				<category><![CDATA[colaborAção]]></category>
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		<description><![CDATA[O chamado &#8220;conteúdo do público&#8221;, ou o jornalismo colaborativo praticado nos grandes portais brasileiros obedece ao critério de apuração e checagem dos fatos, tão caro ao jornalismo? O público brasileiro já consegue exercer um &#8220;papel ativo&#8221; no processo de coleta e processamento de informações, como pregam Bowman e Willis (2003, p. 9)? Para tentar responder [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=569&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O chamado &#8220;conteúdo do público&#8221;, ou o jornalismo colaborativo praticado nos grandes portais brasileiros obedece ao critério de apuração e checagem dos fatos, tão caro ao jornalismo? O público brasileiro já consegue exercer um &#8220;papel ativo&#8221; no processo de coleta e processamento de informações, como pregam Bowman e Willis (2003, p. 9)?</p>
<p>Para tentar responder a estas questões, o estudo procurou diferenciar o material publicado nos veículos colaborativos brasileiros quanto ao grau de apuração que demonstravam. Das 165 matérias avaliadas, 43% (71) foram identificadas como mero flagrante da realidade. Aqui entendemos o flagrante como um simples registro de um acontecimento em foto ou vídeo, sem informações de contextualização ou checagem de dados com fontes oficiais e/ou testemunhas, o que ocorreu em mais da metade (57%) dos casos. Neste critério de avaliação emerge uma diferença significativa entre VC Repórter e VC no G1 quando observados individualmente. No serviço do portal Terra, apenas 35% (27) das notícias foram consideradas como flagrante da realidade, contra 75% (44) do material publicado pelo site de jornalismo participativo da Globo.com.</p>
<p><span id="more-569"></span></p>
<p>O número traz duas percepções —a primeira sobre o VC Repórter, em que fica nítido o trabalho da redação do portal Terra no enriquecimento das informações enviadas à redação, realidade confirmada posteriormente em entrevista com a editora do canal, que falou sobre a atuação dos usuários na maior parte dos casos:</p>
<blockquote><p>&#8220;Eles colhem informações no local por observação, com os envolvidos, com fontes oficiais. Alguns deles até mesmo nos sugerem telefones das fontes com quem a matéria pode ser checada. No entanto, não usamos apenas essas fontes. Todo o material é checado antes de ser publicado, invariavelmente. A apuração parte das informações do leitor. Portanto, ele funciona realmente como um pauteiro/repórter. As entrevistas são utilizadas apenas quando conseguimos checar a declaração obtida pelo leitor. (&#8230;) Todas as informações são checadas e novos dados são adicionados para compor a matéria. Na maioria dos casos, o texto é feito ou enriquecido pelos nossos redatores, pois raras vezes eles chegam de acordo com as normas editoriais do portal para publicação.&#8221;<a href="#1">[1]</a></p></blockquote>
<p>A segunda percepção é sobre o VC no G1, que poucas vezes enriquece a informação enviada pelos participantes e, ao valorizar o flagrante por si só, acaba por colaborar com um processo descrito por Ignácio Ramonet (1999, p. 34) como a transformação do jornalismo em <em>instantaneísmo</em>. Segundo o autor, o processo teve origem no início da década de 1990, com o auge da televisão por satélite, que transformou a mera transmissão de dados de um ponto a outro do globo em “reportagem”, gênero jornalístico diverso da reprodução de um fato, qualquer que seja o veículo de comunicação. Um exemplo de flagrante é a matéria “Tempestade com raios assusta Blumenau”<a href="#2">[2]</a>. Com apenas dois parágrafos, sem consulta a fontes e com fotos de relâmpagos, o material é intitulado de “reportagem” pelo site:</p>
<div id="attachment_570" class="wp-caption aligncenter" style="width: 550px"><a href="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/tempestade.jpg"><img class="size-full wp-image-570" title="Tempestade em Blumenal" src="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/tempestade.jpg?w=540&#038;h=339" alt="Tempestade em Blumenal" width="540" height="339" /></a><p class="wp-caption-text">Notícia &quot;Tempestade com raios assusta Blumenau&quot;, publicada pelo VC no G1, da Globo.com</p></div>
<p align="center">
<p>O mero flagrante também leva a casos como o de &#8220;Homens pegam &#8216;carona&#8217; em traseira de caminhão na Zona Sul de SP&#8221;<a href="#3">[3]</a>, publicada pelo VC no G1. &#8220;Vale lembrar que atitudes como essa podem causar graves acidentes, especialmente em casos de freada brusca&#8221;, diz o texto, sem creditar a informação a nenhuma fonte especializada. Ao admitir a publicação de generalidades, o site da Globo.com expõe seu serviço colaborativo à falta de critérios jornalísticos e, em conseqüência, põe em xeque sua própria credibilidade.</p>
<p>O uso freqüente de material flagrante da realidade nos serviços colaborativos dos grandes portais tem relação direta com o baixo número de fontes citadas nos textos. Em 50% (83) das matérias analisadas, não há citação de nenhuma fonte. Em outros 33% (55) dos casos, apenas uma fonte de informação é mencionada —em alguns casos, a fonte é o próprio cidadão-repórter, o que vai de encontro à consulta de fontes como forma de atribuir credibilidade ao trabalho jornalístico. Em 14% (23) das matérias são citadas duas fontes, e em apenas duas matérias, ou 1% dos casos, são citadas três ou mais fontes. Quando analisados individualmente, os sites de jornalismo participativo do Terra e da Globo.com também demonstram diferentes abordagens.</p>
<p align="center">GRÁFICO 5</p>
<p align="center">Numero de fontes por matéria em cada veículo</p>
<p align="center"><a href="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/grafico5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-571" title="Numero de fontes por matéria em cada veículo" src="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/05/grafico5.jpg?w=540&#038;h=371" alt="Numero de fontes por matéria em cada veículo" width="540" height="371" /></a></p>
<p>O serviço colaborativo do Terra demonstra combinar de forma mais fluente o trabalho do cidadão-repórter ao do jornalista. Além do número de fontes utilizadas, esta característica do VC Repórter pôde ser deduzida principalmente a partir de matérias sobre um mesmo tema, publicadas pelo mesmo autor nos dois veículos analisados. No VC Repórter, os dados originais são checados e enriquecidos, com inclusão de fontes locais, contextualização e busca por novas fontes. Exemplo são as matérias &#8220;Problema técnico atrasa trens e lota estações em SP&#8221;<a href="#4">[4]</a>, do VC Repórter, e &#8220;Atrasos de trens lotam estação em São Paulo&#8221;<a href="#5">[5]</a>, do VC no G1, ambas publicadas no dia 13/03/2009. A primeira explica a causa do atraso, informa os horários de indisponibilidade e retorno e cita claramente a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) como fonte. A segunda, em tom de relato, é pura descrição da experiência do cidadão-repórter. Possui três fotos (duas a mais que a primeira), mas nem por isso consegue ilustrar melhor o problema que virou notícia. Mizuta, do Terra, explica as preocupações que levam o serviço colaborativo do Terra a buscar enriquecer o conteúdo que chega à redação: &#8220;Sempre digo à equipe que não há matéria de uma fonte. Como no caso em que o trem atrasou —como posso confiar na pessoa que liga para a redação e diz que o trem levou 4h para chegar? Ele pode estar querendo justificar um atraso no trabalho com uma notícia nossa.&#8221;</p>
<p>Outro caso registrado no período de avaliação foi o das matérias &#8220;Carro cai em cratera na Zona Leste de SP&#8221;<a href="#6">[6]</a>, publicada pelo VC no G1 no dia 09/03/2009, e &#8220;Carro cai em buraco recém-fechado em SP&#8221;<a href="#7">[7]</a>, que foi ao ar no dia 11/03/2009 no VC Repórter. Sem creditar as informações, o site da Globo.com dá a impressão ao leitor de que o texto é apenas o relato do jornalista cidadão, sem &#8220;ouvir o outro lado&#8221;, como prega por exemplo o Novo Manual da Redação, da Folha de S. Paulo (1992, p. 46). Além de prejudicar a credibilidade, a prática deixa de agregar à notícia informações úteis à sua compreensão, como a obtida pelo VC Repórter em contato com a Sabesp: a companhia afirmou que ressarciria o dono do veículo afetado. Um simples dado que expõe a resolução do conflito, torna o material mais informativo, e tende a estimular, no próprio público leitor e na comunidade de cidadãos-repórteres, a disciplina da verificação de informação tão necessária à prática do jornalismo, como defendem Kovach e Rosenstiel (2005). Opinião que é compartilhada por Rodrigo Flores, gerente geral de Notícias do UOL —desde que assumiu o cargo, em 2006, Flores tem procurado aliar a participação do público ao jornalismo produzido pelo portal, ainda que o UOL não tenha um produto de colaboração estabelecido, como seus principais concorrentes. Para ele, o flagrante pode ser o início do processo jornalístico, mas não pode ser considerado o processo como um todo:</p>
<blockquote><p>&#8220;(&#8230;) acredito que o jornalismo envolve pauta, reportagem e edição. O flagrante é uma parte do jornalismo, é fundamental, ajuda muito, mas não sei se ele é jornalismo por não compreender todo o processo que define o jornalismo —isso justificaria a presença de uma moderação. Se você criar um site do seu bairro, até pode ser que você exista sem moderação. No nível de um grande portal como o UOL, isso seria impossível sem moderação.&#8221;</p></blockquote>
<p>A moderação pode evitar erros como o da publicação no VC Repórter, como notícia, de uma campanha de marketing viral. Em entrevista ao autor, Mizuta, do Terra, conta que em uma sexta-feira corrida, sob pressão, houve falha na apuração —dois leitores filmaram um fusca cortado ao meio que estava sendo rifado e enviaram ao site colaborativo. Segundo ela, houve falha de checagem de dados por parte da equipe, e de forma alguma o erro deve ser creditado ao fato de o VC Repórter adotar o jornalismo colaborativo: &#8220;(&#8230;) erramos por falha de apuração. Está aí o caso clássico do &#8216;boimate&#8217; para provar que erros também acontecem no jornalismo tradicional. Não acho que o jornalismo colaborativo seja mais frágil, este controle precisa ser feito. É óbvio que vai haver erros. E por isso que há editores.&#8221;</p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<p><a name="1">[1]</a> Em entrevista ao autor.</p>
<p><a name="2">[2]</a> “Tempestade com raios assusta Blumenau”. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1041933-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1041933-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2009.</p>
<p><a name="3">[3]</a> &#8220;Homens pegam &#8216;carona&#8217; em traseira de caminhão na Zona Sul de SP&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/%0b0,,MUL1036353-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/<br />
0,,MUL1036353-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2009</p>
<p><a name="4">[4]</a> &#8220;Problema técnico atrasa trens e lota estações em SP&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://noticias.terra.com.br/transito/interna/0,,OI3632064-EI11777,00.html">http://noticias.terra.com.br/transito/interna/0,,OI3632064-EI11777,00.html</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2009.</p>
<p><a name="5">[5]</a> &#8220;Atrasos de trens lotam estação em São Paulo&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1041246-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1041246-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2009.</p>
<p><a name="6">[6]</a> &#8220;Carro cai em cratera na Zona Leste de SP&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1034505-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1034505-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2009.</p>
<p><a name="7">[7]</a> &#8220;Carro cai em buraco recém-fechado em SP&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3628213-EI8139,00.html">http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3628213-EI8139,00.html</a>&gt;. Acesso em: 20 mar. 2009.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/clicologoexisto.wordpress.com/569/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/clicologoexisto.wordpress.com/569/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=569&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Numero de fontes por matéria em cada veículo</media:title>
