Mouse virou, definitivamente, instrumento musical

Imagine olhar para uma onda sonora gerada por um acorde de guitarra. Agora imagine separar esta onda sonora para traduzir cada uma das notas musicais que compõem o acorde —em seguida, imagine mudar a tonalidade de cada nota e construir infinitos acordes em cima de um único sample inicial… o verdadeiro “milagre”, a digitalização total da música, responde pelo nome Melodyne.

Agora você entende porque até a Sheila Mello grava CD? ;-)

Piadas à parte, a digitalização completa da música traz questionamentos interessantes. No espírito do Clico, logo existo, alguns deles:

  • O vinil, o cassete, o MP3… todos eles “acabaram” ou reduziram drasticamente a necessidade de intérpretes de músicas —para que preciso de alguém que saiba tocar tal música, se posso ter um ambiente sonorizado por meio artificial? O que então vai acontecer com a música com esse tipo de reconstrução digital?
  • Ao mesmo tempo que caiu a necessidade do intérpret ou “músico”, surge a categoria “DJ”, que muita gente nem considera como músico. Se a música do futuro será só remixar, com o mouse ou uma tela touchscreen, para onde vão os instrumentos e os instrumentistas?

Algumas perguntas, apenas, para pensar no futuro da música, esta arte tão essencial para a história e para a estética.

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7 comentários sobre “Mouse virou, definitivamente, instrumento musical

  1. Oi Madureira,

    Você me deu aula de Sistemas Virtuais no Mackenzie ano passado e eu criei um blog sobre pugilismo, lembra?

    Bom eu gostaria de achar aquela citação que fala que o jornalista não sabe mais sobre o assunto do que seu público alvo. Você ainda a tem?

    Abraços

    Gabriel Leão

  2. Vejo um ponto importante a se considerar: uma parte de algo inexplicável e interessante na música está interpretação, nos detalhes e pequenas falhas humanas. Tocada só por um código, por uma partitura executada perfeitamente, a música fica previsível. E o que é previsível, com o tempo, acaba ficando desinteressante…

    De qualquer forma, o software é fantástico. =)

  3. ainda não brinquei nesse treco, mas concordo, em parte, com o targa. na verdade, nem acho que a questão seja a das “pequenas falhas humanas”. tocar bem, cantar afinado… isso tudo é possível com aulas, treino ou mesmo outros softwares.

    o lance pra mim é que música é sentimento e não técnica. e isso tem menos a ver com o intérprete (a cultura de djs já se encarregou de detonar esse conceito, aliás) do que com o compositor.

    podem falar o que quiser de novas tecnologias ligadas a música, suportes, softwares, o escambau. mas talento e sensibilidade ainda são a base disso tudo pra mim. e máquina nenhuma emula isso… =)

    frank… e aquele nosso almoço, aliás? morreu?!

    beijo

  4. Madu,

    essa remixagem me lembrou o control c + control v (aliás, um ótimo texto sobre isso é o do Paulo Pinheiro, professor de JOL e meu ex-colega de Terra
    http://tinyurl.com/4jkpyr ).

    Permanecendo no paralelismo, se o jornalismo do futuro for só reembalar, para onde vão os jornalistas?

    abs

  5. Bom, minha opinião é bem simples. Existiam os grandes concertos e apresentações nos teatros, apareceu o vinil e os concertos continuam; inventaram a fita k7, mas ainda exitem concertos e vinís; inventaram o cd e o dvd, ainda assim, existem os concertos, os vinís e poucos k7 (estes estão sumindo). Com o cd-r acabaram s k7, com o dvd-r acabaram as fitas de vídeo… mesmo assim, muita gente coleciona viníl. Da mesma forma que não acredito queo Blue Ray vai acabar com o DVD (imagina o custo de um blue ray se você quiser gravar algo do pc…), as novas formas de produção ou reprodução nunca vão acabar com o músico. Quem ouve o som quente de um vinil, sabe que não pode subistituí-lo por um cd, quem vai a um concerto, um bar com música ao vivo ou qualquer coisa do gênero, sabe que se o artista é realmente bom, e não um reprodutor do que já foi gravado, ele não pode ser subtituido por um computador. Até os DJ têm seu valor…

    Entra lá depois…
    http://comunikators.wordpress.com/

    Um abraço, seu ex aluno, George Erwin.

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