Colaboração, terceirização e estereótipos

Resisti, mas no final das contas peguei uma “Sou + eu” para ler. Uma revista que tenta tirar da Internet o monopólio da construção colaborativa de conhecimento popularizada pelos blogs e wikis. Trivia: wiki é a abreviação de “what I know is…” (o que eu sei é…).

À primeira vista, parece uma revista Contigo, só que com “histórias reais incríveis de gente como a gente”, e não de chiques e famosos. Chamam-na de “primeira revista 100% interativa”, na página que explica aos leitores como a revista funciona.

Direcionada ao público feminino, a revista diz: “Mais do que uma leitora, você é nossa colaboradora, é quem escreve as histórias, manda receitas, fotos, flagrantes, dúvidas e idéias para a revista”. É preciso se cadastrar para enviar o material, que é então avaliado por uma equipe de jornalistas que “decide” o que será ou não tema da edição. A revista paga R$ 500 por 3 páginas de conteúdo, valor mais baixo do que o que seria (ou deveria ser) pago a um jornalista profissional para o mesmo volume de “informação”. Uma espécie de terceirização proveitosa, discurso travestido de colaboração, interatividade, era virtual etc.

O fato é que a colaboração online realmente pegou, e a Internet é o palco mais democrático e cheio de plataformas para que isso aconteça. Na rede, ao abrir um blog ou participar de um wiki, não há “seres superiores” moderando aquilo que pode ou não ser publicado. Você pode simplesmente ser você mesmo, ter as próprias idéias, buscar e ler as de outros.

Direfente da “Sou + eu” ou de iniciativas de colaboração de grandes portais, como o VC Repórter, do Terra, ou o Eu Repórter, do Globo Online. Na revista, além da moderação ainda há um agravante: o leitor deve se encaixar em um “estereótipo” para conseguir ser publicado. Ao lado das reportagens há o valor que foi pago por elas e a instrução. Dê uma olhada ao que, segundo a revista da editora Abril, o mundo fica reduzido:

  • “Se sua vida daria uma novela, escreva pra gente”
  • “Se sua vida daria um filme, escreva pra gente”
  • “Mande uma foto de qualidade [sobre sua transformação de visual] e diga como você gostaria de ficar”
  • “Se sua vida é um exemplo de superação, escreva pra gente”
  • “Se você tem uma história de amor para contar, escreva pra gente”
  • “Escreva pra gente contando um episódio curioso sobre sua família”

E assim por diante…

Meu Deus! Será que é assim que eles têm feito a Veja também? ;)

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