As razões motoras da inércia

Bacana (apesar de pouco ufanista) a revisão de pauta diária que Fernando Rodrigues faz em seu blog no UOL —a cada dia, o jornalista elenca os drives do Congresso. Em bom português, seria como dizer as “razões motoras”, os “motes” ou “assuntos relevantes” (sim, daqui a pouco é o português que terá de levar aspas).

Mas algo se esconde nas entrelinhas dessa cobertura diária. Os “drives” que mais costumam alimentar a imprensa, como nas últimas semanas, são os escândalos e investigações de corrupção. O nome-criativo-para-a-imprensa de agora é “Operação Navalha”. Já tem partido coletando assinatura para criar CPI.

Enquanto esse povo todo se movimenta em torno do próprio umbigo, pagamos seus salários para que eles cometam autofagia. E o país está parado. Não há repórter/colunista/blogueiro de política que conte quantos dias se perde com esse tipo de investigação no Congresso (cadê o Judiciário, advogados do meu país???), uma espécie de âncora que atrasa o trabalho em cima de de planos de melhoria, leis e uma série de projetos que trafegam a velocidade de tartaruga.

Quando paro para refletir, percebo que foi exatamente isso que me decepcionou no jornalismo. Cobre-se porque é institucional. E quem comanda a instituição dita a pauta.

O país patina. E o jornalismo atola junto.

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