Ecos de Weber

Esbarrei com um trecho legal do “A Sociedade em Rede”, do Manuel Castells —um belo compêndio analítico. É uma citação de Max Weber, “Ética protestante e o espírito do capitalismo”:

Weber“A moderna ordem econômica… agora está ligada às condições técnicas e econômicas da produção mecânica que, hoje, determina a vida de indivíduos nascidos neste mecanismo, não apenas aqueles diretamente preocupados com a aquisição econômica. O interesse em bens exteriores seria algo que repousa apenas nos ombros de um ‘santo, como um manto leve, que pode ser tirado a qualquer momento’. Mas quis o destino que o manto se tornasse uma gaiola de ferro… Hoje o espírito do ascetismo religioso fugiu da gaiola. Mas o capitalismo vitorioso, uma vez que se baseia em fundamentos mecânicos, não precisa mais de seu apoio. Ninguém sabe quem habitará essa gaiola no futuro, ou se no final desse enorme desenvolvimento surgirão profetas inteiramente novos, ou se haverá um grande renascimento das velhas idéias, ou —se nada disso ocorrer— uma petrificação mecanizada, enfeitada com uma espécie de auto-importância convulsiva. Pois, sobre o último estágio desse desenvolvimento cultural, talvez se pudesse afirmar: ‘Especialistas sem espírito, sensualistas sem coração; essa nulidade imagina teratingido um nível de civilização jamais alcançado’.”

Quero agradecer a Weber, cem anos depois, por traduzir o sentimento que o informacionalismo de Castells não conseguiu quebrar —mas, talvez, apenas disfarçar um pouco mais por detrás das telas de cristal líquido.

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