As aventuras de um micreiro, capítulo 8

Eis o último capítulo das crônicas “As aventuras de um micreiro” publicado na Folha Online. Retrata um pouco da revolta, na época, ao terror que as fabricantes de impressoras faziam em relação aos cartuchos remanufaturados. Eram quase considerados piratas pela abordagem de Marketing e Comunicação de HP, Epson ou Lexmark. Hoje são bem mais difundidos —e, em breve, sai uma análise bacana do Marcelo Ayres do UOL Tecnologia sobre o rendimento desses cartuchos em relação aos originais. Os resultados são surpreendentes.

A partir da próxima semana, retomo a publicação das crônicas. A essência dos textos originais será mantida —um outro olhar sobre uma vida cada vez mais conectada e dependente da tecnologia. Em março começam as aulas no mestrado, e espero retomar um pouco do vigor do Clico, logo existo já durante este mês. E as crônicas vêem para dar um respiro ao autor e ao leitor… Sem mais delongas, o capítulo 8:

“Relatório terminado. Trabalho de cinco horas e seis cafés. Ele põe o arquivo para imprimir e sai da sala para lavar o rosto.

Na volta, o momento surpresa, sensacional. As cem folhas sulfite que estavam na impressora tinham sido marcadas com caracteres estranhos, nenhuma língua, nenhum sentido. Só informática.

Ele se aproxima da máquina. Havia uma luz piscando, pedindo mais papel. No computador, o programa continuava enviando as páginas. “Imbecil”, pensa.

Reinicia o computador. Puxa a impressora da tomada. Pelo menos dá para transformar as folhas usadas em papel de rascunho. Mas santa paciência.

Sistema de pé. Ele abre o arquivo. Liga a impressora de novo. Pede para imprimir. Dessa vez, uma cópia só, para não ter problemas.

Então a segunda surpresa. Acabou a tinta.

Na mesma hora, não sem antes um resmungo mental, vai até o armário. Lembra que o tubo de tinta preta custa R$ 90, e a impressora custou R$ 300. Em seis meses, ele gastou mais com tinta que com tecnologia.

Volta. Troca o tubo. Imprime.

Mas, antes de jogar o velho tubo de tinta no lixo, lembra daquele shopping de estandes perto de casa. Lá eles compram tubos vazios. Pagam até R$ 30.

Dá as costas para o lixo. Embrulha o tubo numa folha de papel que tinha virado rascunho. Guarda-o na mala. E se perguntarem sobre pirataria, ele é contra.”

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