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		<title>Graus de participação do usuário no jornalismo colaborativo</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2011 14:37:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao lado do baixo número de fontes citadas no decorrer das matérias publicadas pelos veículos colaborativos nos portais brasileiros de conteúdo, nosso estudo também procurou avaliar se havia nos textos da amostra indícios claros de que fora o próprio colaborador a contatar as fontes, o que só ocorreu em 2,4% (4) das matérias. Entre as [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=560&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao lado do baixo número de fontes citadas no decorrer das matérias publicadas pelos veículos colaborativos nos portais brasileiros de conteúdo, <a href="www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27154/tde-08112010-115607/?&amp;lang=pt-br">nosso estudo</a> também procurou avaliar se havia nos textos da amostra indícios claros de que fora o próprio colaborador a contatar as fontes, o que só ocorreu em 2,4% (4) das matérias. Entre as fontes no material que analisamos, duas matérias citam amigos dos cidadãos-repórteres, uma cita testemunha que preferiu não se identificar, e outra um técnico que aparentemente foi abordado pelo colaborador no local do acontecimento.</p>
<p>Só 2,4% do jornalismo colaborativo dos portais brasileiros, portanto, pode ser comparado conceitualmente ao que propõem Gillmor (2004) e Bowman e Willis (2003) como jornalismo colaborativo, ao menos em seus graus mais avançados de engajamento.</p>
<p>O baixo comprometimento do interator, o usuário que participa do noticiário dos grandes portais brasileiros, leva-nos a acreditar que o jornalismo colaborativo ainda está em seus primeiros passos no Brasil e pouco atingiu o objetivo de democratizar a mídia, dar ao público verdadeiro poder sobre o noticiário, como apregoa Gillmor (2004, p. 137). Comparados aos níveis de participação de Bowman e Willis (2003), os dados obtidos pelo estudo indicam que o internauta brasileiro que participa dos serviços colaborativos ainda se concentra na atividade do registro flagrante, primeiro degrau de colaboração na escala do interator. A checagem dos fatos, a apuração complementar e o trabalho de edição verificado no noticiário open source ainda são objetivos a atingir.</p>
<p><span id="more-560"></span>Na maior parte das vezes, os serviços colaborativos representam apenas um canal adicional de recepção de informações, assim como uma simples fonte ou assessoria de imprensa. Em um segundo momento as informações são apuradas e complementadas pela redação, que lhe confere inclusive formato jornalístico —de acordo com o levantamento, 91% (150) das matérias do <em>corpus</em> possuíam o formato de pirâmide invertida, que acompanha a linguagem jornalística desde o século 19 (PENA, 2005, p. 48). No VC Repórter, que possui mais intervenção da redação no material enviado pelos colaboradores, este índice sobe para 99% (103 matérias), contra 75% (47 matérias) do VC no G1. Este cenário evidencia o distanciamento do público em relação à atividade jornalística, e, em nossa visão, a necessidade de uma abordagem diferente por parte dos serviços de jornalismo colaborativo dos grandes portais, de forma a motivar o engajamento do público na descoberta e registro crítico e aprofundado de sua própria realidade. Pretendemos abordar alguns destes caminhos possíveis no próximo capítulo.</p>
<p>Outra evidência de que nos grandes portais brasileiros o cidadão-repórter pode ser considerado um &#8220;cidadão-fonte&#8221; é o uso de declarações do colaborador em aspas no decorrer do texto, em paralelo à citação de outras fontes, ou mesmo como a única fonte do texto —o que por si só já implica perda de credibilidade do material, conforme a própria opinião de Mizuta, do Terra, e também conforme conceituado no capítulo 2. A prática foi detectada com maior incidência no VC Repórter, do portal Terra, em matérias como &#8220;Zona norte de SP sofre com falta d&#8217;água&#8221;<a href="#1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>. O texto aborda o drama do morador Cristiano Gregório —cujas declarações são citadas entre aspas, mas ao mesmo tempo assina o material— generalizando-o para todos os moradores do bairro, sem que houvesse apuração, nem por parte do colaborador, nem por parte da redação, de mais informações sobre o número de pessoas afetadas, ou uma estimativa de soluções de curto prazo por parte da companhia de saneamento básico do Estado.  Outro caso foi a matéria &#8220;Defeito em novo CD do U2 decepciona fãs&#8221;<a href="#2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a>, também publicada pelo VC Repórter. O texto traz uma denúncia de um único colaborador —de que havia um problema no encarte do novo álbum da banda irlandesa—, neste caso confirmada pela gravadora Universal Music no Brasil. A verificação da denúncia com a outra parte envolvida garantiu, de um lado, a credibilidade da informação. Porém, ao utilizar frases do colaborador Everson Candido entre aspas no decorrer do texto, o VC Repórter coloca o usuário no papel de fonte, e não de autor do material. O estudo identificou na amostra pelo menos outros sete casos em que os colaboradores foram citados como fontes.</p>
<p>Erin Mizuta, editora do VC Repórter, do Terra, acredita que o internauta que participa dos sites de jornalismo colaborativo no Brasil encontra-se em uma fase intermediária entre cidadão-fonte e cidadão-repórter:</p>
<p>&#8220;Ele não é apenas uma fonte, porque ele não é só a referência sobre determinado assunto, é também o principal interessado em ver outros lados. Nem é apenas um repórter, porque a matéria não pode ser construída com base no seu ponto de vista. Um repórter contratado para um meio de comunicação conta total credibilidade da empresa em seu relato. No caso do jornalismo colaborativo, não sei se um dia isso será possível. Como disse, todas as notícias partem, de um jeito ou outro, de interesses pessoais. (&#8230;) O cidadão-repórter transforma a função do jornalista. E eu acredito e concordo com isso. Se eles são os pauteiros/repórteres, cabe a nós sermos editores.&#8221;</p>
<p>Sob esta óptica, o internauta que envia uma foto e um breve relato à redação dos portais pode também ser encarado como cidadão-pauteiro, espécie de &#8220;editor de planejamento, o primeiro homem a pensar no jornal do dia seguinte&#8221; (LAGE, 2001, p. 37). Rodrigo Flores, gerente geral de Notícias do UOL, tem visão semelhante:</p>
<p>&#8220;O jornalismo colaborativo está muito ligado ao processo de pauta. Embora o UOL não tenha canais abertos específicos para pautas, as pessoas usam todos os canais possíveis para nos pautar. E já fizemos inúmeras matérias com base nesse tipo de contato do público. Sem a pauta, a sugestão do público, o jornalismo fica muito mais difícil. A reportagem é a execução. A edição ainda fica por conta de nós jornalistas.&#8221;</p>
<p>Para Caíque Severo, do iG, o tratamento que cada veículo dá a sua iniciativa de jornalismo colaborativo também ajuda a definir se a participação do usuário vai ser usada como fonte de informação ou notícia pronta. &#8220;Nessa decisão deve pesar uma avaliação de quantos participantes o veículo deseja ter, disse, em entrevista ao autor. Com isso, quanto mais rigoroso o critério editorial adotado pelo veículo ou mais amplo o recorte necessário a transformar um fato em notícia, menos espaço terá o conteúdo colaborativo. &#8220;Naturalmente vai existir muito mais gente que simplesmente criou um perfil em uma rede social do que aqueles que têm a capacidade e disposição de produzir qualquer conteúdo. É uma escadinha. Quanto mais complexa a participação, menos atores.&#8221;</p>
<p>Se cidadão-repórter, cidadão-fonte ou cidadão-pauteiro, para Flores, do UOL, é uma questão semântica. Pelo menos na configuração que o UOL adota para absorver o conteúdo do público, a responsabilidade completa pela reportagem, segundo ele, não pode ser transferida para o internauta. Ela permanece nas mãos dos editores, jornalistas contratados que trabalham para o UOL:</p>
<p>&#8220;Ele contribui para a reportagem, ele não é o repórter. Se você quiser chamá-lo de repórter eu também não me ofendo, porque volta e meia existe essa discussão. Acho que o jornalismo muito dificilmente é feito sem a participação do público, mesmo passivamente. O que muda é que o cidadão passa a ser mais ativo diante deste processo. Também me sinto um pouco incomodado de não considerar o cidadão que contribui em casos como o que fizemos [durante as enchentes] em Santa Catarina, em que as pessoas mandaram fotos da tragédia e seis meses depois pedimos para elas retornarem ao local das fotos e mandarem as fotos dos lugares. Poxa, o internauta fez o trabalho todo, ele fez a reportagem para nós. (&#8230;) Mas posso chamá-lo de fonte? Difícil. Em alguns casos sim, mas em outros ele é co-autor. Isso depende do grau de participação. Quando ele contribui com um depoimento, ele é fonte, ele conta o que aconteceu. Mas quando ele vai até um local pautado por nós e produz uma foto, ele é co-autor. No caso de Santa Catarina, a pauta foi nossa, ele fez a reportagem e nós editamos —colocamos numa casca, pusemos uma legenda e publicamos.&#8221;</p>
<p>A nosso estudo, no entanto, é válido classificar duas formas diferentes de participação: uma, mais ativa e coerente com práticas propostas por Bowman e Willis (2003) e Gillmor (2004), em que uma pessoa testemunha um fato, busca informações adicionais sobre ele (textos, fotos, vídeos, entrevistas), checa informações e cruza dados, enviando-o em seguida a um veículo de informação; outra, em que uma pessoa testemunha um fato e tão logo quanto possível envia um breve relato ou registro fotográfico ao veículo. Na primeira existe esforço de apuração e checagem de dados, o que aproxima a prática do leitor do jornalismo. Na segunda existe apenas o registro de um fato e sua transmissão ao canal de comunicação —o que exigiria outra denominação, que não a de cidadão-repórter, ao participante do noticiário. A seguir buscamos fazer uma proposta, de acordo com os níveis de participação de Bowman e Willis (2003) e Bruns (2005) apresentados anteriormente no capítulo 2.</p>
<p align="center"><strong>TABELA 8</strong></p>
<p align="center"><strong>Denominação do Participante no Jornalismo colaborativo</strong></p>
<p style="text-align:center;" align="center"><a href="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/04/jornalismo_colaborativo-niveis_de_participacao2.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-565" title="Jornalismo Colaborativo - Níveis de Participação" src="http://clicologoexisto.files.wordpress.com/2011/04/jornalismo_colaborativo-niveis_de_participacao2.gif?w=540" alt="Jornalismo Colaborativo - Níveis de Participação"   /></a></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<p><a name="1"></a>[1] &#8220;Zona norte de SP sofre com falta d&#8217;água&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3611091-EI8139,00.html">http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3611091-EI8139,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<p><a name="2"></a>[2] &#8220;Defeito em novo CD do U2 decepciona fãs&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI3627901-EI1267,00.html">http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI3627901-EI1267,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/clicologoexisto.wordpress.com/560/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/clicologoexisto.wordpress.com/560/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=560&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Madu</media:title>
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			<media:title type="html">Jornalismo Colaborativo - Níveis de Participação</media:title>
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		<title>O desafio da credibilidade e os limites do jornalismo colaborativo</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 18:49:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
				<category><![CDATA[colaborAção]]></category>
		<category><![CDATA[contraCultura]]></category>
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		<category><![CDATA[credibilidade]]></category>
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		<category><![CDATA[internet]]></category>
