Motivações para a colaboração e as raízes do Brasil

O engajamento com a produção da informação sobre a própria realidade, que leva a um aprofundamento de visão sobre si mesmo e sobre a sociedade em que está inserido, deve fundar qualquer iniciativa que deseje proclamar-se jornalismo colaborativo; e não a simples abertura de sistemas de publicação ao grande público (liberdade de publicação) ou a possibilidade de fazer parte do cenário midiático, seja comentando-o, seja corrigindo-o em plataformas da própria mídia de massa, ou em plataformas independentes.

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Bibliografia para Jornalismo Colaborativo

Nesta página você encontra não tudo o que li com o devido esmero, mas tudo o que passou por minhas mãos durante quatro anos de pesquisas sobre jornalismo, jornalismo colaborativo e mídias sociais. Bom proveito! =)

ANDERSON, Chris. A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

BENTLEY, Clyde H. Reconecting with the audience. Nieman Reports, Cambridge: Nieman Foundation for Journalism at Harvard, 2005. Disponível em: <http://www.nieman.harvard.edu/reportsitem.aspx?id=100566>. Acesso em: 17 abr. 2009.

BENKLER, Yoshai. The wealth of networks. How social production transforms markets and freedom. New Haven: Yale University Press, 2006.

BOLTER, Jay David; MACINTYRE, Blair; GANDY, Maribeth; SCHEWEITZER, Petra. New Media and the Permanent Crisis of Aura. Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies, Thousand Oaks, v. 12, n. 1 p. 21-39, 2006. Disponível em: <http://con.sagepub.com/cgi/content/abstract/12/1/21>. Acesso em: 22 abr. 2009.

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Entrevista com Erin Mizuta

ERIN MIZUTA

Jornalista, editora do VC Repórter (Terra)

A jornalista Erin Mizuta concedeu duas entrevistas à pesquisa, uma presencial, outra por e-mail. Nas conversas, revelou que o Terra, em 2009, possuía três jornalistas dedicados ao VC Repórter —dois redatores e uma editora, que se reportava diretamente à diretoria de conteúdo (e não à gerência de jornalismo, como as outras editorias do portal). Para ela, o jornalismo colaborativo encontra-se em uma fase intermediária na Internet brasileira em relação ao desenvolvido em outros países, e avançar exigirá uma mudança cultural mais ampla, que envolve uma maior conscientização social, política e até jurídica, até para que o colaborador saiba o que pode lhe acontecer se publicar uma informação falsa. “Para quê você quer uma nação inteira de jornalistas? Isso é utópico. É o fim do jornalismo. Haverá sim, mais colaboração de quem participa dos acontecimentos. Mas isso não será o fim, só uma mudança”.

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Entrevista com Rodrigo Flores

RODRIGO FLORES

Jornalista, então gerente geral de notícias do UOL

A participação do internauta na construção do noticiário dos grandes portais está muito mais ligada à etapa da pauta que à apuração ou à edição do material jornalístico. Na visão do jornalista Rodrigo Flores, do UOL, ao enviar material para a redação o público complementa o trabalho do jornalista, que então deve prezar pelos processos que conferem à informação características que a tornam notícia. “Embora o UOL não tenha canais abertos específicos para pautas, as pessoas usam todos os canais possíveis para nos pautar. E já fizemos inúmeras matérias com base nesse tipo de contato do público”, diz. Flores estava no UOL quando houve a publicação, na capa do portal, de uma foto falsa sobre o acidente com o avião da TAM em Congonhas (SP) em julho de 2007. Segundo ele, é muito difícil para um grande portal adotar a colaboração com os filtros necessários para evitar fraudes. “O risco da mentira está presente a todo momento. A partir do momento em que você registra uma entrevista de alguém, você corre esse risco. (…) O desafio do jornalismo é tentar chegar perto do risco zero.”

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Entrevista com Márion Strecker

MÁRION STRECKER

Jornalista, diretora de conteúdo do UOL

A colaboração sempre fez parte do trabalho jornalístico —e o público sempre teve espaço na imprensa, fosse como personagem de notícias ou comentarista ativo. Esta é a visão de Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL, que enxerga o trabalho de checagem de informações externas tão ou mais caro que a contratação de jornalistas para a apuração e a construção de reportagens. “(…) Sempre tive uma sensação ruim com esse desejo expresso por algumas forças do mercado em se fazer jornalismo ou de se ganhar dinheiro com jornalismo sem jornalistas”, diz Strecker, para quem o jornalismo colaborativo pode ser uma forma de baratear custos de produção da mídia. Mesmo assim, ela acredita que o movimento não ganhou força no Brasil pela falta consciência e de cobrança, motores de uma atividade essencialmente crítica como o jornalismo.

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Entrevista com Caíque Severo

CAÍQUE SEVERO

Jornalista, Diretor de Desenvolvimento Editorial do iG

Para o jornalista Caíque Severo, o jornalismo colaborativo é a cauda longa da informação na Internet. O grau de participação entre os usuários vai desde um fato que interessa unicamente a outra pessoa na rede —como o nascimento de um parente ou a própria foto em um espelho— às notícias mais amplas, em uma escala semelhante à proposta por Chris Anderson quando cunhou o termo. Quanto mais complexa a participação, menos atores. E daí uma possível justificativa para a grande popularidade das redes sociais em relação à prática do jornalismo colaborativo, e também a maior participação de usuários como fontes de informação do que como cidadãos-repórteres.

Severo também não vê o jornalismo colaborativo como ameaça ao jornalismo tradicional. Ele seria apenas mais um modo de participação do público, prática comum ao noticiário online, além uma espécie adicional de filtro de informação que não substitui o trabalho do jornalista: “O que determinado veículo selecionou para ir para a capa continua sendo um critério importantíssimo de priorização”.

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Entrevista com Ronaldo Lemos

RONALDO LEMOS

Doutor em Direito Civil, fundador do site colaborativo Overmundo

Apesar de o jornalismo colaborativo no Brasil ser muito mais difuso e desagregado que em países como os EUA, o fenômeno já mostrou ser um importante canal de informação em casos como o do terremoto em São Paulo, em 2009 —e demostra a rica combinação de mídias e mensagens que a Internet oferece. Esta é a visão do doutor em Direito Civil e ativista da Internet Ronaldo Lemos, criador do site colaborativo Overmundo, um dos primeiros a trazer ao país, especificamente para a área cultural, ferramentas de produção colaborativa de conteúdo jornalístico. Lemos acredita que a colaboração não substituirá o jornalismo tradicional, mas o transformará —para justificar a convivência, ele cita processos como o do jornalismo investigativo, por exemplo, extremamente caro e visto como “bem público”.

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