As aventuras de um micreiro, capítulo 6

Mais uma da série, o original deste texto foi publicado em ano eleitoral. Para ser honesto, nem sei se as urnas atualmente ainda usam disquete… já se falava, na época, do voto pela Internet, que andou até regredindo, mas continua em voga. Mas pensar em democracia eletrônica é continuar pensando na aparência, e não na essência. O termo “democracia” continua, apesar do eletrônico —e, com o termo, também as distorções. Mas isso é tema para outro post…

Dia de eleição. Como um bom brasileiro, ele acorda às 7h30, toma um cafezinho e sai. O colégio onde vota fica perto de casa, de quinze minutos de caminhada e pronto.

Depois de driblar santinhos e entrar na escola, a fila. Dez minutos, vinte minutos… finalmente, ele entrega seu título de eleitor ao mesário, que confere o documento e diz: “Pode votar”.

No cafofo eleitoral, escondida pelo papelão, lá está ela —a palavra final da democracia (?). A urna eletrônica. Computadorzinho que vai registrar o seu voto e o de mais 115 milhões de brasileiros. Depois vai criptografá-los e gravá-los num disquete —cujo conteúdo depois será transmitido via rede ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que totaliza os votos.

Diante do ápice da sociedade tecnológica, o cibereleitor pára por um segundo antes de digitar os números. Ele pensa. “E se, durante o meu voto, a urna travar?”

Já imaginou? “Deu pau na urna!” De repente, aparece a tela azul e a mensagem: “Seu candidato executou uma operação ilegal, e esta urna será fechada”.

Também cogita: “Se o sistema computadorizado da eleição relaciona meu título de eleitor ao que eu digito na urna, quem garante que meu voto é secreto?”

Ele ia começar a pensar na transmissão dos votos por rede para o TSE, na possibilidade de a conexão cair e de alguns votos serem perdidos… também passou vagamente pela sua cabeça a remota (mas… impensável?) possibilidade de um hacker driblar a segurança, invadir a rede do TSE e apagar todos os votos…

Mas não! Com um balançar de cabeça, ele tira da mente essas idéias absurdas e incompatíveis com a democracia moderna. Vota. E pronto.

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