Separar medo de angústia, um dos papéis do jornalismo de verdade

Esta vou tomar a liberdade de citar na íntegra, entre aspas, com os créditos devidamente registrados. Ater-se à realidade é um desafio nesses dias de hipersensações.

“O filósofo Martin Heidegger gostava de separar medo da angústia. Medo se erige sobre um objeto real, e palpável, literal ou mesmo figurativamente. Angústia se erige sobre o nada. Num primeiro momento de terror, governantes mostram os objetos do medo: fotos de terroristas, armas apreendidas, sangue. Num segundo momento, some a figura do terrorista e só sobra a sua prática: terrorismo. É aí que entra a angústia: ela se erige sobre o nada. A invasão do Iraque foi a exploração da angústia, em cima de relatórios falsos. Usa-se a prática na exploração da angústia. Usa-se o ator na exploração do medo. O uso político dos ataques do PCC começarão a ocorrer quando passarmos a enxergar PCCs em todos os cantos, mesmo que eles não existem.

Foi por isso que o filme A Bruxa de Blair fez tanto sucesso: não havia tubarão, Jason ou asassinos. Era o nada que exercia o terror . Nesse sentido, o medo está para a angústia assim como a nostalgia está para a melancolia. O nostálgico pensa “que saudades de minha namorada”. O melancólico indaga “como seria bom ter uma namorada”. Cabe à mídia regular e impedir isso: que nosso medo de objetos reais não seja transformado, política e ideologicamente, em angústia do nada.”

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