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		<description><![CDATA[Seja ele cidadão-fonte ou cidadão-repórter, o interator que participa do noticiário dos grandes portais tem outro desafio constante: o da credibilidade. Conforme os critérios do discurso jornalístico, a apuração e o cruzamento de informações entre fontes é fundamental para conferir credibilidade ao texto jornalístico: &#8220;Toda boa reportagem exige cruzamento de informações. Esse mecanismo jornalístico consiste [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=556&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seja ele cidadão-fonte ou cidadão-repórter, o interator que participa do noticiário dos grandes portais tem outro desafio constante: o da credibilidade. Conforme os critérios do discurso jornalístico, a apuração e o cruzamento de informações entre fontes é fundamental para conferir credibilidade ao texto jornalístico:</p>
<blockquote><p>&#8220;Toda boa reportagem exige cruzamento de informações. Esse mecanismo jornalístico consiste em, a partir de um fato transmitido por uma determinada fonte, ouvir a versão sobre o mesmo fato de outras fontes independentes. O recurso é útil tanto para comprovar a veracidade de uma notícia quanto para enriquecer a reportagem com aspectos não formulados pela fonte original.&#8221; (MANUAL DA REDAÇÃO: FOLHA DE S.PAULO, 2006, p. 26)</p></blockquote>
<p><span id="more-556"></span></p>
<p>Deste ponto de vista, o relato pessoal sobre uma experiência torna-se insuficiente para fazer de um texto crível por si só, sem que haja um maior trabalho de apuração por parte das redações dos veículos. Para esta inferência, contribuíram tanto o cidadão-repórter —que em geral não se preocupou em procurar fontes de informação ou explicitar técnicas de apuração utilizadas, o que traçaria ao menos os limites da informação— quanto os portais Terra e Globo.com, cujos serviços participativos não possuem perfis dos jornalistas cidadãos, nem mecanismos de pontuação ou algoritmos sociais —como tempo de participação, registros de navegação— que permitam ao leitor conhecer e avaliar por conta própria se o autor do material possui credibilidade anterior ou algum grau de distanciamento dos temas abordados para tratá-los com imparcialidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;Os algoritmos sociais não servem apenas para avaliar a performance dos participantes, eles também qualificam a relevância do conteúdo publicado. A medição da performance do conteúdo pode ser estimada a partir dos seguintes elementos: número de acessos, de comentários relacionados, de notificações enviadas por e-mail para que outras pessoas acessem, de recomendação de usuários com boa performance, entre outros. Esses dados servem para o sistema avaliar, por exemplo, se um vídeo postado como &#8216;muito engraçado&#8217; tem realmente essa característica. Se foi assistido muitas vezes e os usuários tiverem publicado comentários e enviado recomendações por e-mail, é sinal de que essas pessoas aprovaram o conteúdo.&#8221; (SPYER, 2007, p. 78).</p></blockquote>
<p>Este vácuo de credibilidade criado entre cidadão-repórter e veículo abre espaço, segundo a análise dos dados, para a possível veiculação de material de divulgação no noticiário. Um exemplo do qual é possível inferir a hipótese são as matérias &#8220;Dia Internacional da Mulher agita o centro de São Paulo&#8221;<a href="#1"><sup><sup>[1]</sup></sup></a>, publicada em 09/03/2009 pelo VC no G1, e &#8220;Mulheres têm serviços gratuitos no seu dia&#8221;<a href="#2"><sup><sup>[2]</sup></sup></a>, publicada em 10/03/2009 pelo VC Repórter, ambas com autoria do internauta Cristiano dos Santos. &#8220;Segundo os organizadores, aproximadamente 8.000 pessoas passaram pelo evento durante o sábado. E a expectativa era de até 15.000 visitantes nesse domingo&#8221;, diz o texto, sem clarificar se os organizadores foram ouvidos por Cristiano ou pela reportagem dos veículos. O que impede que o autor seja ele mesmo integrante da organização do evento, e tenha se utilizado do discurso jornalístico para divulgá-lo? Quão envolvido com o fato relatado está o autor? Caso ele faça realmente parte da organização do evento, quais são as implicações da acolhida de seu texto em um serviço de jornalismo colaborativo? Bastaria, neste caso, a simples checagem dos fatos pela equipe de jornalistas moderadores? O quanto esta prática abala a credibilidade do texto? Para Rodrigo Flores, gerente geral de notícias do UOL, o jornalismo online está mais maduro e preparado para evitar fraudes em relação a conteúdo enviado pelo usuário, mas não imune a elas.</p>
<p>&#8220;Poderia sim voltar a acontecer. Se você se dispõe a adotar este recurso de colaboração em um portal do tamanho do UOL, é muito difícil estabelecer os filtros necessários para evitar uma fraude. O risco da mentira está presente a todo momento. A partir do momento em que você registra uma entrevista de alguém, você corre esse risco. &#8216;Eu vi o avião cair&#8217;, mas não viu. O desafio do jornalismo é tentar chegar perto do risco zero.&#8221;</p>
<p>Outro trecho do texto publicado pelo VC no G1 também deixa a impressão de que o site pode ter acolhido material de divulgação: &#8220;A atração que mais chamava atenção eram duas garotas segurando uma placa no meio da multidão, onde estava escrita a frase: &#8216;Troco sonhos&#8217;. As mulheres, após dizerem para essas garotas quais eram os seus sonhos, ganhavam um bombom Sonho de Valsa.&#8221; Ao publicar um simples relato pessoal sobre um evento, sem clarificar que as fontes de informação citadas foram checadas e/ou apuradas pela própria redação, e também sem conhecer o perfil do autor e estar certo de que ele não trabalha para a fabricante da marca de bombons —nem outra empresa coligada—, é impossível excluir a hipótese de que o site de jornalismo participativo da Globo.com tenha feito divulgação espontânea da marca de chocolates.</p>
<p>Casos não faltam em que os veículos analisados publicam relatos pessoais sobre um evento ou textos com ar de divulgação, especialmente em matérias na área de Cultura/ Entretenimento. É o caso das matérias &#8220;Larissa Costa é eleita a nova Miss RN&#8221;<a href="#3"><sup><sup>[3]</sup></sup></a> (VC no G1), &#8220;Peça mostra fim da escravidão em Porto Alegre&#8221;<a href="#4"><sup><sup>[4]</sup></sup></a> (VC Repórter) e &#8220;Grupo caribenho Florida Memorial Steelband toca em Salvador&#8221;<a href="#5"><sup><sup>[5]</sup></sup></a> (VC no G1). A mera descrição factual, somada ao registro fotográfico, confere ao material característica de testemunho, o que novamente abala a credibilidade pela ausência de verificação e citação de outras fontes. Porém, no contexto do jornalismo colaborativo, esta credibilidade não é automaticamente conferida ao material pela marca ou pela redação do veículo, e deve ser conferida ao material pela checagem por parte dos jornalistas que moderam o serviço. Ou pelo próprio leitor, em conjunto com o jornalista cidadão, na medida em que o primeiro seja capaz de avaliar o perfil e as credenciais do último, desvinculando-o do fato apurado em benefício da isenção, e também capaz de avaliar o método de apuração utilizado, para só então decidir se o material é crível ou não. No caso dos sites analisados, nenhuma das duas hipóteses é comunicada com clareza ao leitor, o que tende a abalar a credibilidade dos serviços de colaboração dos grandes portais. Para Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL, este é um dos principais calcanhares de Aquiles do jornalismo colaborativo:</p>
<p>&#8220;Essa questão que me arrepia, criar um veículo em que jornalistas não fazem jornalismo, mas apenas recebem e rechecam material externo, enviado por pessoas não treinadas, sem capacitação para isso —o custo de um jornalista checar devidamente um texto externo pode ser tão alto ou maior do que o custo de produzir um texto original, uma reportagem original. Claro que depende do grau de ambição de qualidade desse veículo —quanto mais alta a ambição, mais alto o custo de produção. Então se o assunto é só o buraco de rua, tudo bem. Mas se o assunto é investigar um crime de colarinho branco, para citar dois extremos, a coisa se complica.&#8221;</p>
<p>Strecker questiona se o jornalismo colaborativo não é uma maneira de baratear os custos de produção do jornalismo por forças de mercado que hoje concorrem com os veículos de mídia tradicionais. &#8220;Quem não conhece ou não valoriza o bom jornalismo acha quimérica a possibilidade de fazer jornalismo sem jornalistas. Afinal não é o que o Google tanta fazer com o Google News? Será que o Google pensa nos objetivos ou por quem os veículos que ele exibe estão sendo guiados?&#8221;</p>
<p>Lemos, do Overmundo, é mais taxativo. Para ele, em alguns casos o jornalismo colaborativo é sim uma forma de baratear custos de produção. &#8220;Uma das lições que aprendemos com o Overmundo é que a rede e a colaboração faz muito por você, mas não faz tudo. Será sempre necessário ter uma equipe de moderação, edição ou interação, por menor que ela seja.&#8221; Ele concorda com Strecker, no entanto, ao considerar caro o processo jornalístico que se aprofunda na apuração e na reportagem:</p>
<p>&#8220;Inevitavelmente o jornalismo colaborativo vai transformar o jornalismo tradicional. Mas cada vez mais há a percepção de que a ideia de jornalismo tradicional é um bem público, por questões que envolvem reputação e recursos. O jornalismo investigativo, por exemplo, é caríssimo de ser feito e não há como negar que ele tenha uma função importantíssima. Acho que o futuro se definirá no processo de equilíbrio, em que o jornalismo colaborativo amplia as fronteiras da ideia de jornalismo.&#8221;</p>
<p>Assim como ele, Flores, do UOL, Mizuta, do Terra, e Severo, do iG, acreditam que a colaboração do público na construção do noticiário é uma tendência impossível de reverter. Como então equilibrá-la e fomentar uma participação mais engajada do público brasileiro, sem ferir o bom jornalismo?</p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<p><a name="1">[1]</a> &#8220;Dia Internacional da Mulher agita o centro de São Paulo&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1034520-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1034520-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<p><a name="2">[2]</a> &#8220;Mulheres têm serviços gratuitos no seu dia&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3621075-EI306,00.html">http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3621075-EI306,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<p><a name="3">[3]</a> &#8220;Larissa Costa é eleita a nova Miss RN&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1040266-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1040266-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<p><a name="4">[4]</a> &#8220;Peça mostra fim da escravidão em Porto Alegre&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI3626002-EI1539,00.html">http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI3626002-EI1539,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<p><a name="5">[5]</a>&#8220;Grupo caribenho Florida Memorial Steelband toca em Salvador&#8221;. Disponível em: &lt;<a href="http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1041473-8491,00.html">http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1041473-8491,00.html</a>&gt;. Acesso em: 13 mar. 2009.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/clicologoexisto.wordpress.com/556/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/clicologoexisto.wordpress.com/556/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=556&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Por que o jornalismo colaborativo não dá certo no Brasil?</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 19:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A consolidação do jornalismo colaborativo ainda depende de um longo caminho no Brasil, ligado principalmente ao despertar do engajamento do (antigo) público com sua realidade, sua necessidade informativa, a necessidade de conhecimento sobre a própria realidade para então, vendo seu reflexo, enxergar-se capaz de transformá-la. Nosso estudo conseguiu identificar o baixo comprometimento do interator com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=550&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A consolidação do jornalismo colaborativo ainda depende de um longo caminho no Brasil, ligado principalmente ao despertar do engajamento do (antigo) público com sua realidade, sua necessidade informativa, a necessidade de conhecimento sobre a própria realidade para então, vendo seu reflexo, enxergar-se capaz de transformá-la.</p>
