Folha para inglês ver

Sete anos depois que as primeiras idéias vieram à tona (o que daria, na época, seis anos de vantagem em relação ao G1), eis que a Folha Online estréia seus videocasts.

Videocast FOL

 Sem indexação alguma, os vídeos são publicados no interior das matérias, e só dá para encontrá-los no dia em que estão na homepage. Além disso, evidenciam a espécie de mediocridade a que o jornalismo brasileiro infelizmente vem se submetendo há tempos —os jornalistas não saímos mais das redações. As notícias é que vêm até nós, seja por feeds de agências, sites internacionais ou releases.

Os videocasts da Folha Online são prova disso. Lá está a apresentadora bonitinha, o repórter que aparece simplesmente lendo uma notícia (ou um editor apresentando o que terá o embrulho de peixe do dia seguinte).

O máximo de “mundo exterior” que se capta são fotos, imagens estáticas exibidas no vídeo enquanto o narrador continua falando, falando, falando… fico me perguntando quem quer ver alguém apresentando notícia na tela do computador, se pode ler as informações muito mais rapidamente no site, em texto. Se o vídeo não acrescenta imagens, depoimentos, testemunhos… para que raios serve então?

A esperança que resta, enquanto os grandes veículos ainda resistem à sair da inércia para compreender a verdadeira natureza da Internet, são os blogueiros. Gente sem cargo, sem carteira assinada, sem INSS, mas com sola de sapato para gastar, capaz de registrar o que a grande imprensa não está vendo (fique claro que, também na blogosfera, há quem tente fazer jornalismo mas apenas “chupa” conteúdo de sites internacionais antes que a grande imprensa).

Só não consigo entender como o mesmo autor de “Jornalistas e Revolucionários” pode criticar os blogs, sem compreender que hoje a contracultura está mesmo é no submundo da Internet.

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5 comentários sobre “Folha para inglês ver

  1. Interessante essa critica à Folha On Line. Tenho amigos que trabalharam lá. Ontem mesmo estive com um que disse que desde 2002 há um projeto para se criar o manual de redação on line. Seria, se lançado em 2002, o primeiro no país (quiçá no mundo). Aliás, mais que um projeto. Segundo esse amigo, mais da metade do manual estava pronto. Pensou-se até em publicá-lo pelo Publifolha. Parece que sequer deram retorno sobre a idéia. Agora, é tarde demais.
    O iG acaba de lançar o….PRIMEIRO.
    Impressionante como se perdem oportunidades, não?

  2. Pingback: Até o Boing Boing faz « Clico, logo existo

  3. Boa Alec!
    Legal eles indexarem. Ao menos dá a chance ao internauta recuperar um conteúdo anterior —afinal, é isso que diferencia a Web do jornal (ia falar embrulho de peixe, mas acho que você ficaria chateado! ahahha)
    O único lance que continua passível de melhoria é a produção, ainda enfurnada no interior da redação. Quem quer ver jornalista falando? A gente quer ver o mundo, a notícia acontecendo! =)
    Abração!

  4. Pingback: Por que o Limão pode dar certo (e por que não) « Clico, logo existo

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