O jornalismo vai morrer (se não voltar às origens)

Foi assim desde o princípio. Até que formaram-se os impérios, e dos impérios emergiram os burocratas e os cobradores de impostos. E então a estrutura ficou tão lenta, mas tão lenta que houve quem dissesse que os impérios ruiriam diante do liberalismo burguês.

Parece história geral, mas bem que podia ser a história do jornalismo. E o mais legal é se deparar com descrições como a que encontrei por acaso no BuzzMachine, blog do Jeff Jarvis. Ele tenta fazer uma previsão do que serão os jornais em 2020.

“Lembro de um momento do Fórum Econômico de Davos de 2007. Numa sessão do Conselho Internacional de Mídia, o publisher de um importante jornal perguntou ao jovem fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, sobre como seu jornal poderia ajudar a criar comunidades, como a do Facebook. O reconhecidamente lacônico Zuckerberg respondeu: “Você não pode”. Ponto. Mais tarde, Zuckerberg explicou que comunidades já existem e já fazem o que gostam de fazer, então a questão que deveríamos perguntar é como podemos ajudá-las a fazê-lo melhor (…) E quando você pensa nisso, essa é a essência do que o jornalismo tentou fazer desde o princípio: ajudar a organizar o conhecimento de uma coletividade para que uma sociedade melhor informada possa cumprir os objetivos que traça para si mesma”, diz Jarvis.

Não conhecia Jeff Darvis, mas o blog do cara já entrou pros meus favoritos. Ele traduziu o diálogo do jovem bilionário e o barão da imprensa de papel como uma forma de chamar a atenção do jornalismo sobre sua própria origem, em vez do mecanismo de mídia burocrático, meramente entregue a metas de audiência em cima de publicidade, que se tornou a grande imprensa. Nessa linha de raciocínio, se o jornalismo se distanciou de sua pedra fundamental, é natural que blogs e outras formas de “organização do conhecimento de uma coletividade” comecem a fazer mais sentido para o público sozinho e multiconectado.

E o texto me deixou várias perguntas na cabeça:

  • Onde será que o jornalismo tem empacado para deixar que empresas de software tomem a liderança no processo de organização de comunidades?
  • Por que as empresas de software acham que “não precisam de conteúdo” e muitas vezes dispensam o know-how que jornalistas acumularam nos últimos séculos na compreensão, formação e gestão de comunidades?
  • Por que o Facebook vale US$ 15 bilhões, o mesmo que a General Motors, que tem 280 mil funcionários, ativos de quase US$ 475 bilhões e clientes com cartões de crédito bem mais recheados que simples adolescentes espinhudos? (Tá bom, pode citar Castells, mas algumas coisas que o cara diz não fecham na contabilidade final)
  • Quando os diretores de conteúdo (o grifo é do autor) dos grandes portais brasileiros vão entender que Internet é muito mais do que jornais, rádios e televisão podem fazer isoladamente, e mais do que só jornalismo?

Você consegue me ajudar com algumas pistas? ;-)

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Um comentário sobre “O jornalismo vai morrer (se não voltar às origens)

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