Brasil, muito além das margens do Ipiranga

Paulo Henrique Amorim publica em seu blog entrevista com Luis Nassif sobre bastidores do Plano Real que levaram ao enriquecimento de alguns de seus mentores ligados ao PSDB.

Lembrei de uma crítica que, nesta semana, teci ao jornalismo esportivo durante a aula. Falava sobre a falta de investigação nesta área da imprensa, que simplesmente se limita a repercutir resultados de jogos e exibi-los na televisão. Na Internet a coisa piora —os portais se limitam a assistir os jogos na TV e transcrevê-los no site… grande jornalismo!

O fato é que toda essa falta de profundidade do jornalismo esportivo tem muito a ver com a superficialidade com que os brasileiros tomamos decisões políticas. Escolhemos candidatos como quem torce para um time. Não há ponderação, não há informação, não há crítica. Há meia dúzia de idéias pré-concebidas, geralmente ligadas à sua criação e classe social, que você normalmente põe em prática na hora de digitar os numerozinhos na urna eletrônica ou desenvolver sua ideologia na conversa de bar.

A entrevista de Paulo Henrique e o livro de Luis Nassif vão além disso tudo. Mostram que os brasileiros (assim como talvez outros povos, mas não quero comparar agora) somos muito pueris, não temos absolutamente idéia do que se passa sobre nossas cabeças, estamos muito distantes das instâncias decisórias. E não mudou nada da Independência para cá —naquela época, houve quem demorasse dois anos para saber que o Brasil não estava mais sob o julgo de Portugal (para você ver, caro leitor, a diferença que fazia estar nas mãos de uns ou de outros).

Lula ou FHC, PT ou PSDB estão muito aquém de meras convenções trabalhistas ou neo-liberais. É simplista demais acusar o sindicalista ou o doutor. Sorbonne ou São Bernardo nada mais dizem a qualquer um. E Platão continua certo, quando na República diz que apenas alguns “escolhidos” (aqueles que não foram jogados no abismo por serem filhos de reles homens livres) podem governar a pólis.

O fato é que, dentro da estrutura hermética do poder democrático como está hoje instituído, enquanto determinada casta faz dinheiro acima da ética e de qualquer tipo de convenção moral ou social, a gente aqui embaixo trabalha e assiste a comerciais de TV, séries norte-americanas e músicas eletrônicas. Ainda que busquemos algum tipo de revolução ou revolta, não adianta. Não há saída.

— Não há nada de libertador no rock n’ roll, diz Muniz Sodré em seu “Antropológica do Espelho”. Há tão-somente coerência liberal (e a auto-piedade das músicas do Evanescence, que faz show esta semana em São Paulo, que o diga).

Bom, de volta ao trabalho… e tenha um bom dia.

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