<p><a href="www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27154/tde-08112010-115607/?&amp;lang=pt-br">Nosso estudo</a> conseguiu identificar o baixo comprometimento do interator com o noticiário dos grandes portais brasileiros, com o processo jornalístico como um todo. Se considerarmos a evolução da colaboração segundo os níveis de participação de Bowman e Willis (2003) e Bruns (2005), o internauta brasileiro, que predominantemente envia breves registros flagrantes da realidade aos grandes portais, está, ao menos nestes ambientes, no primeiro degrau da escala do interator.</p>
<p><span id="more-550"></span></p>
<p>Visão consoante com a impressão de Erin Mizuta, editora do VC Repórter:</p>
<blockquote><p>&#8220;Os brasileiros ainda não estão familiarizados com o conceito do jornalismo colaborativo —e também de jornalismo, principalmente na Internet. Aos poucos, eles estão descobrindo que a foto postada no Orkut e que fez tanto sucesso porque mostra o dia-a-dia de quem sofreu com uma cheia, por exemplo, pode virar (e é) uma notícia. Ou que o problema que atinge o bairro, e que vira tema de debate em uma comunidade, pode ser cobrado das autoridades por uma matéria de denúncia.&#8221;<a href="#1">¹</a></p></blockquote>
<p>Ainda falta ao internauta brasileiro dos grandes portais de conteúdo compreender e praticar a checagem dos fatos, realizar a apuração complementar de dados e eventualmente até conferir ao material edição jornalística —embora, para tanto, seja preciso que os veículos em questão também possuam plataformas e pontos de vista mais abertos que os atuais para o envio e edição de conteúdos por parte do (antigo) público — que só então poderá, nestes contextos, receber precisamente o título de cidadão-repórter. O que é pouco provável que aconteça, na visão de Rodrigo Flores, do UOL:</p>
<blockquote><p> &#8221;Temos usado o jornalismo colaborativo no UOL, o Jornal Nacional todo dia tem exibido alguma coisa do público. Então depende do modelo que você considera para dizer que está dando certo ou não. No meu entendimento o fenômeno é crescente, e temos que usar cada vez mais. Mas não creio que vamos usar [na grande imprensa] modelos muito puros, que acreditam exclusivamente na auto-regulação.&#8221;<a href="#2">²</a></p></blockquote>
<p>A preocupação de Flores parece ser a de relegar ao (antigo) público um trabalho que é do jornalista. Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL, mostra ponto de vista semelhante ao situar a colaboração como companheira inseparável do jornalismo, desde as origens do próprio jornal impresso —porém, sem considerar um papel ativo do público diante do processo jornalístico em si:</p>
<blockquote><p> &#8221;O público sempre participa e sempre participou em alguma medida do noticiário. Os jornais, esse veículo do século 19, sempre tiveram em certa medida a colaboração do leitor, expressa em seção de cartas, em críticas para ombudsman, repórteres sempre foram às ruas e tiveram contato direto com o público e aprenderam alguma coisa com isso. (&#8230;) Entre ter o público como personagem e tê-lo como autor, há um amplo espectro de atividades, que podem e são exploradas. Por exemplo, você pode ter uma repórter do UOL, a Daniela Paixão, saindo com um cinegrafista e ouvindo pessoas na rua. Ou você pode ter depoimentos de pessoas, feitos em vídeo, elas mesmo se filmando, enviadas espontaneamente ou por estímulo do portal. Isso tudo o UOL utiliza cotidianamente. Estou dando alguns exemplos bem clássicos, só para explicar que, na minha visão, não existe uma linha divisória muito definida entre o jornalismo colaborativo e o não colaborativo, porque a gente vive em sociedade, e o nosso jornalismo trata de questões sociais, ele é feito para a sociedade e sobre a sociedade. O jornalismo não-colaborativo seria o quê? O jornalismo ditatorial, imperial, divino?&#8221;<sup>2</sup></p></blockquote>
<p>O questionamento de Strecker revela, nas entrelinhas, o posicionamento dos veículos de comunicação para a manutenção da legitimidade social do jornalismo tradicional, visão que parece entrar em confronto com novos modelos de comunicação em rede propostos pela Internet. Bruns (2005) consegue mapear o fenômeno com precisão quando propõe a superação do modelo de <em>gatekeeping</em>, tão familiar à prática jornalística, pelo de <em>gatewatching</em>, que coloca a imprensa como nó em uma rede de relações entre acontecimentos, fontes, leitores, colaboradores —e não como centro para onde sempre convergem as informações, como vimos nas definições de Bowman e Willis (2003) apresentadas no capítulo 2. Além disso, casos que recentemente ganharam repercussão entre jornalistas ajudam a compreender o fim deste &#8220;absolutismo&#8221; da imprensa —a polêmica envolvendo o blog &#8220;Fatos e Dados&#8221;, criado pela área de comunicação da Petrobras em maio de 2009, para publicar informações sobre a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada no mesmo mês para investigar supostas fraudes da estatal e também publicar respostas da empresa aos veículos que começaram a cobrir as investigações<a href="#3">³</a>; e os protestos da população iraniana divulgados pelo Youtube após a polêmica eleição de junho de 2009, que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad<a href="#4">*</a>.</p>
<p>No primeiro caso, a Petrobras decidiu divulgar em um blog as respostas às questões feitas por jornalistas à empresa, mesmo antes que as matérias fossem publicadas. A abertura destas informações gerou fortes críticas por parte de jornais como Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo, além da ANJ (Associação Nacional de Jornais), para quem a estatal estaria tentando intimidar a imprensa desrespeitando a confidencialidade que orienta jornalistas na relação com suas fontes. Não há, porém, ética estabelecida no caminho contrário. E com a Internet a imprensa não é mais o único canal disponível para fazer sua voz chegar ao público —a reação dos jornais talvez tenha sido mais contra este fenômeno de nosso tempo do que contra a Petrobras em si.</p>
<p>No caso das eleições no Irã, vídeos feitos por cidadãos registrando os protestos que eclodiram em Teerã e por todo o país começaram a aparecer no Youtube após o dia 12 de junho de 2009, quando Ahmadinejad foi reeleito no primeiro turno em um cenário de dúvidas sobre fraudes na apuração. Mesmo redes como a CNN, da imprensa ocidental dita &#8220;liberal&#8221; —em contraste à imprensa iraniana, supostamente sob censura do Estado—, não foram capazes de mostrar a tensão e a violência nas ruas do país de forma tão rápida quanto o Youtube, o Twitter, enfim, os repositórios de conteúdo gerado pelo usuário (UGC). Mais uma vez a informação dispensou a imprensa para circular.</p>
<p>Como o jornalismo deve encarar este novo cenário? Será que a Internet e a colaboração vão acabar com o jornalismo e os jornalistas? &#8220;Não existe uma disputa entre tipos de jornalismo. Ou uma coisa é notícia ou não é. E o critério do que é notícia tem vários níveis e cada leitor escolhe os filtros que deseja usar para chegar ao que ele considera notícia&#8221;, acredita Caíque Severo, do iG. Ronaldo Lemos, do Overmundo, acredita em um futuro de equilíbrio entre o jornalismo tradicional e o colaborativo:</p>
<p>&#8220;Inevitavelmente o jornalismo colaborativo vai transformar o jornalismo tradicional. Mas cada vez mais há a percepção de que a ideia de jornalismo tradicional é um bem público, por questões que envolvem reputação e recursos. O jornalismo investigativo, por exemplo, é caríssimo de ser feito e não há como negar que ele tenha uma função importantíssima. Acho que o futuro se definirá no processo de equilíbrio, em que o jornalismo colaborativo amplia as fronteiras da ideia de jornalismo, mas há uma percepção de que ter partes centralizadas da prática de jornalismo também é importante.&#8221;</p>
<p>Casos como o do blog da Petrobras e as eleições iranianas são evidencias claras de que é necessário ao jornalismo buscar uma nova posição no cenário midiático, quiçá no cenário social. Se, por um lado, vozes sociais antes dependentes da mídia para chegar ao público começam a emergir à revelia da imprensa, de outro ponto de vista a sociedade continua a relegar à categoria de profissionais conhecida como jornalistas o trabalho de localizar, em meio ao mar de informações diárias, submersas ou aparentes, o que é ou não importante, o que merece ser investigado e trazido à luz. <strong>Numa espécie de &#8220;contrato social&#8221;, como o de Rosseau, o cidadão parece abrir mão do engajamento informativo para que exista a mídia, assim como abre mão de sua liberdade para que surjam as leis, o Estado, a sociedade em si.</strong> Pensar nesta nova posição do jornalismo e dos jornalistas perante o novo cenário colaborativo exige pois, em nosso ponto de vista, a formulação e a execução de um novo &#8220;contrato midiático&#8221;, capaz de envolver o público e a mídia e que seja legitimado pelo próprio envolvimento coletivo.</p>
<p>Inevitável que este novo acordo informativo passe pela conscientização do (antigo) público sobre seu papel no conhecimento e na transformação da própria realidade. Para Márion Strecker, do UOL:</p>
<blockquote><p>&#8220;O problema no Brasil é a falta de consciência de cidadania. Acho que essa é a razão de o jornalismo colaborativo não dar certo por aqui. O cidadão raras vezes se sente dono da sua cidade, tem a consciência do quanto imposto ele paga, e do quanto ele pode cobrar dos nossos governantes. Ninguém lembra em quem votou para deputado, para prefeito na última eleição. A atividade política é baixa, associações de bairros são poucas. O engajamento social é alto, mas o político é muito baixo. Se o voto não fosse obrigatório no Brasil, a quantidade de pessoas que votam cairia drasticamente. As pessoas não leem os programas, não vão às convenções, pedem santinho para colar voto no dia da eleição porque o voto é obrigatório. Então falta consciência dos próprios direitos, falta cobrança, com isso falta motivo para exercer uma atividade jornalística que deve ser essencialmente crítica. Porque se não é crítica, não é jornalismo, é propaganda.&#8221;</p></blockquote>
<p>Erin Mizuta, do Terra, acredita que a tendência é haver maior participação de atores sociais no que é publicado pela imprensa, e a evolução do estado atual do jornalismo colaborativo no Brasil também depende de uma maior consciência social:</p>
<blockquote><p> &#8221;Acredito que ela exige uma mudança não só no jornalismo colaborativo, mas na educação em geral, na consciência social, política e até jurídica das pessoas, até para que elas saibam o que pode acontecer se elas publicarem uma notícia falsa. (&#8230;) Para que você quer uma nação inteira de jornalistas? É utópico. É o fim do jornalismo. Haverá sim, mais colaboração de quem participa dos acontecimentos. Mas isso não será o fim, só uma mudança.&#8221;</p></blockquote>
<p>Uma das vias possíveis para a conscientização do (antigo) público &#8220;oprimido&#8221; pela mídia de massa pode ser o resgate da função educativa do jornalismo —e, em nosso intuito de apontar caminhos para estudos futuros, pretendemos aqui traçar um paralelo entre as vocações do <a href="http://clicologoexisto.wordpress.com/2011/04/25/jornalismo-colaborativo-o-jornalismo-do-oprimido-e-paulo-freire/">jornalismo colaborativo e a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire</a>.</p>
<div></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
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<p><a title="" href="/Users/fmadureira/Desktop/_dissertacao_madu_final.doc#_ftnref1">[1]</a> Em entrevista ao autor.</p>
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<p><a title="" href="/Users/fmadureira/Desktop/_dissertacao_madu_final.doc#_ftnref2">[2]</a> Em entrevista ao autor</p>
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<p><a title="" href="/Users/fmadureira/Desktop/_dissertacao_madu_final.doc#_ftnref3">[3]</a>Blog da Petrobras opõe visões sobre transparência e jornalismo. Disponível em: &lt;<a href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/%0bcontent.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=5106">http://www.direitoacomunicacao.org.br/<br />
content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=5106</a>&gt;. Acesso em: 12 ago. 2009</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="/Users/fmadureira/Desktop/_dissertacao_madu_final.doc#_ftnref4">[4]</a> Internet noticia acontecimentos do Irã e bate imprensa tradicional. Disponível em: &lt;<a href="http://www.geek.com.br/posts/10222-internet-noticia-acontecimentos-do-ira-e-bate-imprensa-tradicional">http://www.geek.com.br/posts/10222-internet-noticia-acontecimentos-do-ira-e-bate-imprensa-tradicional</a>&gt;. Acesso em: 15 jun. 2009</p>
