Celular, a mídia da próxima onda?

É inevitável —enquanto há mais de um celular para dois brasileiros (o que nos faz estar alinhados com a média mundial), estudo aponta que 35% dos pré-adolescentes norte-americanos (entre 8 e 12 anos) possuem um telefone móvel, normalmente adquirito após os 17 anos, também em média. E um número interessante —apenas 5% usam o dispositivo para acessar a Internet.

Há muito barulho no mundo do celular. Acredito na mídia, já trabalhei com produção de conteúdo para a plataforma no Grupo Folha e no Terra, em contato com todas as grandes operadoras do país. Apesar da experiência, não me soa que o Brasil, em que telefone celular tem quase a mesma função de status que livro —serve bem como enfeite e sinal de ostentação, na estante com iluminação embutida ou na bolsa de marca, mas saber usar mesmo que é bom, nada—, consiga atingir um grau de utilização desta mídia como algumas culturas asiáticas, o Japão em particular.

O que me faz em alguns questionamentos…

  • Será que essa falta de adoção do celular como plataforma de conteúdo não vai abrir o vácuo que a imprensa escrita precisa para que o papel digital ganhe fôlego comercial, e então as mídias tradicionais poderão migrar para o formato mantendo algum paralelo com os padrões publicitários atualmente utilizados no meio impresso e na Internet?
  • Culturas extrovertidas como a brasileira adotarão em massa uma mídia como o celular, sendo que a presença e o contato físico (sim, moramos num país tropical) ainda fazem diferença para nós?
  • Ontem, ao corrigir uma prova de um aluno da disciplina de jornalismo e tecnologia que leciono, peguei essa: “em 2020 as pessoas terão chips no cérebro”… na hora lembrei do William Gibson que acabei de ler: haverá vida pós-digital, quando a portabilidade da tecnologia for tão grande que ela fará parte do corpo físico?
  • A publicidade só agora, oito anos após o surgimento dos primeiros noticiários para celular, começa a compreender e embarcar timidamente neste meio. Será que os publicitários não vêem que os early adopters (termo usado para designar pessoas apaixonadas por tecnologia, que costumam ser os primeiros a desvendar novidades e bugigangas tecnológicas) no Brasil são pessoas de classe média (ou média-alta), com algum poder aquisitivo?
  • Ou será que eu estou meio equivocado, e a média-alta mesmo faz Engenharia, Direito ou Medicina ou toca a fazenda do pai e torra milhares de reais em coisas como imóveis, carros ou rodeios?
  • Muitos veículos não “mergulham” nas novas tecnologias com medo de “comprometer a marca” ou gastar à toa, com algo que não dê retorno financeiro. Não há veículos no Brasil interessados em capitalizar suas marcas como “veículos antenados” com as inovações lá de fora?
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2 comentários sobre “Celular, a mídia da próxima onda?

  1. A mídia “tech crunch” já cunhou até um termo para a “revolução” chamada celular: the third screen, ou “a terceira tela”. Depois da TV e do computador, chegou a vez dos aparelhinhos que, incrível, também fazem e recebem ligações telefônicas!!

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