A decepção dos vídeos online

Ainda não consegui encontrar sites jornalísticos que consigam tirar da Internet o que ela realmente pode dar ao vídeo. Estudo realizado com jornalistas de todo o mundo confirma a percepção —a falta de experiência de sites na produção de vídeo tem dificultado a produção. E além do estudo, a observação de colegas de trabalho e de alunos que vejo a cada dia pastando nos cursos ainda analógicos das faculdades de jornalismo brasileiras.

Meu pequeno pitaco: ninguém em redação entendeu ainda que o vídeo na Web segue a velocidade do tempo real. Não adianta querer fazer edições fantásticas —é o mesmo que publicar na Web a versão integral de um texto de revista. Ninguém vai ler. A usabilidade é outra. Caro diretor de redação: por que não dar aos escraviários/webslaves celulares com câmera de vídeo e botar a rapaziada na rua, gravando o que vêem? Essa é a linguagem de vídeo da Web, é o vídeo em tempo real. Por que alguém veria um “nomão” sentado no estúdio, falando para você o que você pode ler, muito mais rapidamente e sem precisar de plug-ins, Flash ou outros, em uma simples página de texto?

Mas como pitacos são limitados à limitada percepção e rala experiência de quem vos fala, vamos ao estudo —que se tem a pompa da alcunha, entrevistou pouca gente (apenas 52 jornalistas, a maioria dos EUA):

  • Tempo de edição: estagiários levam em média 8 horas para editar um vídeo curto; profissionais com mais de um ano de experiência o fazem entre uma e quatro horas.
  • Definição de funções: as redações não estabelecem funções claras aos jornalistas quando o assunto é produção de vídeo. Quem produz? Quem edita? Quem narra? Quem encoda? Quem publica? Será que não está faltando treinamento para que qualquer um possa fazer isso?
  • Funções exclusivas: segundo o estudo, pouquíssimos repórteres são pautados a produzir e editar vídeos. Como pode que alguém ainda pense jornalismo com “repórteres de texto”, “fotógrafos”, “repórteres de vídeo” etc.? Será que o padrão-Youtube de qualidade, produção mais on the fly e sem qualidade global, já não abriu caminho para que o jornalismo também saia do padrão terno-e-gravata?

Estes e outros resultados estão, completos, aqui. Quero acreditar que a nova geração, mais multimídia e multiconectada, seja capaz de começar a vencer estas barreiras dentro da redação.

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Um comentário sobre “A decepção dos vídeos online

  1. “(…) é o mesmo que publicar na Web a versão integral de um texto de revista. Ninguém vai ler.”

    Bah, Madu, às vezes tu lê meus pensamentos. E o pior é que isso parece óbvio prá nós, não? Não, isso NÃO É ÓBVIO nas redações, acredite. E há quem relute por jogar cinco laudas de massa cinzenta na web dizendo que aquilo é “jornalismo online”.

    Isso quando não dividem, pretensamente expertos, em
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    … como se o Google não pudesse me jogar direto na “página 3” sem que o internauta fique boiando.

    … como se o ambiente digital fosse linear e hipertexto é só uma palavra difícil desses tais acadêmicos.

    Mas pode crer: esse pessoal tá com os dias contados na carteira de trabalho. Vide uma publicação da Flórida, se não me engano que, semanas atrás, contratava um “videoblogger”. Vai ver se nossos coleguinhas jurássicos sabem o que é isso?

    E pior: vai ver se o povo tá aprendendo a fazer isso na faculdade? Isso sim me preocupa.

    abraço!

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