</div>
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		<title>Jornalismo colaborativo, o jornalismo do oprimido e Paulo Freire</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 18:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em um contexto de décadas de convívio com a mídia de massa —tida como opressora do ponto de vista do aumento de capacidade expressiva promovido pela Internet, de acordo com Shirky (2008, p. 106)—, baixa penetração da Internet e baixo grau de alfabetização de sua população —o Brasil ocupa o 62º lugar no ranking de alfabetização da ONU<a title="" href="#1">¹</a>—, o brasileiro torna-se alguém pouco ou nunca antes convidado à prática da verdadeira autonomia midiática. Não a autonomia que decorre do simples acesso à rede, mas uma autonomia libertadora, capaz de inseri-lo no processo histórico, como sujeito, abrindo caminho à busca da afirmação (FREIRE, 2005, p. 24).</p>
<p>Esta óptica traz à tona diversas ressonâncias entre os propósitos do jornalismo colaborativo e a Pedagogia do Oprimido, segundo a qual &#8220;ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho&#8221; (FREIRE, 2005, p. 58), mas os homens se libertam em comunhão. Em primeiro lugar, é possível comparar a mídia de massa à pedagogia tradicional por sua vocação em &#8220;depositar&#8221; ideias em seu público, o que Freire chama de &#8220;concepção bancária&#8221;. Diz o autor:</p>
<blockquote><p>&#8220;Quanto mais analisamos as relações educador-educandos, na escola, em qualquer de seus níveis (ou fora dela), parece que mais nos podemos convencer de que estas relações apresentam um caráter especial e marcante —o de serem relações fundamentalmente <em>narradoras, dissertadoras</em>. (&#8230;) Falar da realidade como algo parado, estático, compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou dissertar sobre algo completamente alheio à experiência existencial dos educandos vem sendo, realmente, a suprema inquietação desta educação. A sua irrefreada ânsia. Nela, o educador aparece como seu indiscutível agente, como o seu real sujeito, cuja tarefa indeclinável é &#8216;encher&#8217; os educandos com conteúdos de sua narração. Conteúdos que são retalhos da realidade desconectados da totalidade em que se engendram e em cuja visão ganhariam significação. A palavra, nessas dissertações, se esvazia da dimensão concreta que devia ter ou se transforma em palavra oca, em verbosidade alienada e alienante. Daí que seja mais som que significação e, assim, melhor seria não dizê-la. Por isto mesmo é que uma das características desta educação dissertadora é a &#8216;sonoridade&#8217; da palavra e não sua força transformadora.&#8221; (FREIRE, 2005, p. 65)</p></blockquote>
<p><span id="more-545"></span></p>
<p>Seis anos depois de nossa graduação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, e dez anos após ter iniciado nossa carreira em um grande jornal diário da capital paulista, podemos precisar que foi esta a exata sensação que tivemos em relação ao jornalismo. Atividade em grande parte &#8220;dissertadora&#8221;, em muitos momentos distante do público —a maior parte do material produzido nas redações parte de contatos telefônicos ou via e-mail com órgãos oficiais ou instituições; o processo de inclusão de personagens está mais próximo da busca de alguém que se encaixe na própria teoria que na descoberta do novo, do diferente. Palavras sonoras, mas pouco transformadoras. E o distanciamento só se acentua quando consideramos a extrema dependência dos veículos nacionais em relação ao agendamento global de informações —que ocorre notadamente por influência de agências internacionais de notícias como Agence France Presse, Associated Press, EFE e Reuters, para citar apenas algumas. Como relata Moreira (1996, p. 23), &#8220;a despeito das diferenças e distâncias econômicas, políticas e culturais [em relação a seus países de origem], as agências internacionais fornecem mais de 70% de tudo que se ouve, lê ou vê sobre o mundo no Brasil&#8221;.</p>
<p>Isso reforça ainda mais no público leitor a sensação de estrangeiro identificada por Sérgio Buarque de Holanda na alma do brasileiro, como veremos adiante. E distancia-o da transformação social, que exige de qualquer força que procure liderá-la um testemunho ligado à ação cultural e à experiência histórica/existencial de uma população que deseja libertar-se. Segundo Freire (2005, p. 203): &#8220;Sendo históricas estas dimensões do testemunho, o dialógico, que é dialético, não pode importá-las simplesmente de outros contextos sem uma prévia análise do seu. A não ser assim, absolutiza o relativo e, mitificando-o, não pode escapar à alienação.&#8221; Em seu &#8220;Educação como Prática da Liberdade&#8221;, Freire fala um pouco de como a mídia, como estabelecida no Brasil, contribui para este processo:</p>
<blockquote><p>&#8220;Excluído da órbita das decisões, cada vez mais adstritas a pequenas minorias, [o brasileiro] é comandado pelos meios de publicidade, a tal ponto que, em nada confia ou acredita se não ouviu no rádio, na televisão ou se não leu nos jornais. Daí a sua identificação com formas míticas de explicação do seu mundo. Seu comportamento é o do homem que perde dolorosamente o seu endereço. É o homem desenraizado. Sentíamos, igualmente, que estava a nossa democracia em aprendizagem, sob certo aspecto, o histórico-cultural, fortemente marcada por descompassos nascidos de nossa inexperiência do autogoverno. Por outro, ameaçada pelo risco de não ultrapassar a transitividade ingênua, a que não seria capaz de oferecer ao homem brasileiro, nitidamente, a apropriação do sentido altamente mutável de sua sociedade e do seu tempo. Mais ainda, não lhe daria, o que é pior, a convicção de que participava das mudanças de sua sociedade. Convicção indispensável ao desenvolvimento da democracia.&#8221; (FREIRE, 2008, p. 98)</p></blockquote>
<p>E o autor prossegue, falando sobre o processo pedagógico e sobre o caminho que o analfabeto percorre da escuridão iletrada ao domínio da língua:</p>
<blockquote><p>&#8220;O analfabeto aprende criticamente a necessidade de aprender a ler e a escrever. Prepara-se para ser o agente deste aprendizado. E consegue fazê-lo, na medida mesma em que a alfabetização é mais do que o simples domínio psicológico e mecânico de técnicas de escrever e ler. É o domínio dessas técnicas em termos conscientes. É entender o que se lê e escrever o que se entende. É comunicar-se graficamente. É uma incorporação. Implica não uma memorização visual e mecânica de sentenças, de palavras, de sílabas, desgarradas de um universo existencial —coisas mortas ou semimortas— mas uma atitude de criação e recriação. Implica numa autoformação de que possa resultar uma postura interferente do homem sobre seu contexto.&#8221; (FREIRE, 2008, p. 119)</p></blockquote>
<p>O analfabeto, em nossa metáfora que tenta paralelizar a obra de Paulo Freire aos objetivos do jornalismo colaborativo, seria aquele que não tem acesso à imprensa —mais do que isso, pois, segundo Freire, o mero domínio psicológico e mecânico da língua não basta à real alfabetização, como, para nós, o simples acesso ao noticiário e até mesmo sua discussão em círculos sociais não implica real domínio sobre a mídia. O simples consumo de informação sem uma relação direta desta informação com a transformação da própria realidade passa a ser palavrório vazio, brincadeira de jogral, repetição mecânica de palavras e mensagens. Não gera a postura interferente do homem sobre seu contexto —o que não contribui para conectar o brasileiro à sua própria realidade, pelo contrário.</p>
<p>Freire enxerga num processo que chama de <em>prescrição</em> um dos maiores obstáculos à libertação e uma das causas da criação de uma situação opressor-oprimido. Quando prescreve uma ideia, uma teoria, o educador —e, por que não, também o jornalista— impõe uma visão de mundo a outra consciência. Ação alienante, segundo Freire, capaz de transformar a consciência receptora em uma &#8220;consciência hospedeira&#8221; da consciência opressora. &#8220;Por isso, o comportamento dos oprimidos é um comportamento prescrito. Faz-se à base de pautas estranhas a eles —as pautas dos opressores&#8221;:</p>
<blockquote><p>&#8220;Os oprimidos, que introjetam a &#8216;sombra&#8217; dos opressores e seguem suas pautas, temem a liberdade, na medida em que esta, implicando a expulsão desta sombra, exigiria deles que &#8216;preenchessem&#8217; o &#8216;vazio&#8217; deixado pela expulsão com outro &#8216;conteúdo&#8217; —o de sua autonomia. O de sua responsabilidade, sem o que não seriam livres. A liberdade, que é uma conquista, e não uma doação, exige uma permanente busca. Busca permanente que só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre: pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem. Não é também a liberdade um ponto ideal, fora dos homens, ao qual inclusive eles se alienam. Não é ideia que se faça mito. É condição indispensável ao movimento de busca em que estão inscritos os homens como seres inconclusos.&#8221; (FREIRE, 2005, p. 37)</p></blockquote>
<p>Para Freire, a pedagogia do oprimido tem suas raízes na inserção crítica das pessoas em sua realidade, na ação prática de homens empenhando-se por sua libertação. Ao ser uma forma de reconectar a pessoa à sua realidade, ao seu contexto, ao seu entorno, enxergamos no jornalismo colaborativo o &#8220;jornalismo do oprimido&#8221;, uma forma de reinserir o (antigo) público de forma crítica em sua realidade, da qual muitas vezes se vê afastado pela atitude que a imprensa em geral, e os grandes portais de Internet em particular, tomam em relação ao noticiário, como antes exposto.</p>
<p>O primeiro passo para este processo de libertação ter início, porém, é o &#8220;oprimido&#8221; consientizar-se de sua situação concreta. Esta descoberta de si mesmo, no entanto, é dificultada exatamente pela prescrição, que aloca no &#8220;oprimido&#8221; o próprio &#8220;opressor&#8221;:</p>
<blockquote><p>&#8220;[Uma das estruturas da dominação] é a dualidade existencial dos oprimidos que, &#8216;hospedando&#8217; o opressor, cuja &#8216;sombra&#8217; eles &#8216;introjetam&#8217;, são eles e ao mesmo tempo são o outro. Daí que, quase sempre, enquanto não chegam a localizar o opressor concretamente, como também enquanto não cheguem a ser &#8216;consciência para si&#8217;, assumam atitudes fatalistas em face da situação concreta de opressão em que estão. (&#8230;) De tanto ouvirem de si mesmos que são incapazes, que não sabem nada, que não podem saber, que são enfermos, indolentes, que não produzem em virtude de tudo isto, terminam por se convencer de sua &#8216;incapacidade&#8217;. Falam de si como os que não sabem e do &#8216;doutor&#8217; como o que sabe e a quem devem escutar. Os critérios de saber que lhe são impostos são os convencinais. (&#8230;) Até o momento em que os oprimidos não tomem consciência das razões de seu estado de opressão &#8216;aceitam&#8217; de forma fatalista sua exploração. Mais ainda, provavelmente assumam posições passivas, alheadas, com relação à necessidade de sua própria luta pela conquista da liberdade e de sua afirmação no mundo. Nisto reside sua &#8216;conivência&#8217; com o regime opressor.&#8221; (FREIRE, 2005, p. 54)</p></blockquote>
<p>A nós parece gritante a semelhança do processo de dominação pela educação descrito por Freire com a atitude que a imprensa em geral toma face a seu público. Cada vinheta comercial de revista ou jornal que <em>prescreve</em> ao público a necessidade de <em>estar informado</em> carrega em si a mensagem de que este mesmo público está <em>desinformado</em>. A pergunta que normalmente não lhe segue o raciocínio é —o que é informação? O tipo de noticiário <em>poubelle</em><a href="#2">²</a>, sobre celebridades, que cada vez mais toma conta das home pages dos principais portais brasileiros? A numeralha econômica intraduzível, legível somente por algumas dezenas de milhares de investidores? O escândalo deste ou daquele político em Brasília, que por toda a conformação do processo democrático brasileiro parece tão distante de minha realidade quanto a própria capital, encravada no Planalto Central? Tudo isso pode ser informação, notícia. Mas onde a informação sobre meu bairro, sobre minha cidade, sobre meu entorno? Onde a discussão sobre a violência que atinge minha região? Onde a crítica à falta de acesso à educação, saneamento, saúde em minha vizinhança? Onde, enfim, o tipo de fato concreto capaz de me levar a uma conscientização crítica sobre minha realidade e à possível ação sobre ela? Basta ler a revista semanal de maior circulação no país para estar realmente informado e capaz de transformar seu entorno?</p>
