Jornalismo colaborativo: um cidadão repórter, dois veículos diferentes

Comecei esta semana a fazer a análise quantitativa para meu mestrado, que versará sobre jornalismo colaborativo, e já no segundo dia me deparei com um fenômeno interessante: um mesmo jornalista cidadão contribuindo para dois veículos participativos diferentes: VC no G1, da Globo.com, e VC Repórter, do Terra.

Ora, é uma diferença relevante no que toca a prática de mercado no jornalismo; que impactos isso pode trazer ao jornalismo colaborativo, e também ao jornalismo e aos veículos que embarcaram nesta onda? Ele responde pelo nome Ralph Guichard, e falou sobre a comemoração do aniversário do Rio de Janeiro nos dois websites, que usaram inclusive fotos bastante semelhantes. Confira:

http://carnaval.terra.com.br/2009/interna/0,,OI3606474-EI13004,00.html

http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1023751-8491,00.html

É uma quebra interessante de paradigma. Só aconteceu porque provavelmente os redatores responsáveis pela atualização dos serviços não checam a concorrência, e porque no mundo do jornalismo colaborativo não existem contratos de exclusividade, que vão além da mera cessão de direitos autorais porque prendem a força de trabalho de um jornalista ao veículo a que trabalha. Como se o jornalista devesse atender aos interesses daquele patrão apenas, e não de seu público.

Mas ficam questões também. Isso abre, de alguma forma, precedentes para uma possível monopolização do discurso por alguns colaboradores mais ativos? E os veículos, como podem se proteger de eventuais interesses na publicação de determinado fato? Um mesmo jornalista cidadão exerce a comunicação de forma democrática ou meramente individualista ao espalhar seu conteúdo por todos os sites colaborativos que encontrar?

Tem algum palpite? Comente e divida! =)

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4 comentários sobre “Jornalismo colaborativo: um cidadão repórter, dois veículos diferentes

  1. Acabo de notar mais uma peculiaridade deste caso: no Terra, o texto explicita uma fonte de informação que, no G1, não é citada. Ora, se o autor dos textos é o mesmo, teria ele removido a fonte de informação de uma das colaborações? Ou teria algum dos redatores removido (ou adicionado) à fonte?

  2. Boa tarde professor,

    Como estudante de Comunicação, acho interessante sua pesquisa para o Mestrado. Essa questão da Cybercultura e o uso das novas tecnologias no Jornalismo são vitais para o futuro da profissão.

    Coincidentemente, fui eu o autor dos textos publicados pelos Portais Terra e G1.

    Não concordo com a segunda indagação. Se eu envio uma matéria de minha autoria para mais de um canal de Comunicação é com o objetivo de que o mesmo conteúdo seja aproveitado, ou não, de acordo com a carência dos veículos escolhidos. Uma reportagem de um desabamento, por exemplo, pode ser útil para o site X, que não enviou equipe para o local, e não para o Y, que já teve seu representante elaborando um conteúdo semelhante.

    Em síntese, em minha parte, descarto a questão da individualidade, proposta pelo senhor.

    No mais, sucesso nas pesquisas de Mestrado.

    Abraços.

  3. Já fiz isso uma vez, só para testar isso. Com esses mesmos portais. O Terra publicou primeiro, ligou na minha casa para confirmar alguns dados. O G1 publicou o texto, mas, acredito eu, quando viu que já tinha sido publicado no portal concorrente, bloqueou o link para o texto.
    Até!

  4. Interessantíssimo, Madu! Não apenas tuas reflexões como as ocorrências dos comentários do igor e do Ralph.

    Como as empresas jornalísticas podem se proteger contra monopólios de discurso de cidadãos repórteres mais ativos? Não publicando! Só que para isso é preciso dar aquela checada básica para ver se a concorrência já publicou.

    Não creio que seja o caso dos noticiários colaborativos aqui no Brasil, mas bem no comecinho o OhmyNews pedia a “gentileza” de não reproduzirmos em outros sites o conteúdo que mandávemos para eles. Talvez fosse uma forma de protegerem-se contra a replicabilidade, uma vez que eles não metem a mão no direito autoral de nenhum cidadão repórter (prática, aliás, que abomino nos noticiários colaborativos brasileiros).

    E quanto à individualidade, apesar do Ralph ter negado (e talvez esse seja mesmo o caso dele), eu acredito que o cidadão repórter busque reconhecimento público pelo que faz, reforçando a idéia de “economia da atenção”, que o Andrew Keen fala tão pejorativamente.

    Não vejo nada de mais em ter a atenção dos demais usuários, a notoriedade de associar seu nome e seu trabalho a um grande player de mídia, em troca de um material informativo que não será remunerado. Então, que a moeda, seja a visibilidade.

    Beijo!

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