Gripe suína, hiperlocalismo, o velho e o novo jornalismo

27/04/2009

Esta é uma webcurta só para registrar um link que correu aqui a redação e que ilustra de forma bastante feliz a diferença entre o antigo modo de se fazer jornalismo, mesmo online, e a nova forma de construir conteúdo —que em muitos casos independe do jornalismo institucional, o que pode afetar sua credibilidade, mas por outro lado gera informação útil e muito mais agradável aos olhos e às novas gerações.

Primeiro, um mapa criado pelo usuário Niman no Google Maps sobre casos de incidência do vírus H1N1, causador da gripe aviária:

Mapa mostra de forma dinâmica o número de infectados, conforme atualização do usuário Niman.

Mapa mostra de forma dinâmica o número de infectados, conforme atualização do usuário Niman.

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Status do jornalismo colaborativo nos grandes portais brasileiros

25/04/2009

Foram dois meses de trabalho intenso, mas recompensador. Comecei a modelar minha dissertação, e neste caminho, graças à Beth Saad, minha orientadora, conseguimos levar parte do que será meu mestrado ao International Symposium on Online Journalism, um dos principais eventos sobre jornalismo online do mundo, que ocorreu no início de abril em Austin, Texas (EUA).

O foco de meu estudo será o jornalsmo colaborativo ou participativo levado a cabo pelos grandes portais de Internet brasileiros. Neste primeiro momento, pelo menos, não terei fôlego para abarcar iniciativas de menor alcance, mas não menor mérito, como o Overmundo, site de colaboração focado em cultura, ou o CMI (Centro de Mídia Independente), braço brasileiro do Indymedia. Interesse não falta, mas preferi me debruçar sobre as iniciativas dos gigantes de tráfego, os portais, que se não têm a missão, têm ao menos o potencial de levar algo nobre como o jornalismo colaboração e a democratização da mídia a um número maior de pessoas. A inteção foi descobrir como eles andam aplicando os conceitos de colaboração jornalística que surgiram no início da década na Ásia e nos Estados Unidos.

Já o artigo versa sobre o papel do (antigo) público no jornalismo colaborativo ou participativo destes grandes portais. E minha constatação (já esperada, mesmo assim intrigante) é que talvez não seja possível chamar o usuário que participa destas iniciativas de “cidadão repórter”. O noticiário de VC Repórter, do Terra, e VC no G1, da Globo.com, reduz esta figura a mera fonte de informação, por vários fatores que você pode descobrir lendo o artigo, ainda na versão em inglês.

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Por que o jornalismo colaborativo não vai acabar com o jornalista

16/03/2009

Uma das grandes angústias do jornalista online atualmente é estar cara-a-cara com a avalanche de informação digital e perceber na própria rede as sementes daquilo que poderia ser seu fim —a eclosão de conteúdo criado pelo usuário (antes leitor), somada ao surgimento de plataformas que reúnem este conteúdo de forma cada vez mais inteligente pode fazer o incauto pensar que o conteúdo colaborativo vai acabar com a função do jornalista na sociedade em rede. Pensamento, porém, apressado.

Quero compartilhar um vídeo que julgo responder a esta angústia com maestria, que chegou hoje a mim pelo colega de trabalho Luiz Fukushiro aqui no UOL. Um remix de diversos conteúdos que forma um completamente novo, e, não bastasse isso, extremamente melhor que cada uma das partes isoladas.

Isso as plataformas web (ainda) não podem fazer. Isos exige um ser humano que se deu ao trabalho de compreender cada um dos conteúdos, encontrar aqueles que lhe serviam pelo ritmo e pela melodia, reuni-los todos e dar a eles o seu ingrediente, o seu ponto de vista, a sua moldura.

Agora me diga: não foi isso sempre que fizemos os jornalistas? ;o)


Siftable: o computador-bloquinho inteligente

11/03/2009

O TED, repito, é uma conferência que não quero morrer sem ter visto ao vivo. Talvez a crise atrase um pouco meus planos, mas enquanto isso dá para babar um pouco pelo Youtube —este ano, David Merrill apresentou os Siftables, uma espécie de computador no formato de um bloquinho. Com um acelerômetro, ele consegue transformar gestos em ações. Olha quanta aplicação isso pode ter:


Jornalismo colaborativo: um cidadão repórter, dois veículos diferentes

3/03/2009

Comecei esta semana a fazer a análise quantitativa para meu mestrado, que versará sobre jornalismo colaborativo, e já no segundo dia me deparei com um fenômeno interessante: um mesmo jornalista cidadão contribuindo para dois veículos participativos diferentes: VC no G1, da Globo.com, e VC Repórter, do Terra.

Ora, é uma diferença relevante no que toca a prática de mercado no jornalismo; que impactos isso pode trazer ao jornalismo colaborativo, e também ao jornalismo e aos veículos que embarcaram nesta onda? Leia o resto deste post »


Jornalismo colaborativo, lado a lado com conteúdo profissional

22/12/2008

Desta vez, certamente não haverá azedume nem avaliações precipitadas de quem estava de fora. Nesta segunda-feira fatídica para quem sofreu com a enchente em São Paulo, entre diversas opções de conteúdo profissional disponíveis a seus editores, o portal UOL resolveu estampar em sua capa uma foto enviada por um leitor.

Foto de usuário estampada pelo UOL em 22/12/2008

Foto de usuário estampada pelo UOL em 22/12/2008

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Ganhe dinheiro sem sair de casa! Faça uns amigos e abra um blog!

9/12/2008

Isso mesmo! Quer fazer parte da revolução? Ganhe dinheiro sem sair de casa! Renda de R$ 100 a R$ 10.000 mensais, se você conseguir abrir uma consultoria!