<blockquote><p>&#8220;As ideias das classes dominantes tendem a ser as ideias dominantes (proposição que, com nossa nova compreensão de linguagem e de seu funcionamento, poderíamos considerar pleonástica). Por pelo menos 200 anos foram os administradores das empresas capitalistas que dominaram o mundo —isto é, separaram o factível do implausível, o racional do irracional, o sensato do insano, e de outras formas ainda determinaram e circunscreveram a gama de alternativas dentro das quais confinar as trajetórias da vida humana. Era, portanto, sua visão do mundo, em conjunto com o próprio mundo, formado e reformado à imagem dessa visão, que alimentava e dava substância ao discurso dominante.&#8221; (BAUMAN, 2000, p. 66)</p></blockquote>
<p>É precisamente este distanciamento da imprensa em relação às pessoas que, em nossa visão, torna o jornalismo colaborativo —a emersão de um jornalismo feito pelo (antigo) público, ou que convoque as pessoas de maneira mais ostensiva à participação— ferramenta tão valiosa. E também fenômeno tão próximo à pedagogia proposta por Freire. Porque, assim como a educação tradicional, avaliada pelo autor, a nós parece que a mídia tradicional também fala com as pessoas pela sloganização, pela verticalidade, pelo &#8220;depósito de informação&#8221; —a mesma cultura <em>bancária</em> que Freire critica na educação. Este processo de mera narração, semelhante ao que o jornalismo tradicional produz, transforma o jornalista em sujeito (emissor) e o público em objeto (receptor), conduzindo o público à memorização mecânica de conteúdos, transformando o leitor ou usuário no que Freire chama de &#8220;vasilha&#8221; —recipientes a serem enchidos pela notícia, no caso do jornalismo, ou pelo conteúdo programático, no caso da educação. O que prejudica a compreensão do conteúdo:</p>
<blockquote><p>&#8220;Nosso papel não é falar ao povo sobre a nossa visão do mundo, ou tentar impô-la a ele, mas dialogar com ele sobre a sua e a nossa. Temos de estar convencidos de que a sua visão do mundo, que se manifesta nas várias formas de sua ação, reflete a sua <em>situação</em> no mundo, em que se constitui. A ação educativa e política não pode prescindir do conhecimento crítico dessa situação, sob pena de se fazer &#8216;bancária&#8217; ou de pregar no deserto. Por isto mesmo é que, muitas vezes, educadores e políticos falam e não são entendidos. Sua linguagem não sintoniza com a situação concreta dos homens a quem falam. E sua fala é um discurso a mais, alienado e alienante.&#8221; (FREIRE, 2005, p. 100)</p></blockquote>
<p>Ao contrário do que convencionou-se como negócio da grande imprensa, que <em>deposita</em> seu discurso a milhões de pessoas todos os dias, o jornalismo colaborativo pode ajudar na libertação do público incitando-o a criar seu próprio discurso, sua própria pronúncia do mundo. Tornando a mídia um ambiente de diálogo, e não de monólogo:</p>
<blockquote><p>&#8220;Se é dizendo a palavra com que, &#8220;pronunciando&#8221; o mundo, os homens o transformam, o diálogo se impõe como caminho pelo qual os homens ganham significação enquanto homens. Por isto, o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar idéias de um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de idéias a serem consumidas pelos permutantes. (&#8230;) Porque é encontro de homens que pronunciam o mundo, não deve ser doação do pronunciar de uns a outros. É um ato de criação. Daí que não possa ser manhoso instrumento de que lance mão um sujeito para a conquista do outro. A conquista implícita no diálogo é a do mundo pelos sujeitos dialógicos, não a de um pelo outro. Conquista do mundo para a libertação dos homens.&#8221; (FREIRE, 2005, p. 91)</p></blockquote>
<p>Para Freire, o caminho para a essa transformação é a colaboração: &#8220;(&#8230;) na teoria dialógica da ação, os sujeitos se encontram para a transformação do mundo em co-laboração&#8221; (2005, p. 191). No monólogo característico da educação <em>bancária</em> ou da imprensa tradicional, a manipulação anestesia as massas populares e facilita sua dominação. Já no diálogo presente na colaboração, a manipulação cede lugar à organização —que exige, segundo o autor, um processo de liderança. Mas não uma liderança que pretenda substituir a opressão existente, mas que haja em contato &#8220;ousado e amoroso&#8221;, em conjunto com o povo, e não <em>para</em> o povo:</p>
<blockquote><p>&#8220;A organização das massas populares em classe é o processo no qual a liderança revolucionária, tão proibida quanto estas, de dizer sua palavra, instaura o aprendizado da <em>pronúncia</em> do mundo, aprendizado verdadeiro, por isto, dialógico. Daí que não possa a liderança dizer sua palavra sozinha, mas com o povo. A liderança que assim não procesa, que insista em impor sua palavra de ordem, não organiza, manipula o povo. Não liberta, nem se liberta, oprime.&#8221; (FREIRE, 2005, p. 205)</p></blockquote>
<p>Por isso torna-se necessário, em nosso ponto de vista, estender o estudo sobre o papel do jornalista enquanto liderança —moderador de discursos em um cenário de produção colaborativa de conteúdo. Alguém capaz de fazer emergir a <em>pronúncia</em> do mundo do (antigo) público, engajando-o.</p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<p><a name="1"></a>[1] United Nations Statistics Division. Indicators on literacy, Jun/09. Disponível em: &lt;<a href="http://unstats.un.org/unsd/demographic/%0bproducts/socind/literacy.htm">http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/socind/literacy.htm</a>&gt;. Acesso em 12 ago. 2009.</p>
<p><a name="2"></a>[2] Ignácio Ramonet, diretor do <em>Le Monde Diplomatique</em>, faz uma crítica ao tipo de imprensa <em>poubelle</em> que se ocupa de celebridades —e mesmo à grande imprensa, que desde a morte de Lady Di passou a ocupar-se do mundo das celebridades como forma de vender jornais. &#8220;Os paparazzi não são mais do que o resultado da situação geral da mídia, uma situação dominada pelo mercado e pelo lucro. &#8216;Há uma realidade do mercado&#8217;, conforma Jean-François Leroy, fotojornalista que, desde 1989, dirige a prestigiada manifestação &#8216;Visa pour l&#8217;image&#8217;, de Perpignan. &#8216;Quando <em>Paris-match</em> faz sua cobertura sobre François Mittérrand em visita a Sarajevo, vende muito menos do que quando sua manchete é sobre a morte de um animador de programas de TV, como Patrick Leroy: 1,8 milhão de exemplares. (&#8230;) Quando perguntávamos aos nossos pais o que eles tinham feito contra o nazismo, eles respondiam: &#8216;Não sabíamos&#8217;. Na verdade, o que aconteceu nos campos só fio descoberto depois de 1945, com as fotos de Margaret Bourke-White. Mas nós, quando nossos filhos perguntarem: &#8216;O que vocês fizeram contra o genocídio de Ruanda?&#8217;, teremos que responder: &#8216;Estávamos ocupados com Stefanie de Mônaco.&#8217;&#8221; (RAMONET, 1999, p. 11)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/clicologoexisto.wordpress.com/545/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/clicologoexisto.wordpress.com/545/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=545&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Jornalismo, jogos e conceitos de autoria digital</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Apr 2011 13:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao prosseguir em nosso intuito de concluir o estudo apontando rumos para estudos futuros, deparamo-nos neste ponto com o estudo da autoria —mais especificamente das transformações que ela sofreu com o advento do computador e da Internet. Como o jornalista tem sua realidade transformada por elas, e como elas podem ajudá-lo? Um breve percurso bibliográfico [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=540&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao prosseguir em nosso intuito de concluir o estudo apontando rumos para estudos futuros, deparamo-nos neste ponto com o estudo da autoria —mais especificamente das transformações que ela sofreu com o advento do computador e da Internet. Como o jornalista tem sua realidade transformada por elas, e como elas podem ajudá-lo?</p>
<p>Um breve percurso bibliográfico nos revelou nos estudos de Janet Murray em seu &#8220;Hamlet no Holodeck&#8221; alternativas para chegar a um novo paradigma para a atuação do jornalista enquanto autor que podem ser melhor exploradas em pesquisas específicas e de maior profundidade.</p>
<p><span id="more-540"></span></p>
<p>Hamlet, o personagem shakespeariano, o leitor certamente já conhece. O holodeck, no entanto, é considerado no livro como a &#8220;mais poderosa tecnologia de ilusão sensorial que se pode imaginar&#8221; (MURRAY, 2003, p. 39). Criação da série de ficção científica &#8220;Jornada nas Estrelas&#8221;, consiste de um cubo negro e vazio, coberto por uma grade de linhas brancas, sobre o qual um computador pode projetar elaboradas simulações, combinando holografia com campos de força magnéticos e conversão de energia em matéria. Dentro do holodeck, o usuário não lê a história, ele participa dela. E diferentemente do distanciamento da tela do computador ou da ilusão óptica de um cinema 3D, ele pode tocar e interagir materialmente com os personagens. Com o título de seu livro, a autora propõe exatamente o movimento de levar as narrativas clássicas para um ambiente de interação que engaje o interator e leve-o à ação —ainda que, cabe aqui a ressalva, ação sobre um mundo ficcional, distante da realidade.</p>
<p>Murray cita em sua obra um episódio de &#8220;Jornada nas Estrelas&#8221; cujo desafio da capitã Janeway, que vive em seu holodeck um romance com um lorde da época vitoriana, é lidar com uma forma alienígena invisível aos olhos humanos que induz alucinações nos tripulantes da <em>Enterprise</em>, ameaçando a segurança da nave. Mas Janeway consegue reconhecer o farsante, e apaga o programa de computador que gerava sua história com o lorde do século 19. Diferentemente de personagens de Aldous Huxley em &#8220;Admirável Mundo Novo&#8221; ou Ray Bradbury em &#8220;Fahrenheit 451&#8243;, colocados como vítimas das tecnologias, Janeway é a mestra do dispositivo que está criando a ilusão. Ela mantém o controle sobre a história, da mesma forma que, ao ler um livro e mergulhar em seu enredo, um leitor pode a qualquer tempo fechar o volume e emergir das páginas.</p>
<p>Deste cenário então surgem, para nós, alguns paralelos interessantes. O primeiro é o papel ativo da capitã na interação —algo que remete ao jornalismo colaborativo e ao engajamento que Freire propõe ao &#8220;oprimido&#8221;, aqui tido como (antigo) público que desejamos convidar à participação. O segundo, é o tipo de preparação e mentalidade que o jornalista deve começar a ter para criar histórias que não apenas possam ser narradas, mas também vivenciadas em plataformas tecnológicas que, cada vez mais, permitirão participação ativa do (antigo) público. É a chamada autoria procedimental:</p>
<blockquote><p> “Precisaremos descobrir uma maneira que permita a eles [os autores] escrever de forma procedimental; antecipar todas as reviravoltas do caleidoscópio, todas as ações do interator, e especificar não apenas os acontecimentos do enredo, mas também as regras sob as quais estes eventos ocorrerão. Os escritores precisaram de um método concreto para estruturar uma historia coerente, não como uma sequencia isolada de eventos, mas como um enredo multiforme aberto a participação colaborativa do interator.” (MURRAY, 2003, p. 179)</p></blockquote>
<p>É um jogo, o RPG (role-playing game, ou jogo de atuação), uma das formas mais ativas para engajamento na construção destes cenários interativos, segundo a autora. Isso porque os jogadores são atores e espectadores uns dos outros, e os eventos que eles encenam frequentemente possuem o imediatismo das experiências pessoais. Nos jogos temos a possibilidade de simular nossa relação mais básica com o mundo: nosso desejo de superar os problemas, lidar com as derrotas, criar e recriar nosso ambiente, fazer a vida se encaixar como peças de um quebra-cabeça. &#8220;Da mesma forma que as cerimônias religiosas de passagem pelas quais marcamos o nascimento, a maioridade, o casamento e a morte, os jogos são ações rituais que nos permitem encenar simbolicamente os padrões que dão sentido a nossas vidas&#8221;. (MURAY, 2003, p. 141)</p>
