Computação onipresente, colaboração inevitável

Cito aqui o André Deak, que por sua vez bebeu no André Lemos —William Gibson, um dos fundadores do ciberpunk, falou em entrevista à revista Rolling Stone sobre a computação onipresente como um desafio para as próximas gerações. É a queda das fronteiras entre (Pierre Lévy que me desculpe) o real e o virtual.

“Um das coisas que nossos netos vão achar peculiar sobre nós é que diferenciamos o digital do real, o virtual do real. No futuro, isso será literalmente impossível. A distinção entre cyberespaço e o que não está no cyberespaço está se tornando inimaginável. Quando escrevi Neuromancer em 1984, o cyberespaço já existia para algumas pessoas, mas eles não passavam todo seu tempo lá. Ele estava lá, e nós aqui. Aqora o cyberespaço é aqui para muitos de nós. E lá é um estado de não-conectividade. Lá, agora, é onde eles não têm wi-fi.

Num mundo de computação superonipresente, você não vai saber quando está dentro e quando está fora. Você sempre está dentro, num tipo de mistura de estado de realidade. E você só pensará nisso quando algo der errado e você ficar fora.”

Tudo isso porque estou lendo Neuromancer; e é incrível como um futuro de computação onipresente é mais vivo nas páginas de Gibson do que na telona de Matrix. O filme é Hollywood demais, e mostra o humano subjulgado “fisicamente” à máquina; o livro trata o avanço da computação de uma forma mais realista, creio. É como se a tecnologia —e, mais especificamente, a biotecnologia— avançasse de tal forma que, realmente, não fizesse mais sentido o ser humano pensar em si próprio separado da máquina. Uma espécie de simbiose psíquica, tão ou mais perigosa que a submissão física.  “The Machine is us/ing us“, como já dizia o vídeo de Michael Welsh, da Univesidade do Kansas.

E o link com a participação, o conteúdo colaborativo: num mundo de computação onipresente, será impossível não colaborar. Todo gesto, toda palavra, tudo, enfim, estará indexado. O poder, então, estará cada vez mais concentrado em quem conseguir fazer algo com estes gigantes bancos de dados —torná-los palatáveis para, então, criar (e nos vender de volta, bleargh!) produtos e serviços baseados neles.

Curiosidade: não sei se vem daí o nome da empresa, mas em Neuromancer, “microsofts” são espécies de chips, como mini-pendrives, que as pessoas plugam na nuca para obter conhecimentos ou capacidades extras. Imagine que você quer ir ao Japão mas não fala japonês —basta plugar um microsoft da língua em sua nuca e pronto: você sai falando. Será que Bill Gates é fã de Willian Gibson? ;-)

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