Primeiro faça uns amigos, afinal, a web social nada mais é do que “link-para-mim-link-para-você”, tapinha nas costas. Depois instale um sisteminha de remuneração. Aliás, não um, mas dois, três, quatro, quantos você conseguir encontrar por aí.

Blog de cadeira de rodas

Blog de cadeira de rodas

Agora é só sentar em sua poltrona e falar o que vier à cabeça sobre o que vê na televisão, ouve no rádio, vê na Internet. Ah, aproveite inclusive que você fez umas aulinhas de inglês, e traduza bastante coisa de blogs e sites internacionais.

Isso é o que têm chamado de “revolução”, exclusividade, modo alternativo de vida. Uma elitezinha besta, que se acredita diferente porque aprendeu (digo: copiou) meia dúzia de truques de uns pseudo-gurus norte-americanos e acham que são capazes até de prescindir da mídia tradicional.

Na verdade, não é que “podem” prescindir. É que simplesmente têm preguiça de se engajar no ambiente de mídia para produzir algo melhor. Culpam a mídia por sua mediocridade e fazem a revolução “sem sair de casa”…

Dessa “revolução”, desculpe, mas prefiro não fazer parte.


A Internet é um tabuleiro, cada site é um jogo

25/11/2008

Uma rápida passada para registrar por onde vagueiam meus pensamentos nos últimos tempos. Tenho cada vez mais certeza de que a Internet é um jogo, e o jornalismo online deve ser tratado como software (não como mero jornalismo). Para ser mais preciso, a Internet é um grande tabuleiro de jogo, não feito sobre madeira, mas sobre uma Surface, da Microsoft, em que os cenários e as regras estão aí para serem transformados.

Pois bem. Se a Internet é um grande tabuleiro, cada site é um jogo. Cada site tem suas regras, seus macetes, suas intenções, sua dinâmica. Cada site pode (e vai) sendo descoberto e abandonado pelas pessoas, assim como aquele Banco Imobiliário que você deixa guardado no quartinho do fundo e, anos depois, vê, lembra com saudades, mas não sente mais vontade de jogar. Claro, seus primos terão vontade, e também seus filhos.

É por isso que não dá mais para fazer jornalismo do jeito que a gente faz. A gente só pensa em apurar e publicar. Isso está errado. Apesar disso ser a base para um bom jornalismo, valendo-me de uma categoria marxista, a tal da “superestrutura” mudou. Para contar uma história para nosso leitor, a gente precisa brincar com ele. Tornar a informação algo leve, descontraído. Não com fait divers ou noticiário sobre o zoológico. Não é o “o quê”, é o “como”…

Até porque, muito cá entre nós, cada dia mais há coisas interessantes para fazer. E ler notícia do jeito que a gente está acostumado a produzir, desculpe-me jornalista, é MUITO CHATO! Se a gente não mudar o jogo, criar novos aproveitando este tabuleiro riquíssimo, vamos virar Banco Imobiliário.

P.S.1: se a Internet é um jogo e a gente enjoa de certos jogos, penso estar aí a fórmula para compreender o ciclo de vida de produtos como e-mail, mensagens instantâneas e até mesmo redes sociais. Desculpe-me pela segunda vez, mas apesar da classe C, acredito que coisas como o Orkut vão minguar até desaparecer, e isso nos próximos dois anos, com o surgimento de redes mais “velozes” e segmentadas, como Blip.fm para música ou coisas parecidas para outros nichos

P.S.2: desculpas a todos que me acompanham pela ausência de posts nos últimos meses… vida corrida demais com novas atribuições no trabalho, um filho, mestrado e mudança de casa em meio ano! =)


Afinal, o que é um holodeck?

3/11/2008

Como citei o termo “holodeck” no post anterior sem explicar absolutamente nada, aí vai um trecho de meu ensaio sobre o livro de Janet Murray, “Hamlet no Holodeck”, que explica. E de quebra uma pérola que encontrei no Youtube e mostrei no seminário —um pôquer, digamos, de peso… =)

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Narrativas digitais em Janet Murray: entre o realismo e a realidade

3/11/2008

O digital não é mais alucinógeno que o analógico. O computador e a TV não exercem um fascínio mais perturbador que o livro —e pode-se mergulhar com o mesmo insulamento em um quanto nos outros. Eis a mensagem de “Hamlet no Holodeck”, de Janet Murray, que acabo de devorar para o mestrado.

A autora, visivelmente entusiasta das novas tecnologias, aborda a importância de estudar novos mecanismos da narrativa no ambiente digital, para que os autores do século XXI —autores, aqui, considero não apenas escritores, mas jornalistas, artistas plásticos, cineastas, músicos etc.— desenvolvam obras mais adequadas ao meio.

Eis aqui um ensaio sobre “Hamlet no Holodeck” que entreguei como avaliação da disciplina “Linguagens e Tecnologias“, que concluo este semestre na ECA/USP. Aproveito para agradecer ao Flavio Miyamaru, que fez o seminário comigo, e também à professora Maria Cristina Costa, que estruturou super bem a disciplina com um cenário amplo da história da mídia.

De volta ao Hamlet, diria que Murray só falhou em uma coisa —segundo ela, a consciência sobre o uso de um meio é o que torna o ser humano capaz de sair da alucinação que ele causa. Ela critica autores mais apocalípticos, como Ray Bradbury ou Aldous Huxley, por acreditarem que meios mais tecnológicos e realistas seriam mais perigosos que o livro. Porém, o livro ainda continua cercado de realidade —e fechá-lo é algo muito mais simples do que sair de um ambiente tão imersivo quanto um holodeck.

Enfim, polêmica que só mesmo a história irá resolver. Só sei de uma coisa: quero estar lá par ver! =)