<p>No contexto da autoria procedimental, o autor digital passa então a escrever mais do que simples textos —ele cria cenários. O autor constrói mundos interativos que facilitem a imersão do (antigo) público em um novo tipo de narrativa, cria as &#8220;leis&#8221; que regem este universo e as possibilidades de ação do interator dentro dele.</p>
<p>E por que não lançar mão dos jogos para complementar a narrativa jornalística? Nick Diakopoulos (2009), da Escola de Literatura, Comunicação e Cultura do Instituto de Tecnologia da Georgia (EUA), participa do projeto &#8220;News Games&#8221;, que procura estudar a relação entre as duas áreas. A principal barreira de integração entre jornalismo e jogos, segundo o autor, é a falta de reconhecimento deste último, normalmente associado com frivolidade e falta de produtividade. As notícias, ao contrário, possuem uma <em>aura</em> ao seu redor —reforçada pelo prestígio das organizações de notícias, que as legitimam. O problema, segundo Diakopoulos, é que o noticiário normalmente é centrado em eventos, ações e pessoas —e perde a chance de aproveitar o potencial dos jogos. &#8220;Aí está onde os jogos podem prover algo a mais: jornalismo orientado a processos. Por exemplo: como funciona o processo de colégios eleitorais? (&#8230;) Os jogos se adaptam perfeitamente à explicação de processos&#8221;, segundo Diakopoulos, em um formato convincente.</p>
<p>Talvez sem perceber esta tendência, a maior parte dos sites da chamada Web 2.0 já tem funcionalidades muito semelhantes às de jogos. Esta pelo menos é a visão de Cindy Weng em seu &#8220;The Web &#8211; Hidden Games&#8221;, em que a autora se debruça sobre o agregador de notícias Digg (<a href="http://digg.com/">http://digg.com</a>), o site de vídeos Youtube (<a href="http://www.youtube.com/">www.youtube.com</a>) e a rede social Facebook (<a href="http://www.facebook.com/">www.facebook.com</a>):</p>
<blockquote><p> &#8221;[Enxergar estes sites como jogos] nos auxilia a compreender por que eles são bem sucedidos. Há um padrão desenvolvido que praticamente garante este sucesso: cada site tem suas próprias metas, facilidade de jogo, estratégias e recompensas. Como há objetivos aos usuários, eles não se sentem perdendo tempo quando contribuem para o site. Há um certo grau de sucesso conquistado quando você &#8216;vence&#8217;, e isso é suficiente para que participar de Digg, Youtube e Facebook valha a pena. Outro fator é a facilidade de &#8216;jogar os jogos&#8217;. Não é necessário fazer uma cirurgia cerebral para perceber como as coisas funcionam, e o sucesso é mais baseado na personalidade que em habilidades. Qualquer um pode encontrar uma notícia interessante e submetê-la ao Digg; qualquer um pode gravar um vídeo e colocá-lo no Youtube; todos têm amigos e podem construir suas redes no Facebook. (&#8230;) Fazer as coisas de um jeito divertido é a nova tendência.&#8221; (WENG, 2007, p. 120)</p></blockquote>
<p>O &#8220;jeito divertido&#8221; pode ser uma das maneiras que o jornalista, enquanto autor digital, pode encontrar para motivar o (antigo) público a se aproximar do noticiário e iniciar a construção de um diálogo. Ao mesmo tempo, para concluir nossos apontamentos para estudos futuros, julgamos que interessará ao pesquisador que quiser se aprofundar no desenvolvimento do jornalismo colaborativo no Brasil compreender características que fundam o espírito brasileiro, de um ponto de vista antropológico e sociológico, justamente para evitar a importação de soluções à nossa realidade, o que afasta e aliena, como alerta Freire. Desta forma abre-se o caminho para a discussão de obstáculos e facilitadores para a motivação do público brasileiro, de forma a engajá-lo na construção do noticiário.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/clicologoexisto.wordpress.com/540/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/clicologoexisto.wordpress.com/540/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=540&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Motivações para a colaboração e as raízes do Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2011 12:28:31 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O engajamento com a produção da informação sobre a própria realidade, que leva a um aprofundamento de visão sobre si mesmo e sobre a sociedade em que está inserido, deve fundar qualquer iniciativa que deseje proclamar-se jornalismo colaborativo; e não a simples abertura de sistemas de publicação ao grande público (liberdade de publicação) ou a possibilidade de fazer parte do cenário midiático, seja comentando-o, seja corrigindo-o em plataformas da própria mídia de massa, ou em plataformas independentes.</p>
<p><span id="more-522"></span>Bowman e Willis (2003) elencam alguns dos que consideram os principais motivos que levam uma pessoa a aderir a uma rede social e, uma vez dentro dela, interagir com outros usuários. O primeiro deles é ganhar status ou construir uma reputação em determinada comunidade. &#8220;O reconhecimento social é uma das maiores motivações, intoxicando os participantes com gratificação e aprovação instantâneas.&#8221; (2003, p. 38) Este reconhecimento também pode se traduzir em remuneração —outra motivação à colaboração, não abordada diretamente pelos autores, já que pequenos empresários, consultores ou escritores podem construir reputação positiva e traduzi-la em oportunidades de negócios no mundo real. O próximo fator de motivação citado pelos autores é a criação de conexões com pessoas que tenham interesses similares, tanto no mundo real como no virtual:</p>
<blockquote><p>&#8220;As pessoas querem nutrir suas obsessões e dividi-las com pessoas que pensam como elas. Isso é o que motiva, em grande parte, muitas das conexões sociais na Internet. Seja uma página de fãs do pianista e vocalista de jazz dos anos 50 e 60 Buddy Greco ou um banco de dados de aerofólios usados no projeto de um avião, as pessoas estão usando comunidades online para compartilhar paixões, credos, hobbies e estilos de vida. Stuart Golgoff, do Departamento de Aprendizado Distribuído da Universidade do Arizona, diz que &#8216;enquanto as salas de bate-papo, os newsgroups, os fóruns e os quadros de mensagens exercem um papel na comunicação mediada pelo computador, a Web assumiu um lugar proeminente para forjar relações entre pessoas com interesses comuns&#8217;.&#8221; (BOWMAN; WILLIS, 2003, p. 39).</p></blockquote>
<p>Outra motivação à colaboração destacada pelos autores é a necessidade das pessoas em melhor compreenderem o mundo e darem sentido às informações. Isso porque, para Kovach e Rosenstiel<a href="#1">¹</a> (2004 apud BOWMAN; WILLIS, 2003, p.41), &#8220;o tipo de jornalismo que tem foco na elite especialista é, em parte, responsável pela desilusão do público. Esse tipo de noticiário não reflete o mundo como as pessoas o vivem e experimentam&#8221;, dizem os autores —o que faz eco e confirma nossa percepção ao paralelizar a imprensa tradicional à pedagogia bancária descrita por Freire (2003).</p>
<blockquote><p>&#8220;Expostas a um enorme fluxo de informações de uma grande quantidade de fontes de mídia, as pessoas têm recorrido mais a comunidades online para aprender e dar sentido às coisas. (&#8230;) Veja o crescente número de especialistas no noticiário tentando explicar flutuações de mercado, manobras políticas ou avanços médicos. (&#8230;) Weblogs, fóruns, usenets e outras formas de sociabilidade online se tornaram mananciais de sentido em tempo real sobre qualquer assunto. Eles também funcionam como arquivos de perspectivas.&#8221; (BOWMAN; WILLIS, 2003, p.41)</p></blockquote>
<p>Além da informação, a diversão também é um fator de motivação para a colaboração segundo os autores. E por fim, o processo de criação também é um estímulo: &#8220;Aqueles que participam online normalmente criam conteúdo para informar e entreter os outros. Mas criar também constrói a auto-estima e, na visão de Maslow, é um ato de realização pessoal&#8221; (BOWMAN; WILLIS, 2003, p. 42). A autora norte-americana Amy Jo Kim (2000) também recorre ao psicólogo Abraham Maslow para compreender motivações na rede. Maslow acreditava que as pessoas são motivadas a fazer algo pela compulsão em satisfazer desejos, desde os básicos, ligados à sobrevivência, até os mais complexos ou abstratos, ligados à satisfação pessoal. Ele também acreditava que as necessidades complexas não poderiam ser satisfeitas enquanto as mais básicas não o fossem. Bowman e Willis (2003, p. 39) usam a pirâmide de Maslow para comparar os objetivos e necessidades de participantes de comunidades online:</p>
<p align="center">TABELA 1</p>
<p align="center">A Hierarquia de Necessidades de Maslow e as Comunidades Online</p>
<div align="center">
<table width="567" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="189">
<p align="center"><strong>Necessidade</strong></p>
</td>
<td width="189">
<p align="center"><strong>Offline (Maslow)</strong></p>
</td>
<td width="189">
<p align="center"><strong>Online (Comunidades)</strong></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="189">
<p align="center">Fisiologia</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Comida, roupa, abrigo, saúde</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Acesso ao sistema, habilidade de obter e manter uma identidade enquanto participa de uma comunidade virtual</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="189">
<p align="center">Segurança</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Proteção de crimes e guerras, o senso de viver em uma sociedade justa</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Proteção contra hackers e ataques pessoais, capacidade de manter diversos níveis de privacidade</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="189">
<p align="center">Amor/Relacionamento</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Habilidade de dar e receber amor, sentimento de pertencer a um grupo</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Pertencer à comunidade como um todo, e a subgrupos dentro da comunidade</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="189">
<p align="center">Estima</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Respeito próprio, habilidade de ganhar o respeito dos outros e contribuir para a sociedade</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Capacidade de contribuir à comunidade e ser reconhecido por estas contribuições</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="189">
<p align="center">Realização Pessoal</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Capacidade de auto-desenvolvimento e conquista de seu potencial</p>
</td>
<td width="189">
<p align="center">Capacidade de assumir responsabilidade um papel dentro da comunidade capaz de desenvolver habilidades e criar novas oportunidades</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Fonte: BOWMAN; WILLIS, 2003, p. 39</p>
<p>Shirky (2008, p. 132) também aponta razões pelas quais ele mesmo, certa vez, decidiu reescrever o trecho de um artigo na Wikipedia (<a href="http://www.wikipedia.org/">www.wikipedia.org</a>) sobre fractais, assunto que o autor revela não conhecer em profundidade:</p>
<blockquote><p>“(&#8230;) sei de pelo menos três razões que me levaram a reescrever aquela descrição. A primeira foi a chance de exercitar algumas capacidades mentais adormecidas —estudei fractais em uma disciplina de física na faculdade na década de 1980 e fiquei feliz em lembrar o suficiente sobre a bola de neve de Koch para ser capaz de dizer algo útil sobre ela, apesar de modesto. A segunda razão foi vaidade —o prazer de mudar alguma coisa no mundo, só para ver meu nome nela. (&#8230;) A terceira fio o desejo de fazer algo de bom.”</p></blockquote>
<p>Observa-se portanto que as motivações para a colaboração online ainda merecem estudo mais aprofundado e sistemático —e, no caso brasileiro, mereceriam em nosso ponto de vista uma associação mais profunda a análises antropológicas e sociológicas do Brasil e do brasileiro em si, além de características específicas de sua relação com a Internet, para evitar a mera &#8220;importação&#8221; de soluções, como já explicitamos.</p>
