Tempo real, reflexão irreal

Interessante e muito próxima da avaliação de Ignacio Ramonet a percepção do prof. Chaparro sobre o jornalismo em tempo real —o jornalista online, diz ele, perde o tempo da reflexão. Com o “desaparecimento da periodicidade”, some o papel do jornalista como alguém que digere a realidade, compreende-a e então põe-se a explicá-la. O instantaneísta, no conceito de Ramonet, torna-se um mero “vidro”, um difusor de informações, que não mais filtra. Só repassa.

E será que os blogueiros não fazem o mesmo? Tem tanto blog que meramente copia o que vê em blog no exterior que paro para pensar, às vezes, que eles não fazem mais do que os jornais/sites que assinam agências internacionais como Reuters ou AFP já fazem. Se não há um mínimo de filtro e reflexão, perde-se o contexto, perde-se a construção de conhecimento.

Aí fica fácil virar vítima das “bombas teleguiadas” de interesses privados ou governamentais, de que o jornalismo (e, suponho, blogueiros com alguma ideologia) sempre tentou se afastar.

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2 comentários sobre “Tempo real, reflexão irreal

  1. pois é, mas será que não se chega a um jornalismo pré-reflexivo? e, nesse sentido, ao invés de um “vidro”, as notícias-relâmpago podem conter, em medida muito maior, a própria subjetividade do jornalista. enfim, ?

  2. Boa reflexão, cara!

    De certa forma, o jornalismo tem se esforçado há tempos em uma “fuga da subjetividade”, como se isso fosse possível. Mas sem digressões semióticas demais, o fato é que, na prática, o jornalismo tem procurado a objetividade possível no mapeamento e confronto de diversas subjetividades, como que num esforço para tentar gerar compreensão de um contexto social, intersubjetivo.

    Mas, exatamente como você bem observou, todas essas novas tecnologias expõem uma subjetividade à flor da pele. O ponto a considerar, apenas, são as instituições por trás dos sujeitos, em uma instância mais social como o jornalismo. Os pontos de inflexão tornam-se sutis entre o interesse pessoal, o interesse corporativo ou governamental.

    Por outro lado, a rendição à subjetividade poderia colocar a credibilidade em seu devido posto, sem que fachadas pretensamente objetivas precisassem ser criadas. Mas isso envolve toda uma reconstrução de paradigma… que já está em curso.

    Quem vencerá? Haverá vencedores? Ou co-existência? Aposto na segunda… ;)

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