Belíndia, a elite e a bolha

O episódio Rolex do Luciano Huck só conseguiu evidenciar ainda mais a tal da elite branca do ex-governador paulista Cláudio Lembo (lembra? pois é…). É absurdo a falta de elite em nosso país, e sobre isso hoje gostaria de partilhar algumas leituras.

Na mesma Folha de S. Paulo que publicou um artiguinho indignado do tal apresentador, há cerca de um ano e meio Walter Salles publicava um outro artigo (original aqui; aberto aqui), citando um estudo do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA) sobre o que falta à América Latina.

“Um economista do MIT, Lester Thurow, sustenta a tese de que ‘o que falta na América Latina é elite. O que existe é oligarquia. As oligarquias desfrutam ou herdam o poder, mas não entendem as responsabilidades públicas inerentes a ele’. Ou seja: querem os privilégios, mas não os ônus. Querem a gravata da Gucci, mas não os impostos de importação, que se convertem em saúde, educação etc. Depois, reclamam da falta de segurança, da inoperância dos governos, apadrinham uma creche para apaziguar a consciência e, ato final, compram um helicóptero para sobrevoar os nossos Haitis.”

O artigo de Salles era intitulado “Os idiotas”, inspirado no nome de um filme de Lars von Trier da década de 1990, do movimento Dogma. Não sei por quê esse texto veio à lembrança ao ver toda a falsa indignação do apresentador de TV —aliás, muito bem ironizada pelo politicamente incorreto Mr. Manson e seu Cocadaboa.

Falta mesmo é elite neste país. E nisso a classe média tem um papel importantíssimo. Porque a classe média que Max Gonzaga critica em sua música não consegue comprar Rolex —nisso se diferencia da “oligarquia”—, mas também odeia suar no busão com a choldra —e nisso se afasta da maioria da população brasileira, que sofre com o efeito Belíndia.

Eis, então, a bolha da classe média brasileira, paulista ao menos. Como vencê-la?

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3 comentários sobre “Belíndia, a elite e a bolha

  1. Achei seu site quando buscava a frase do Thurow sobre as elites x oligarquias.
    Estava buscando-a por causa do último livro do Chico Buarque, o Leite derramado.
    As lembranças que o anti herói têm sobre o pai, configuram a melhor “ilustração” de um oligarca.
    Aproveitando comento que acho que o episódio da reclamação do Huck não tem qualquer coisa a ver com elite ou oligarquia. Ele não é nem uma coisa, nem outra, é só classe média com dinheiro.
    Os conceitos que exprime são tipicamente de classe média que, na hora agá, reclama “seus / meus” direitos.
    Provavelmente eu também reclamo os meus, mas meu dinheiro é muito curto para aparacer na mídia.

  2. Pingback: Negro, pobre e contra cotas. | Cabeção de Nego

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