<p>Um dos caminhos para mapear os desafios do cenário brasileiro à adoção do jornalismo colaborativo seria, a nosso ver, aprofundar estudos de características socioculturais que diferenciam o povo brasileiro das populações de onde importamos as principais soluções tecnológicas de nosso tempo. À ética protestante e o espírito do capitalismo, opõem-se as raízes do Brasil —e nosso jogo de palavras aqui tem intenção. Em seu &#8220;Raízes do Brasil&#8221;, Sérgio Buarque de Holanda traça um perfil social do brasileiro a partir de nossa origem ibérica, que, segundo o autor, predomina sobre todas as outras em nosso arcabouço cultural. E isso teve consequências que nos diferenciam dos norte-americanos que usam o Digg ou dos sul-coreanos que fazem do OhMyNews o principal site de jornalismo colaborativo do mundo. A primeira delas é que ao tentar implantar a cultura ibérica em um território extenso, de condições naturais diversas das encontradas na Europa, e trazendo de lá nossas formas de convívio, instituições e ideias, acabamos por nos tornar &#8220;desterrados em nossa própria terra&#8221; (HOLANDA, 2004, p. 31). É como se a alienação detectada por Freire (2005) ganhasse ainda mais peso —e tivesse seu fecho por fim cerrado com a dinâmica de dominação social detectada por Castells (2006):</p>
<blockquote><p>&#8220;A forma fundamental de dominação de nossa sociedade baseia-se na capacidade organizacional da elite dominante que segue de mãos dadas com sua capacidade de desorganizar os grupos da sociedade que, embora constituam maioria numérica, vêem (se é que vêem) seus interesses parcialmente representados apenas dentro da estrutura do atendimento dos interesses dominantes. A articulação das elites e a segmentação e desorganização da massa parecem ser os mecanismos gêmeos de dominação social em nossas sociedades. (…) as elites são cosmopolitas, as pessoas são locais. (…) Portanto, quanto mais uma organização social baseia-se em fluxos aistóricos, substituindo a lógica de qualquer lugar específico, mais a lógica do poder global escapa ao controle sociopolítico das sociedades locais/nacionais historicamente específicas.&#8221; (CASTELLS, 2006, p. 504)</p></blockquote>
<p>A esta sensação soma-se um certo culto à personalidade, ao individualismo, que fez com que, segundo Holanda, os brasileiros herdássemos de nossos ancestrais portugueses e espanhóis certa dificuldade em fazerem surgir organizações sociais espontâneas e duradouras entre nós:</p>
<blockquote><p>&#8220;Precisamente a comparação entre elas [as culturas ibéricas] e as da Europa de além-Pirineus faz ressaltar uma característica bem peculiar à gente da península Ibérica, uma característica que ela está longe de partilhar, pelo menos na mesma intensidade, com qualquer de seus vizinhos do continente. É que nenhum desses vizinhos soube desenvolver a tal extremo essa cultura da personalidade, que parece constituir o traço mais decisivo na evolução da gente hispânica, desde tempos imemoriais. (&#8230;) Para eles, o índice do valor de um homem infere-se, antes de tudo, da extensão em que não precise depender dos demais, em que não necessite de ninguém, em que se baste. (&#8230;) É dela que resulta largamente a singular tibieza das formas de organização, de todas as associações que impliquem solidariedade e ordenação entre esses povos. Em terra onde todos são barões não é possível acordo coletivo durável, a não ser por uma força exterior respeitável e temida.&#8221; (HOLANDA, 2004, p. 32)</p></blockquote>
<p>Outro desafio a ser vencido também diz respeito ao contraste entre a cultura herdada dos povos ibéricos e a cultura protestante —seria nossa falta de apreço ao trabalho ou sua ligação ao mérito, à salvação. Segundo o autor, a atitude normal do povo ibérico —e que, portanto, influencia até hoje nossa cultura— é precisamente a inversa, em que &#8220;o &#8216;ser&#8217;, a &#8216;gravidade&#8217;, o &#8216;termo honrado&#8217;, o &#8216;proceder sisudo&#8217;, esses atributos que ornam e engrandecem (&#8230;) representam virtudes essencialmente inativas, pelas quais o indivíduo se reflete sobre si mesmo e renuncia a modificar a face do mundo&#8221;:</p>
<blockquote><p>&#8220;É compreensível, assim, que jamais se tenha naturalizado entre gente hispânica a moderna religião do trabalho e o apreço à atividade utilitária. Uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente, até mais nobilitante, a um bom português, ou a um espanhol, do que a luta insana pelo pão de cada dia. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação. E assim, enquanto povos protestantes preconizam e exaltam o esforço manual, as nações ibéricas colocam-se ainda largamente no ponto de vista da Antiguidade clássica. O que entre elas predomina é a concepção antiga de que o ócio importa mais que o negócio e de que a atividade produtora é, em si, menos valiosa que a contemplação e o amor.&#8221;  (HOLANDA, 2004, p. 38)</p></blockquote>
<p>Coloca-se no destrinchar destas questões culturais, ao lado do desenvolvimento de estudos sobre o papel educativo do jornalismo colaborativo sob a óptica de Paulo Freire e de ferramentas que possam auxiliar o jornalista em seu novo papel de autor digital, o maior desafio das iniciativas que pretendam levar o jornalismo colaborativo a todo seu potencial no Brasil. Para que a visão dos primeiros autores que se debruçaram sobre ele possa florescer como a ampliação da democracia, do acesso à informação e da realização do jornalismo como ferramenta de transformação e justiça social.</p>
<p>Contudo, apesar das evidências de nosso estudo, e diante dos aspectos delimitadores que já apontamos na estruturação de nossa metodologia, é fundamental retomarmos o caráter não conclusivo e não generalizador da pesquisa, deixando espaço para a discussão do conceito de jornalismo colaborativo e sua adequação às características das operações de mídia informativa na web brasileira.</p>
<p>Há que se ressaltar também que existe na web brasileira uma sucessão de iniciativas independentes —a exemplo do Centro de Mídia Independente, braço do site Indymedia no Brasil, do Wikinews de e outros casos nacionais, como o próprio Overmundo ou o BrasilWiki, já citados em capítulos anteriores— destinadas exclusivamente ao engajamento do cidadão como participante da cena social que, por suas características e recortes editoriais, favorecem uma exposição de jornalismo bem mais próxima da colaboração que aquela provida pelos portais. Neste estágio da pesquisa, no entanto, não nos ateremos ao estudo dessas iniciativas, especialmente pela falta de abrangência de seu público, como definido previamente em nosso recorte. Porém neste âmbito também é possível enxergar uma série de estudos possíveis para buscar melhor compreender a natureza e a prática do jornalismo colaborativo no Brasil.</p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a name="1"></a>[1] KOVACH, Bill &amp; ROSENSTIEL, Tom. Os elementos do jornalismo: O que os jornalistas devem saber e o público exigir. São Paulo: Geração Editorial, 2004.</p>
</div>
</div>
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	</item>
		<item>
		<title>Bibliografia para Jornalismo Colaborativo</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Apr 2011 12:26:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madu</dc:creator>
				<category><![CDATA[colaborAção]]></category>
		<category><![CDATA[contraCultura]]></category>
		<category><![CDATA[metaMídia]]></category>
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		<description><![CDATA[Nesta página você encontra não tudo o que li com o devido esmero, mas tudo o que passou por minhas mãos durante quatro anos de pesquisas sobre jornalismo, jornalismo colaborativo e mídias sociais. Bom proveito! =) ANDERSON, Chris. A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=clicologoexisto.wordpress.com&amp;blog=1704539&amp;post=519&amp;subd=clicologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Nesta página você encontra não tudo o que li com o devido esmero, mas tudo o que passou por minhas mãos durante quatro anos de pesquisas sobre jornalismo, jornalismo colaborativo e mídias sociais. Bom proveito! =)</strong></em></p>
<p>ANDERSON, Chris. <strong>A Cauda Longa</strong>: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.</p>
<p>BENTLEY, Clyde H. Reconecting with the audience. <strong>Nieman Reports</strong>, Cambridge: Nieman Foundation for Journalism at Harvard, 2005. Disponível em: &lt;<a href="http://www.nieman.harvard.edu/reportsitem.aspx?id=100566">http://www.nieman.harvard.edu/reportsitem.aspx?id=100566</a>&gt;. Acesso em: 17 abr. 2009.</p>
<p>BENKLER, Yoshai. <strong>The wealth of networks</strong>. How social production transforms markets and freedom. New Haven: Yale University Press, 2006.</p>
<p>BOLTER, Jay David; MACINTYRE, Blair; GANDY, Maribeth; SCHEWEITZER, Petra. New Media and the Permanent Crisis of Aura. <strong>Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies</strong>, Thousand Oaks, v. 12, n. 1 p. 21-39, 2006. Disponível em: &lt;<a href="http://con.sagepub.com/cgi/content/abstract/12/1/21">http://con.sagepub.com/cgi/content/abstract/12/1/21</a>&gt;. Acesso em: 22 abr. 2009.</p>
<p><span id="more-519"></span>BORGES, Susana. A segunda fase do Jornalismo Público. <strong>Estudos em Comunicação</strong>, Covilhã, n. 5, p. 95-113, 2009. Disponível em: &lt;<a href="http://www.labcom.ubi.pt/ec/05/">http://www.labcom.ubi.pt/ec/05/</a>&gt;. Acesso em 21 jun. 2009.</p>
<p>BOSI, Ecléa. <strong>O Tempo Vivo da Memória</strong>, Ensaios de Psicologia Social. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.</p>
<p>BOWMAN, Shayne e WILLIS, Chris. We Media: How audiences are shaping the future of news and information. Reston: Media Center at American Press Institute, 2003. Disponível em: &lt;<a href="http://www.hypergene.net/wemedia/download/we_media.pdf">http://www.hypergene.net/wemedia/download/we_media.pdf</a>&gt;. Acesso em: 12 mar. 2009.</p>
<p>____________________________. The Future Is Here, But Do News Media Companies See It? <strong>Nieman Reports</strong>, Cambridge: Nieman Foundation for Journalism at Harvard, 2005. Disponível em: &lt;<a href="http://www.nieman.harvard.edu/reportsitem.aspx?%0bid=100558">http://www.nieman.harvard.edu/reportsitem.aspx?<br />
id=100558</a>&gt;. Acesso em: 17 abr. 2009.</p>
<p>BRAMBILLA, Ana Maria. <strong>Jornalismo open source</strong>: discussão e experimentação do OhMyNews International. 2006. 251 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006. Disponível em: &lt;<a href="http://www.lume.ufrgs.br/%0bbitstream/handle/10183/8457/000576267.pdf">http://www.lume.ufrgs.br/<br />
bitstream/handle/10183/8457/000576267.pdf</a>&gt;. Acesso em: 15 ago. 2007.</p>
<p>BRIGGS, Asa; BURKE, Peter. <strong>Uma história social da mídia</strong>: De Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.</p>
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com/cgi/content/abstract/2/3/236</a>&gt;. Acesso em: 18 abr. 2009.</p>
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jag.lcc.gatech.edu/blog/2009/02/functional-and-cultural-tensions-and-opportunities-for-games-in-journalism.html</a>&gt;. Acesso em 17 abr. 2009.</p>
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<p>FOLHA DE S. PAULO. <strong>Novo Manual da Redação.</strong> 8. ed. São Paulo: Folha de S. Paulo, 1992.</p>
<p>FREIRE, Paulo. <strong>Educação como Prática da Liberdade</strong>. 41ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009.</p>
<p>___________. <strong>Pedagogia da autonomia</strong>. Saberes necessários à prática educativa. 37ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p>
<p>___________. <strong>Pedagogia do oprimido</strong>. 47ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.</p>
<p>GALLOWAY, Alexander R. <strong>Protocol</strong>: how control exists after descentralization. Cambridge: Massachussets Institute of Technology, 2004.</p>
<p>GARRIS, Rosemary; AHLERS, Robert; DRISKELL, James E. Games, Motivation, and Learning: A Research and Practice Model. <strong>Simulation &amp; Gaming</strong>, Detroit, v. 33, n. 4, p. 441-467, 2002. Disponível em: &lt;<a href="http://sag.sagepub.com/cgi/content/abstract/33/4/441">http://sag.sagepub.com/cgi/content/abstract/33/4/441</a>&gt;. Acesso em: 18 abr. 2009.</p>
<p>GLASER, Mark. <strong>Your Guide to Hyper-local News</strong>. Disponível em: &lt;<a href="http://%0bwww.pbs.org/mediashift/2007/12/your-guide-to-hyper-local-news347.html">http://<br />
www.pbs.org/mediashift/2007/12/your-guide-to-hyper-local-news347.html</a>&gt;. Acesso em 10 mar. 2009.</p>
<p>GLASSER, Theodore Lewis (org). <strong>The idea of public journalism</strong>‎. New York: Guilford Press, 1999.</p>
<p>GILLMOR, Dan. <strong>We The Media</strong>: Grassroots journalism by the people, for the people. Sebastopol: O&#8217;Reilly Media, 2004.</p>
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