Jornalismo (finalmente) móvel?

Lembro da época que as redações online começaram no Brasil. Há praticamente dez anos, falava-se em munir os repórteres com câmeras fotográficas digitais e notebooks, mandá-los para a rua e ter um site abastecido de “realidade”.

Mas a realidade foi outra. A bolha estourou no início dos anos 2000 e foi-se o sonho. A realidade era a tela do desktop, o copy-paste-cook de release ou agência e, quando muito, uma rondazinha pelo telefone. Eis o jornalismo online do início da década.

Agora, não se sabe se por boa vontade, baixa nos custos ou choque de realidade, fala-se novamente em colocar os jornalistas para a rua, em busca da realidade. E a vez é do telefone celular —a Reuters, por exemplo, fez um acordo com a Nokia para dar a seus jornalistas telefones capazes de produzir conteúdo multimídia.

O discurso não é novo. O “revival” me fez pensar: será que os jornalistas já não chegam atrasados em um mundo de gente que já produz conteúdo pelo celular faz algum tempo? Será que vai pegar desta vez? Será que já não há repórteres-cidadãos interessados ou até envolvidos neste tipo de prática (hein Amanda & Juliano ;)?

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3 comentários sobre “Jornalismo (finalmente) móvel?

  1. Mandar os jornalistas para a rua com celulares nas mãos não vai acontecer. Essa história é antiga e infelizmente as redações estão cheias de jornalistas (não posso chamá-los de repórteres aqui, afinal, o que eles reportam?) sentados na frente de seus computadores, “checando” suas pautas pelo google.

    Os leitores vão tomar o lugar dos repórteres de rua e eles sim produzirão conteúdos através desta plataforma multimídia. A colaboração e a mobilidade dos celulares são realidades que caminham lado a lado. (Pelo menos é essa a minha aposta!)

  2. Eu estou num evento, sem notebook, e não dá para dizer que não estou fazendo a cobertura pelo celular (e câmera) e ainda leio seu Twitter

  3. Acho muito interessante quando alguem diz que o usuários vai dominar o mundo. Mais quem paga essa conta, como um usuário qualquer pode ser uma fonte 100% confiável? Qual é a credibilidade de alguem que não esta ganhando nada, fazer o papel do jornalista?
    Acredito que a Reuters esta certa, temos que entregar na mão do jornalista (de verdade) todas as ferramentas.
    O usuário sera um termotonômetro, uma referencia e como a possibilidade de sempre disser o que pensa sobre um determinado assunto e o jornalista sera o responsável por verificar sempre a verdade.

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