Oxalá fosse o povo

Às vezes impressiona ver tanta sabedoria nos diálogos de Sócrates, registrados por Platão há praticamente 25 séculos… e se encaixa muito bem até para uma realidade tão dispersa quanto à da sociedade brasileira, tão pouco mobilizada:

“Oxalá, Críton, fosse o povo capaz de praticar os maiores males, para ser capaz também dos maiores benefícios! Seria esplêndido. Não o é, porém, nem destes nem daqueles. Incapaz de dar o siso, bem como de tirá-lo, ele obra ao sabor do acaso.”

Preso, horas antes da cicuta, ele continua: “A gente melhor, com quem mais importa que nos preocupemos, cuidará que as coisas se terão passado tal como se tiverem passado.” Interessante pensar numa definição de elite atuante, outra coisa que pouco se vê nestas terras.

Por fim, o que costuma restar a quem tem um pouco de recursos e educação no país, é a ação individual: só assim consigo enxergar a difusão de religiões espiritualistas entre a classe média pensante que não desistiu de Deus. “(…) não devemos dar máxima importância ao viver, mas ao viver bem”, diz Sócrates.

Mas como viver bem, cercado de tanta injustiça e de um capitalismo tão egoísta, que se faz de cego diante de necessidades sociais mais profundas?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s